Quantas flexões você é capaz de fazer pode indicar como vai a saúde do seu coração

Por , em 20.02.2019

Um novo estudo liderado pela da Universidade de Harvard (EUA) descobriu que a capacidade de fazer flexões pode ser um indicador de como vai a saúde do seu coração.

Na pesquisa, homens que conseguiam fazer 40 flexões ou mais em uma única sessão de exercícios tinham uma probabilidade muito menor de sofrer um ataque cardíaco ou ter outro problema cardiovascular nos próximos dez anos do que homens que só podiam fazer 10 flexões ou menos.

Como avaliar a saúde do coração se forma confiável e simples?

Existem alguns testes médicos para avaliar a saúde do coração, como o teste ergométrico de esforço em uma esteira, bem como exames cardíacos mais caros e complicados de se interpretar.

Também existem alguns fatores de risco que podem ser encarados como “possibilidades matemáticas” de ter se problemas do coração, como informações sobre o peso, perfil de colesterol, histórico de tabagismo e outros dados de saúde amplos, impessoais e abstratos.

De qualquer forma, os clínicos e pacientes têm poucas opções para avaliar a saúde cardiovascular e o risco de problemas futuros de maneira simples, cientificamente válida e personalizada.

Essa lacuna foi o que levou pesquisadores da Universidade de Harvard, da Universidade de Indiana e de outras instituições a considerarem a saúde e a boa forma de um grupo de mais de 1.500 bombeiros de Indiana, nos EUA.

Muitos estudos anteriores já associaram a alta capacidade aeróbica com um risco reduzido de doença cardíaca, e os pesquisadores queriam confirmar se o famoso teste da esteira era de fato um bom preditor de saúde cardíaca.

A pesquisa

Os bombeiros americanos são um bom grupo de pesquisa, pois precisam passar por exames de saúde todos os anos em uma única clínica em Indiana. Esses exames incluem avaliações padrão do peso, colesterol, açúcar no sangue e outros dados de saúde. Eles também completam testes de estresse submáximo em uma esteira, que estimam sua capacidade atual de resistência.

Os pesquisadores originalmente estavam mais interessados nessa medição, acreditando que seriam capazes de quantificar quão bem o teste de esteira previu futuros problemas cardíacos usando o banco de dados de informações de saúde dos bombeiros. Poucas mulheres estavam trabalhando como bombeiras, então apenas homens foram incluídos no estudo.

Os cientistas registraram quaisquer problemas cardiovasculares relatados ou descobertos pelos médicos da clínica nos 10 anos após a primeira consulta de cada bombeiro. Os dados sobre problemas cardíacos eram bastante abrangentes, uma vez que os bombeiros precisavam da aprovação de seu médico para voltar ao trabalho mesmo depois de apresentaram problemas de saúde menores.

Flexões: a surpresa

Os pesquisadores planejavam comparar os resultados do teste de estresse na esteira com problemas cardiovasculares subsequentes.

Então, quase incidentalmente, notaram que mais de 1.100 dos bombeiros também haviam completado testes de flexão durante seus exames anuais. Esses testes tinham sido analógicos: um funcionário da clínica contou quantas flexões cada homem podia completar antes que seus braços cedessem, ou ele chegasse aos 80 e fosse informado de que poderia parar de se exibir.

Uma vez que tinham esses dados, os pesquisadores decidiram utilizá-los como um segundo conjunto de informações a ser comparado com problemas cardíacos posteriores, categorizando os homens por quantas flexões podiam completar: 0 a 10; 11 a 20; 21 a 30; 31 a 40; e mais de 40.

Para sua surpresa, a capacidade de fazer flexões mostrou-se um melhor preditor, estatisticamente, de problemas cardíacos futuros do que os testes de esteira.

Resultados

Homens que conseguiam completar pelo menos 11 flexões tinham menos risco de desenvolver problemas cardíacos na década seguinte do que aqueles que conseguiam completar menos de 10.

A redução do risco era impressionante no nível mais alto de capacidade de fazer flexões: os homens que conseguiam passar das 40 tinham 96% menos risco de problemas cardíacos nos próximos 10 anos do que aqueles que pararam com 10 ou menos.

Esses resultados sugerem que a capacidade de fazer flexão pode ser um marcador fácil dos riscos de doenças cardiovasculares, pelo menos em homens que se parecem com os bombeiros.

Qual a relação?

Claro, o estudo foi observacional. Ou seja, enquanto pode mostrar que mais flexões estão associadas a menos problemas cardíacos, não podemos dizer que a força do braço melhora diretamente a saúde do coração ou que a capacidade de fazer mais flexões diminui o risco de problemas cardíacos ao longo do tempo.

Os pesquisadores também não sabem nos dizer como essas duas coisas podem estar ligadas. Mas, conforme explica o Dr. Stefanos Kales, professor de medicina de Harvard, “a força muscular é um componente da boa forma física”.

A proficiência em flexão provavelmente também indica um interesse em uma alimentação saudável, exercícios regulares e peso normal, todos fatores que podem contribuir para corações mais fortes.

Os detalhes do estudo foram publicados na revista científica JAMA Network Open. [NYTimes]

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