Quer consumir ainda mais proteína? A solução pode estar no leite de barata

Por , em 27.07.2016

Pesquisadores descobriram que a substância parecida com leite produzida pela barata Diploptera punctata é altamente rica em proteína, gordura e açúcar. “Qualquer substância colhida de uma barata não é um leite verdadeiro. Pelo menos não como pensamos no leite”, diz Becky Facer, diretora do Museu Fernback de História Natural de Atlanta (EUA).

Quando ingerido pelo filhote de barata, o leite adquire no sistema digestivo a forma de cristais de proteína. “Eles são importantes para o crescimento e desenvolvimento dos bebês baratas”, diz Leonard Chavas, um dos cientistas por trás da pesquisa publicada na revista International Union of Crystallography. Ele explica que os cristais têm três vezes mais energia que o equivalente em massa do leite de búfalo, e quatro vezes a quantidade de energia do leite de vaca.

“O interesse aqui era: ‘do que ele é realmente feito?’”, relembra Chavas. Ele e seus colegas examinaram a espécie, o único tipo de barata conhecido por ser vivíparo – aquele que não bota ovos, mas em que o embrião se desenvolve dentro do corpo da mãe.

Antes do nascimento, essa espécie de barata mantém seus embriões bem nutridos com um líquido rico em proteína, que depois de ingerido vira cristal. Chavas extraiu um desses cristais de um embrião para saber mais sobre seu potencial nutritivo. Vários testes foram feitos, inclusive o sequenciamento do genoma.

Superbarata

barata
“Ele é o que qualquer um precisa: proteína, aminoácidos essenciais, lipídios e açúcar”, explica ele. Essa quantidade enorme de energia faz com que esses filhotes de barata cresçam muito mais do que as outras espécies.

Apesar da cristalização do líquido parecer surpreendente, outras substâncias como a insulina adquirem formato de cristal em nosso corpo, para facilitar o armazenamento. Por isso, o leite da barata tem potencial para o consumo humano, dizem os pesquisadores.

Como ordenhar uma barata

Nesta pesquisa, os cristais foram extraídos diretamente do sistema digestivo dos embriões, mas Chavas pretende usar a bioengenharia reversa para criar a substância. Para isso, é necessário entender os mecanismos químicos e biológicos do processo.

“Por enquanto, estamos tentando entender como controlar esse fenômeno de forma mais simples, para que seja a produção em massa seja possível”, aponta o pesquisador.

Que gosto tem?

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Chavas conta que perdeu uma aposta para seus colegas e que teve que provar o leite de barata uma vez. “Não tem um gosto específico”, disse ele, apesar de ter admitido que a ideia de tomar um sorvete feito desse leite parece boa. Ele imagina que esse sorvete teria gosto de mel. [CNN]

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