Sondas de von Neumann: a galáxia pode estar cheia de “micromáquinas” alienígenas

Por , em 14.10.2019

Não temos certeza se alienígenas existem, mas muitos cientistas pensam que eles têm que existir e por isso procuram formas de encontrá-los.

Estamos falando do famoso “paradoxo de Fermi”: a aparente contradição entre a alta probabilidade de existência de civilizações extraterrestres e a falta de evidências de tais civilizações.

Se nunca nos deparamos com um homenzinho verde ou uma mensagem codificada de rádio no espaço, que outras evidências podemos buscar de tais formas de vida?

Tecnológicas, é claro. Uma das teorias mais intrigantes é de que a galáxia pode estar cheia de “micromáquinas” aliens avançadas, chamadas de sondas de von Neumann.

Agora, um novo artigo do astrofísico Zaza Osmanov, da Universidade Livre de Tbilisi (Geórgia), sugere como podemos identificá-las.

Sondas de von Neumann

O conceito hipotético de “sonda de von Neumann” é baseado na ideia de máquinas autorreplicantes do matemático John von Neumann.

Teóricos que se dedicam a levantar hipóteses para a tecnologia alienígena emprestaram a noção para sugerir que civilizações avançadas podem ter criado máquinas que exploram longas distâncias no universo sem precisar sair de seus planetas, uma vez que esses dispositivos são capazes de fazer cópias de si mesmos conforme avançam, aumentando em número rápido e exponencialmente.

É uma bela ideia, mas tem alguns probleminhas – esse tipo de máquina precisa “coletar” materiais para construir suas cópias no meio do caminho, e pode não os conseguir em qualquer canto ou asteroide do universo. Erros no processo de replicação também são prováveis.

Recentemente, no entanto, Osmanov solucionou algumas dessas questões argumentando que estamos pensando nas sondas de von Neumann na escala errada: elas funcionariam muito melhor se fossem microscópicas, ou seja, tivessem cerca de um nanômetro de comprimento.

Micromáquinas pela galáxia

Primeiro de tudo, sondas microscópicas não precisariam de tantos recursos para se reproduzir quanto os teóricos vinham pensando. Um pouquinho de hidrogênio, e já estariam abastecidas para sair voando pelo cosmos.

Depois, o pequeno tamanho tornaria mais fácil e mais rápido para as replicações ocorrerem – Osmanov estima que uma população inicial de 100 se transformaria em cerca de 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (1 x 10³³) em apenas um parsec, ou 4 anos-luz.

Dado tudo isto, é normal que ainda não tenhamos visto uma dessas minúsculas sondas, mas podemos – se olharmos na direção certa.

Tais nano máquinas replicantes poderiam, por exemplo, produzir emissões luminosas ao se deparar com e coletar prótons pelo caminho. Tais emissões podem ser virtualmente impossíveis de se detectar por si só, porém, com a sorte de um enxame grande o suficiente de sondas, seriam observáveis pelo menos no espectro infravermelho.

“Todos os resultados mencionados indicam que, se alguém detectar um objeto estranho com valores extremamente altos de incremento de luminosidade, pode ser um bom sinal para colocá-lo na lista de candidatos extraterrestres à sonda de von Neumann”, concluiu o pesquisador.

O artigo de Osmanov pode ser lido na íntegra (em inglês) aqui. [CosmosMagazine]

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