Qual praga matou 61 mil e incapacitou 352 mil pessoas em 2012?

Por , em 14.07.2013

Qual é a praga que matou 61.000 pessoas e incapacitou 352. 000 pessoas no Brasil em 2012?

Responda rápido:

Tuberculose? Hepatite? Dengue? Gripe H1N1?

De acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária essa calamidade denomina-se acidente de trânsito.

Isso mesmo!

Só em 2012 foram registradas 61 000 mortes em acidentes de trânsito no Brasil.

E das 508 000 indenizações do DPVAT (seguro obrigatório para Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores Terrestres) tem-se que 352 000 foram destinadas às vítimas com sequelas incapacitantes e permanentes.

Para que tenhamos uma ideia da ordem de grandeza desses números estarrecedores basta entender que a famosa gripe H1N1 levaria 527 anos para provocar o mesmo número de vítimas fatais.

E qual seria o principal fator causador de tantos acidentes no Brasil?

Problemas na pista? Falhas mecânicas? Problemas do clima?

De acordo com pesquisas, a principal causa é a imperícia ao volante, caracterizada principalmente por excesso de velocidade (que pode estar ligada ou não ao uso de bebidas alcoólicas) e outros desrespeitos às leis de trânsito e obviamente aos princípios do bom senso.

É claro que não precisamos consultar nenhuma estatística para confirmarmos esses dados. Basta trafegarmos pelas ruas de qualquer uma de nossas cidades e observarmos quantos motoristas respeitam, por exemplo, o limite de velocidade da pista.

Muitos reclamarão de que tal limite de velocidade é muito baixo, e que nesse mundo moderno tempo é dinheiro, e que existe uma indústria da multa, etc.

Já ouvi essas desculpas quando falei desse assunto em minhas aulas.

No entanto, se uma pessoa possuir o mínimo de educação científica e o mínimo de bom senso sempre respeitará as leis de trânsito.

Por exemplo, um colega de trabalho se vangloriava de fazer em 50 minutos o trajeto de Curitiba até o litoral. Trecho que eu gastava facilmente duas horas.

Revoltado, me perguntou por que da minha lerdeza no trânsito.

Eis a minha resposta:

1. Estou saindo com a família para passear e não para participar de um Rally.

2. Não estão oferecendo nenhum prêmio para quem chegar ao litoral em tempo recorde.

3. Não faço questão de colecionar multas e nem cicatrizes.

4. A minha vida e minha integridade física (e a de todos que me cercam) vale mais que alguns arranhões na minha ficha de super-ultra-hiper-extraordinário-piloto-de-fim-de-semana.

Hoje esse mesmo colega me dá razão.

Porém foram precisos: algumas placas de platina na coluna, alguns dias na UTI e alguns anos numa cadeira de rodas.

Ninguém precisa aprender dessa forma tão cruel que as leis da Física não podem ser desrespeitadas impunemente. Basta atentar para esses fatos:

– Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.

– Quanto maior for a velocidade de um corpo maior será sua energia cinética.

– Numa colisão a energia cinética é transformada principalmente em deformação (tanto do veículo quanto de seus ocupantes).

– Numa colisão envolvendo aço, plástico, osso e carne – o aço ganha sempre.

Isso me soa de uma obviedade…

Tirando o Facebook onde só existem pessoas maravilhosas, politicamente corretas e que sempre respeitam as leis, estou farto de ver todos os dias pessoas se portando no trânsito como se fossem selvagens.

Desde o desrespeito absurdo às regras da boa conduta – essa ética que deve premiar a verdadeira convivência humana, como, por exemplo, a de dar a vez às pessoas idosas e às crianças.

Alguns devem achar idiotice. Pois vejo todos os dias, pessoas bem vestidas, pilotando bólidos caríssimos avançando por sobre pedestres, buzinando, agredindo verbalmente, sejam velhos, mulheres ou crianças.

E sempre se justificando: Tem que “tacar” o carro em cima mesmo, pois o pedestre é muito mal educado.

Ou seja, como em toda selva vale a lei do mais forte e salve-se quem puder.

Será que ninguém pode ceder alguns segundos e franquear a passagem para o semelhante? Será?

O que ocorre com a mente e com o coração dessas pessoas, que basta segurar um volante que se transformam em homicidas em potencial?

Porém as leis da Física não podem ser desrespeitadas impunemente:

Quantos engavetamentos ocorrem simplesmente porque a maioria dos motoristas dirige praticamente colado no carro da frente. Contrário ao que reza a lei. Contrário a qualquer noção de bom senso. Por quê? Alguém pode me explicar isso?

Nas rodovias o quadro piora.

Todos andam a mil por hora, colados no carro da frente, para marcar pressão e forçá-lo a dar passagem. Tanto um quanto o outro travam uma queda de braço motorizada, onde buzinas e palavrões em mímicas fazem parte do belíssimo exemplo de estupidez que dão aos demais. Tudo isso, acima dos limites de velocidade da pista – para quê? Para chegar alguns minutos mais cedo no engarrafamento mais próximo?

E por que tanta pressa?

Ambulâncias carregam luzes e sirenes e você meu caro motorista, qual cirurgia de emergência vai fazer na praia?

Não é raro ver que o motorista que corta, buzina, fecha e acelera como um endoidecido é o mesmo que para em cafés à beira da estrada e gasta uma eternidade na escolha de qual lanche e qual refrigerante vai consumir. E fica de papo furado, tomando cafezinho, fumando, etc. –  para depois sair em disparada mais uma vez – desrespeitando tudo e a todos.

Por que tanta pressa na estrada se na sorveteria o bate papo é em slow motion?

Um colega químico tem uma teoria bastante cruel:

– Talvez a humanidade vá descobrir no futuro que tudo isso tem a ver com a seleção natural. Os imbecis vão diminuindo em número devido à forma estúpida de como se conduzem nas estradas.

O triste é saber que muitos inocentes são levados juntos nessa brincadeira.

Em meu entendimento esses dados se referem, na verdade,  a um dos sintomas da ação de uma das maiores pragas que pode assolar a humanidade – que é a ignorância.

Não é coincidência que o Brasil que é um dos primeiros países do mundo em acidentes de trânsito seja o penúltimo lugar na qualidade da educação que oferece a seu povo.

E você leitor, qual a sua opinião?

-o-

[Leia os outros artigos de Mustafá Ali Kanso]

 

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35 comentários

  • André Nunes:

    Eu considero nosso trânsito assustador. Tenho alguns hábitos que me permitem sobreviver neste matadouro são eles:
    1) Respeitar as regras de trânsito é uma garantia de sobrevivência. Não é por falta de fiscalização que se deve exceder os limites.
    2) As distâncias devem ser medidas em quilômetros e não em tempo.
    3) Estradas e trechos com limites baixos de velocidade (40Km/h) indicam perigo sempre que posso evito transitar nestes trechos.
    4) Algumas viagens devem ser feitas de avião.

  • Valdeir:

    Excelente matéria.

    Outras vítimas dos SOBRINHOS DA PEDAGOGA:

    1) – O sobrinho da pedagoga não sabe a distinção entre motor a pistão e turbina. Resultado houve vítimas do acidente aéreo causado pela troca de gasolina(mota pistão) por querosene combustível de turbinas.

    2) – Vítimas dos erros dos médicos sobrinhos da pedagoga.

    3) – Vítimas de falhas mecânicas nos carros devido a incapacidade técnica dos mecânicos sobrinhos de pedagoga

    4) – Intoxicações alimentares causadas por ignorância total sobre higiene e produtos químicos no manuseio de alimentos dos sobrinhos da pedagoga.

    Pois é, a(o) pedagoga(o) deveria ser o profissional que daria início ao processo de aprendizagem pela alfabetização. Não o faz, e além disso, fica desorientando, burocratizando e onerando a formação das ciência nas escolas. O resultado é Fatal.

  • Cleodon Alves:

    Matéria altamente produtiva, visto a qualidade dos comentários.
    Parabenizo o Sr. Mustafá e os leitores que enriqueceram o texto com os questionamentos apresentados.
    Em situações como esta percebo que a humanidade ainda tem salvação.
    Desejo a todos que vossos projetos se realizem.
    Cordiais Saudações

  • foguete110:

    Pois é Mustafá, eu gostava tanto de dirigir mas agora estou começando a ficar de saco cheio, se você respeita o limite de velocidade, o pessoal cola atrás, e quando te ultrapassa ainda te xinga, se você para em um farol para pedestres, os outros te chamam de otário, tem uns que nao sabem fazer uma manobra para estacionar, mas correr e xingar sao craques.

    • Douglas Eduardo:

      Cansei de ter o meu carro colado por andar no “limite máximo” da pista pela “faixa da direita”.

      Outra ocasião interessante, é quando passa um louco por você “voando”, porém, logo à frente, instantes depois, ele acaba ficando do seu lado esperando o sinal abrir junto com você.

      Pois, enquanto ele se esforçou pra chegar rápido, o sinal fechou pra ele, assim, acabei o alcançando calmamente e sua pressa não valeu de nada, isso é comum de se ver.

    • JG Costa:

      Ainda tenho em minha mente que o exemplo das pessoas que cumprem as regras é um dos mecanismos que fará por melhorar a educação de trânsito, contaminando positivamente outras pessoas. Um exemplo disso é que ao parar numa faixa de pedestres, estender o braço para fora para que o outro condutor diminua a velocidade, o agradecimento acaba sendo para ambos os veículos que tomaram a atitude, e um agradecimento por algo que nem pensávamos em fazer ou estar contribuindo, é algo positivo, que com o tempo nos marca.
      Pessoas apressadas demais infelizmente acabam sendo autuadas, sofrendo acidentes, encontrando pela frente outras pessoas mais apressadas e nervosas ainda. Não me estresso com elas, deixo que sigam seu caminho e se encontrem.
      Abraços.

  • luysylva:

    por isso galera vamos assina a petição: “Não foi Acidente “

  • Will Singer:

    Obrigado, Mustafá e demais “irmãos”.
    Essa discussão me acrescentou grande aprendizado e uma “conclusão” de que o “triunfo da paz” depende basicamente que “EU”, faça à minha parte, na educação, política, TRÂNSITO e etc!
    Obrigado.

  • grasisuperstar:

    As estradas aqui da minha região são ótimas, um tapete, muito bem sinalizadas, mas os acidentes acontecem numa proporção assustadora….centenas de vidas já foram ceifadas só neste ano por aqui. Prova que os maiores culpados são os motoristas sim.

  • Luiz Alberto Silva:

    Ótimo texto. Me identifiquei completamente. E quanto a discusão que fora aberta, vou participar, aliás, continuar participando…nas ruas!

  • Villas Boas:

    Muito cuidado ao atribuir a responsabilidade dos acidentes de trânsito ao “motorista imprudente”, inocentando assim o principal culpado: o governo.

    Quem já dirigiu em rodovia sabe que nossas estradas não são nada elogiáveis. Estradas em péssimas condições de conservação são a realidade ali pra fora da janela.

    Mesmo as estradas pedagiadas… Elas podem ter uma boa pavimentação, mas não são duplicadas, forçando os carros às ultrapassagens. Isso quando não é aquele Bi-Trem de 50 toneladas que vem a 140 km/h na pista contrária (já que as rodovias são simples) – quem nunca presenciou isso?

    • Mustafá Ali Kanso:

      Caro leitor,

      Dessa vez o culpado não é o governo e sim a falta de educação da população.

      Fundamentei esse artigo em diversas pesquisas e de acordo com as estatísticas de indenizações do DPVAT (e outras fontes idôneas), as causas de acidentes de trânsito no Brasil são assim discriminadas:

      Falha humana………… 75%
      Problemas no veículo…. 12%
      Deficiências das vias… 6%
      Outras……………… 7%

      E no item “Falha Humana” destacam-se:

      1. Excesso de velocidade
      2. Desrespeito à sinalização e às normas de trânsito em geral
      3. Uso de bebidas alcoólicas
      4. Ultrapassagens indevidas
      5. Dirigir “colado” no carro da frente
      6. Falta de atenção (distração do condutor com rádio, passageiro, etc.)
      7. Fadiga (sonolência)
      8. Ação evasiva inadequada
      9. Uso de outras drogas além do álcool
      10.Outras não discriminadas acima.

      Sabemos que manter o veículo em perfeitas condições é da obrigação do condutor, assim:

      75 + 12 = 87% dos acidentes são provocados direta e indiretamente pela imperícia do condutor.

      Avaliação similar é feita por outras entidades, tais como a OMS, por exemplo.

      Confira nos links abaixo e grato pela audiência.

      http://www.transitobr.com.br/index2.php?id_conteudo=8

      http://mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_transito.pdf

      http://portal.cnm.org.br/sites/9000/9070/Estudos/Transito/EstudoTransito-versaoconcurso.pdf

      http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/jc-transito/noticia/2013/04/01/imprudencia-e-uma-das-principais-causas-de-mortes-e-acidentes-envolvendo-motociclistas-409580.php

      http://carros.hsw.uol.com.br/mortalidade-transporte-brasil3.htm

      http://www.transitobr.com.br/index2.php?id_conteudo=9

      http://jovempan.uol.com.br/noticias/averdadesobreasdrogas/2013/02/governo-apresenta-dados-sobre-causas-de-morte-no-transito-acompanhe-analise.html

    • Hugo:

      Além dos dados apresentados pelo próprio escritor do artigo (que já são o suficiente), gostaria de apresentar mais um dado particular aqui da cidade de Salvador:

      Antes da Av. Manuel Dias da Silva, a Av. Paralela era considerada a melhor avenida da cidade (hoje está muito ruim, mas já foi a melhor), e nela eram registrados o maior número de acidentes. Quando a Av. Manuel dias da Silva foi construída, ela passou a ser considerada a melhor avenida e também tomou o lugar de avenida com maior número de acidentes. Culpa do governo?

      Isso é um dado que prova exatamente o contrário da sua afirmação: quanto melhor a pista, mais acidentes, visto que um pista boa incentiva o motorista a cometer excessos.

    • Villas Boas:

      Tudo bem, Mustafá, obrigado pela resposta!

      Concordo com vc e achei as novas informações que trouxe interessantes.

      Todavia ainda insisto na tese de que estradas mal conservadas e/ou de pista simples criam condições para o motorista se arriscar mais em ultrapassagens perigosas, ou seja, criam condições para a imprudência. O meio determinando o comportamento.

      Também concordo veementemente que se todos respeitassem o limite de velocidade poderíamos ter rodovias mais seguras:
      110 km/h para veículos leves e
      80 km/h para caminhões
      Isso já está no CTB, mas quem respeita?

    • JG Costa:

      Os fatos são claros, como já foi bem discutido, a responsabilidade maior é do condutor. Cabe ao Governo, assim como é feito em outros países, aplicar um conjunto de medidas para reverter essa situação, investindo pesado na Educação de Trânsito, importantes obras de engenharia de tráfego, e o mais fundamental: vontade política para trazer mais rigor às penalidades e consequentemente uma fiscalização que traga resultados. Se esse conjunto de medidas não for adotado, em outras palavras, se de fato a acidentalidade não for colocada num patamar prioritário, continuaremos fazendo as nossas estatísticas e contabilizando as vítimas fatais ou sequeladas para toda a vida. Abraços.

    • JG Costa:

      Além do que citei acima, existe outro agravante que deve ser posto na balança: a questão da formação do condutor!
      Em países como a Austrália, muitos resultados foram conseguidos devido às exigências que foram acrescentadas, como por exemplo, 4 anos de carta provisória, sendo que no primeiro ano o novo condutor somente pode conduzir o veículo com uma pessoa habilitada ao lado. Existe uma lógica importante aqui: e qualquer tipo de trabalho que realizamos, necessitamos sempre de um tutor ou supervisor, para que um dia possamos ser promovidos, recebendo um conceito profissional por nosso trabalho. No caso de motorista de veículo automotor, por que é que ele pode sair o veículo por aí, como profissional do volante, com uma arma nas mãos? Uma mudança de regras, a meu ver, aqui no Brasil também se faz necessário, principalmente no que diz respeito aos condutores de motocicletas, que hoje, na sua grande maioria, fazem aulas em circuitos fechados, depois são lançados num trânsito composto por carretas, ônibus, motoristas apressados, crianças correndo na rua, idosos atravessando na diagonal, cachorro querendo morder a sua canela… Será que todos novo condutor vai ter a consciência de que ainda é um aprendiz no volante, e vai aplicar os conhecimentos recebidos em um mês por, pelo menos, 3 anos, para se qualificar com um verdadeiro motorista? Ou será que é mais fácil, por ainda se tratar de um pós-adolescente, deixar se levar pela euforia da idade? Obviamente, essas mudanças só poderão correr com vontade política de acertar. Abraços.

    • Hugo:

      Pior do que o sistema: nós mesmos.

      Nós que fazemos o sistema, e quem está lá nos representando nada mais é do que exemplares de nós mesmos, porém bem sucedidos. A política é apenas um resultado de nossa sociedade, não é a causa.

      Então, eu procuro ser cauteloso pra falar mal de políticos. Quantos de nós temos autoridade moral pra falar mal dos políticos? Quantos de nós manipula declaração de imposto de renda? Quantos de nós recebe bolsa-família ou seguro-desemprego sem de fato merecer? Quantos de nós temos o eterno sonho de se encostar no INSS?

      Tenho um amigo/irmão que tem uma moral questionável, mas não é nem um pouco hipócrita e que sempre diz: se um dia eu me candidatar, não vote em mim não que eu sei que vou roubar. Roubo papel ofício de meu escritório e não vou roubar quando estiver cheio de dinheiro público na mão? Duvido…

      Então, temos opção? Eu sei que tenho, faço minha parte e acredito profundamente do resultado dos pequenos atos.

    • JG Costa:

      Hugo:
      Concordo plenamente com o seu pensamento: temos que fazer a nossa parte, mesmo que reduzida, para tentar um dia mudar o jogo que existe, onde as peças são trocadas de 4 em 4 anos (nem todas, é verdade), mas as regras do jogo continuam as mesmas.
      Existem trabalhos elogiáveis no alto patamar, assim como outros desprezíveis, até desumanos. Pensando filosoficamente enquanto continuarmos a dar poder aos fatos negativos e transformá-los em manchetes de jornais e assuntos dos importantes telejornais, e esquecermos-nos de valorizar muito mais os bons atos, para que esses se sobreponham aos demais, prosseguiremos numa luta injusta, onde aqueles novos seres em formação acabam por ter dúvidas quanto ao caminho a seguir: o que dá bons e poucos frutos pelo trabalho árduo, ou o que dá uma infinidade de frutos cuja uma metade já nasce podre e a outra metade já tem um meio-dono. Abraços renovados.

    • Hugo:

      A definição de “bem sucedido” é o que menos importa no meu comentário e leva a discussão para um lado importante, mas que não é o foco do tópico.

      O fato é que eles roubam dinheiro público igual a meu amigo rouba papel ofício do escritório. A diferença é apenas o valor, mas o ato é o mesmo.

    • Villas Boas:

      Outra coisa que esqueci de comentar: a PÉSSIMA QUALIDADE DOS CARROS BRASILEIROS.

      Quem não sabe o que é ou nunca ouviu falar em Latin NCap ou Euro NCap sugiro pesquisar.

      Sabia que o Ford Ka europeu ganha QUATRO estrelas no quesito segurança e o Ka brasileiro ganha APENAS UMA?
      O mesmo acontece com o VW Gol – “”orgulho nacional”” – e muitos outros.

      Segue link de ótimo texto para quem quiser ser ter mais consciência de onde vive: http://www.canaldootario.com.br/?blog=brazil-carrocas-brasileiras.

    • JG Costa:

      Villas boas, acrescentando sobre o assunto da qualidade dos veículos, indico essa matéria: http://onsv.org.br/FiquePorDentro/ATE-QUANDO-O-JOIO-NAO-SERA-SEPARADO-DO-TRIGO-24
      Abraços.

  • Vera Lúcia Chiaratti:

    Antes mesmo de começar a ler, eu já sabia a resposta. Simplesmente porque eu sei que o que mais mata no Brasil são os acidentes de carros. Concordo absolutamente com tudo o que está escrito, e digo mais: Já dizia minha mãe que “quem procura acha”… E eu continuo dizendo isso para meu filho e os amigos dele. Moro numa pequena cidade do interior, com menos de doze mil habitantes, e o índice de acidentes fatais, principalmente de jovens adolescentes com motos é um absurdo. Já perdi a conta de quantos colegas do meu filho morreram enquanto eu rezava para que ele chegasse vivo em casa. E sabe de uma coisa? Acho que esse problema não vai ser resolvido nunca, a não ser que os carros saiam das montadoras com limite de velocidade. Para que produzir um carro que anda a 200km/h, se o limite nas rodovias é de 80? Se não é um carro produzido para disputar corridas, para que essa capacidade?

    • JG Costa:

      Sempre faço essa pergunta para meu diretor, na questão do porquê veículos com velocidades superiores aos limites. A resposta dele é sempre a mesma: se houver educação, não será quebrado os limites.
      Eu, como sou um cara moderninho, penso que devemos criar tecnologias cada vez mais sofisticadas que permitam, por exemplo, se um cidadão foi flagrado dirigindo em alta velocidade, uma das penalidades seria a implantação de um aparelho em seu veículo, que o fizesse andar numa velocidade controlada por um determinado tempo. Para o caso da embriaguez, já existem veículos que possuem o bafômetro embutido, onde o cidadão só liga o veículos após constatação da não embriaguez. No caso do cinto de segurança, idem. Outro fator quanto às velocidades, com a implantação de radares do sistema ponto a ponto, onde um veículo é autuado de acordo com a velocidade em todo um trecho monitorado, e não somente evitando a autuação ao reduzir próximo ao radar, pode ser uma ajuda. Mas como citado no texto do Mustafá, existirão cidadãos que pisarão fundo no seu veículo, desrespeitando todas as normas, para no final pararem em algum lugar para “gastar” o tempo em alguma opção de lazer.
      Tudo esbarra na questão da educação de trânsito, pois se tudo falhar, e ela for utilizada, provavelmente um grave acidente será evitado. Mas enquanto ela não vem em nosso socorro, quem sabe a tecnologia não nos dê o amparo para redução dos números, que só nos traz tanto sofrimento.
      Ah, eu não esqueci das motocicletas, que são, como citado por ti, o grande problema de sua região e de muitas outras. Nesse caso somente com muita aplicação da educação de trânsito mesmo, campanhas regionais voltadas à veículos de duas rodas, melhor preparação dos motociclistas nas autoescolas, através de criação de mini-cidades onde este condutor possa interagir com outros veículos e não fazer aulas em locais fechados. Em nossa cidade, em toda formação de alunos das autoescolas, fazemos uma palestra (http://joefatherbr.blogspot.com.br/p/palestra-de-educacao-de-transito.html) voltada especificamente a tentar sensibilizar os novos condutores. Felizmente em nossa cidade os números estão melhores, acreditamos que seja em razão dos trabalhos de engenharia com base em números estatísticos, aliados às palestras e a fiscalização.
      Abraços.

  • JCarlos Dias:

    Parabéns por esta excelente matéria.

    Deveria ser disseminada em todos os veículos de comunicação e ser matéria obrigatória nos estabelecimentos educacionais.

    E quando da habilitação ser exame obrigatório referente a este tema.

  • Marcelo Ribeiro:

    Faço o melhor para respeitar os pedestres, ciclistas e demais motoristas, mas confesso que nem sempre me comporto exemplarmente em termos de velocidade. Algo que me ajuda muito a lembrar que 10Km/h fazem toda a diferença entre a vida e a morte como neste impressionante vídeo: http://a.ciencia.vc/11wA3X0

    Uma pessoa atropelada a 70km/h tem 70% de chance de morrer instantaneamente e isto é coisa muito, muito séria.

    • JCarlos Dias:

      Marcelo Ribeiro…. É próprio da maioria dos motoristas acreditarem nos reflexos… Mas devemos nos lembrar que tudo acontece em milésimos de segundos e não existem frenagens instantâneas.
      Sou também um pouco impaciente, mas somente quando o condutor à frente está se locomovendo muito abaixo da velocidade da pista. Mas é melhor ter calma e perdermos um minuto e chegarmos em casa sãos e salvos.

    • JG Costa:

      Também acredito que a redução da velocidade seja fundamental para diminuir os riscos e posterior danos às vítimas, principalmente no caso dos atropelamentos.
      Em minha cidade, quase 100% de todas as nossas vias arteriais estão sinalizadas para 50 km/h, muitas delas por força de radar, enquanto o CTB prevê 60 km/h. antes que alguém questione: Então existem muitos congestionamentos? Não, somente alguns pontuais nos horários de pico, numa cidade de 105 mil habitantes com 68 mil veículos, fora a frota flutuante.
      Outro fator que está ajudando muito na redução dos atropelamentos é a utilização das faixas elevadas para pedestres, o que gerou, obviamento, um aumento nas colisões traseiras, pois enquanto muitos condutores passaram a respeitar mais os pedestres, outros ainda continuam no ritmo antigo.
      Em 2012, dentro da área urbana, ocorreram 5 óbitos, todos em veículos de 2 rodas (4 motociclistas e 1 ciclista). Em 2011 ocorreram 8 óbitos, sendo 3 atropelamentos fatais. Zerar a mortalidade é um sonho que buscamos concretizar.
      Abraços.

  • Mariadejesus Bertollaschiavão:

    Teu texto me emocionou enormemente. Deu-me muita tristeza em ter que concordar com tudo.

  • tosites:

    Concordo com sua explicação física e quanto ao respeito aos pedestres mas não quanto a sua defesa na questão das leis de transito. Explico:

    A velocidade máxima hoje é praticamente a mesma da década de 80, mas nesse período os automóveis tiveram diversos avanços tecnológicos como ABS, airbags, novos materiais com melhor capacidade de absorção de impacto, etc.

    No estado de São Paulo é possível trafegar nas rodovias estaduais a 120km/h. O mesmo pode ser feito nas vias expressas dentro da cidade. Mas esta não é a realidade em todas as cidades do Brasil.

    A velocidade máxima nas rodovias federais é de 100km/h. Para piorar,além da baixa velocidade somos obrigados a reduzir constantemente a velocidade devido a quebra-molas e bloqueios policiais o que aumenta consideravelmente o tempo de percurso.

    Além disso, muitas cidades definem como velocidade máxima em suas vias a velocidade de 80km/h ou, pior, 60km/h. E ainda existem vias cuja velocidade máxima é de míseros 40km/h (até um cavalo é mais rápido que isso).

    Se locomover em uma grande cidade respeitando tais limites ridículos é praticamente impossível. Tais limites são impostos somente para arrecadar com multas e não se justificam nem em relação a tecnologia atual dos automóveis nem quanto a qualquer explicação física.

    Os limites praticados no estado de São Paulo e na capital são compatíveis com a tecnologia dos automóveis atuais mas essa não é a realidade para todos os brasileiros!

    • tosites:

      Apenas a palavra “ridículos” deveria estar em negrito, favor editar.

    • Mustafá Ali Kanso:

      Caro leitor,

      Ninguém desrespeita as leis da Física impunemente:

      A constituição física do brasileiro é a mesma da década de 1980.

      Assim se você for atropelado, as suas chances de sobrevivência serão menores quanto maior for a velocidade do atropelamento – pois a energia cinética do veículo é transformada em deformação.

      E lembre-se:

      Numa colisão entre aço, plástico, metal e osso – o aço ganha sempre!

      E quanto menor for a velocidade do veículo, maiores são as chances do condutor conseguir frear e evitar o atropelamento.

      Será que a nossa pressa diária vale uma vida?

      Pense nisso!!

      Grato pela audiência

      p.s – recomendo que veja o vídeo https://hypescience.com/video-10kmh-fazem-toda-a-diferenca/

  • Anderson Thiago:

    O problema é que os idiotas não morrem, acabam matando pessoas inocentes, que estão à 110km/h, respeitando as regras de trânsito.

  • JG Costa:

    Bom dia!

    Em 2011 foi nos informado que cerca de 43 mil brasileiros faleceram em decorrência de acidentes de trânsito. Em nossas palestras sobre educação de trânsito, sempre alertamos que esse número com toda a certeza do mundo era superior, por uma questão muito simples: quantos Órgãos de trânsito dentro das três esferas fazem um acompanhamento das ocorrências, após o fato?
    Creio então que a divulgação agora de 61 mil pessoas só pode ser considerada por mim como uma triste constatação.
    Quando comecei a trabalhar com trânsito a mais de 15 anos atrás, como Agente de Trânsito (por opção) formulei o seguinte pensamento: a Educação de Trânsito independe da educação do indivíduo, aquela estruturada pelo ensino comum e pelos pais.
    Contudo, anos depois, percebi que de fato, como concluiu o professor Mustafá, existe uma conexão visível entre os dois eixos, mas que, contudo, a meu ver, não é expressada pela falta da educação fundamental das pessoas, aquela adquirida nas escolas, mas fundamentalmente aquele tipo de educação que provém do berço, aquela essência responsável pela formação do nosso caráter.
    Estou, digamos, enfatizando esse detalhe, ainda sem uma boa base de dados estatísticos nem da minha pequena cidade, mas, que pelos exemplos que todos acompanhamos, seja pela imprensa ou na pele mesmo, acaba dando essa impressão. Obviamente que a falta do conhecimento básico incorre num desrespeito maior às regras, em todos os campos, e quando sair (se já não saiu) um amplo levantamento estatístico do perfil de nossas vítimas fatais em decorrência dos acidentes de trânsito, e o melhor e mais difícil de conseguir, o perfil do causador em potencial destes acidentes, devido ao claro desequilíbrio cultural existente no nosso país, mas um refinamento dessa informação, proporcionalmente, talvez nos traga uma triste surpresa, talvez outra triste constatação. Abraços. JGCosta

  • Saprugo:

    Estou absolutamente de acordo com o texto. Existem pessoas com temperamentos completamente diferentes, e acho que deve ser muito mais fácil para uma pessoa calma se comportar adequadamente no trânsito do que para uma pessoa neurótica. Mas se essas pessoas neuróticas ou inconsequentes parassem para pensar como não é nada andar dentro dos limites de velocidade, deixar um outro veículo passar, esperar os pedestres atravessarem, não beber antes de dirigir, etc., perto dos transtornos de uma simples batida com danos apenas materiais leves, pois isso já acaba com o resto do seu dia (imagina então quando o acidente envolve morte ou incapacitação!), se conseguissem pensar nisso nos segundos que antecedem o momento antes de tomar a decisão errada, muitos acidentes poderiam ser evitados. Não sou perfeito assim como ninguém é, tenho os meus defeitos e um deles é a impaciência, mas essa é minha técnica para evitar acidentes em que eu seja parte ativa: penso nas consequências segundos antes e digo para mim mesmo que simplesmente não vale a pena correr esse tipo de risco por tão pouco!! Parece óbvio e ridículo, mas comigo funciona!!

  • Hugo:

    Existem pesquisas dizendo que nos EUA, entre 85 e 95% (varia com a fonte) dos motoristas se consideram acima da média. Acho um dado muito interessante e que se aplicaria perfeitamente no Brasil.

    Eu tenho um tio que chama a seta do carro de (desculpem-me o termo) “f…-se”, porque o pessoal liga a seta e mete a cara. Por outro lado, já repararam que é só ligar a seta que a fila do lado cola no carro da frente (mais ainda!) para não permitir que você entre? E por que dar passagem, se o cara está “costurando”? No final, se você realmente precisar virar, vai ter que meter a cara, pois não dão passagem. No final vira um ciclo: mais as pessoas “costuram”, mais não dão passagem, mais a seta vira um “f…-se”.

    Então, acho que devemos refletir sofre isso. Eu mesmo me pego fazendo besteira toda hora. Quando noto, não faço, mas tenho certeza que tem várias vezes que nem percebo. Está no meu inconsciente de brasileiro de tentar tirar proveito em todos os casos, de usar meu anonimato do vidro fumê para fazer coisas que não faria em outras situações, de tentar me mostrar superior em situações onde tenho o controle, já que em tantas outras somos tão desrespeitados e inferiorizados…

    O buraco é mais embaixo, o trânsito é só mais uma consequência desta mentalidade que temos.

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