Time lapse de mofo gelatinoso mostra como ele encontra o alimento

Por , em 14.11.2016

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey e da Universidade Rutgers fizeram um time lapse com câmeras fotográficas de um mofo gelatinoso em crescimento atrás de comida. O objetivo do experimento é investigar como um ser tão primitivo consegue descobrir para que lado está o alimento e como transmitir esta informação para que o crescimento seja direcionado para o local correto.

O mofo gelatinoso utilizado é o amarelo-vivo Physarum polycephalum, uma meleca unicelular sem cérebro ou neurônio e que mesmo assim consegue tomar decisões. Essa gosma consegue fazer isso de forma relativamente simples. “A pergunta é: como algo sem cérebro é capaz de resolver este problema crucial para a sua sobrevivência?”, explica Simon Garnier, do Instituto de Tecnologia.

“Usamos time lapse nesse mofo porque ele se move muito lentamente. Cada experimento dura entre 24 e 48 horas e só conseguimos ver ele se mover alguns centímetros”, diz Garnier.

Pequenos dedos

biomassa
Quando o mofo está com fome, ele envia biomassa, pequenos dedos que exploram o ambiente. “Queremos descobrir como ele decide coletivamente ‘é hora de ir para a esquerda’ ou ‘é hora de ir para a direita’”, aponta o pesquisador.

Ao observar as mudanças no time lapse, é possível ver que a membrana da gosma oscila de tempos em tempos, inflando e desinflando. Em tempo real, isso acontece a cada um minuto, em média. Sem o time lapse, não seria possível notar esta movimentação.

“Assim como temos músculos em nosso corpo que causam contrações físicas, o mofo gelatinoso tem um citoesqueleto e proteínas que causam essas contrações”, compara Greg Weber, da Universidade Rutgers. Este mecanismo de bombeamento faz com que as margens do mofo cresçam na direção do ambiente favorável. Esse mecanismo físico é o que pode estar por trás da tomada de decisão do mofo.

Estímulo físico

barrinha-estimulo
No experimento, os pesquisadores decidiram enganar o mofo para que ele oscile ainda mais rápido, com a ajuda de uma pequena barra flexível que fica em contato com o mofo. Assim, estimula a seção da membrana para que ela oscile mais rápido.

“Basicamente, o que gostaríamos de fazer é influenciar as escolhas do mofo gelatinoso com essa manipulação física”, explica Weber. Assim, a equipe busca comprovar a hipótese de que o sinal que guia o crescimento do mofo é puramente físico, e não químico.

time-lapse

“Conforme aprendemos mais sobre a forma pela qual a informação é transferida dentro do mofo gelatinoso, poderemos fazer a pergunta principal sobre a origem da inteligência na Terra”, diz Garnier.

Eles defendem que no início da vida apenas os mecanismos físicos eram suficientes para que a comunicação acontecesse. “A tomada da decisão não precisa ser um mecanismo de comunicação complexo. Frequentemente apenas a física é suficiente”, argumenta Garnier.

“Acho que isso faz você perceber que talvez a inteligência não seja tão difícil assim ou talvez nós devêssemos redefinir o conceito de inteligência”, diz Weber. [Spine Films]

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2 comentários

  • Ivanna Fabiani:

    E o que demonstra que tudo funciona pro Impulso. Nao e necessario ter um cerebro e nem ser pragamatico. E o fascinio do mundo das particulas

  • Barry Rogers Barduco:

    Cadê o time lapse? Onde está a animação?

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