Teoria da origem da vida é desafiada: eles não precisavam de oxigênio para evoluir

Por , em 18.02.2014

A origem da vida complexa é um dos maiores mistérios da ciência. Como as primeiras células primitivas evoluíram para a diversidade de formas de vida avançadas que existem na Terra hoje?

Teoria da origem da vida

A explicação científica mais comum é: oxigênio. A vida complexa evoluiu porque os níveis atmosféricos de oxigênio começaram a subir, 630 a 635 milhões de anos atrás.

No entanto, de acordo com um novo estudo da Universidade do Sul da Dinamarca, essa explicação deve ser reconsiderada.

Os pesquisadores descobriram que animais como a esponja-do-mar podem viver e crescer mesmo com suprimentos de oxigênio muito limitados.

“Nossos estudos sugerem que a origem dos animais não foi impedida por baixos níveis de oxigênio”, explica um dos coautores, Daniel Mills.

Por bilhões de anos, a vida só consistia em formas unicelulares simples. O surgimento de animais coincidiu com um aumento significativo de oxigênio atmosférico, portanto parecia óbvio vincular os dois eventos e concluir que o oxigênio levou a evolução para formas mais complexas.

“Mas ninguém havia testado de quanto oxigênio os animais realmente precisavam. Pelo menos não que eu saiba. Por isso, decidi descobrir”, afirma Mills.

Juntamente com Lewis M. Ward, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA), ele coletou esponjas-do-mar da espécie Halichondria panicea, já que as esponjas são os animais vivos que mais se assemelham aos primeiros animais na Terra.

“Quando colocamos as esponjas em nosso laboratório, elas continuaram a respirar e crescer mesmo quando os níveis de oxigênio atingiram 0,5% dos níveis atmosféricos dos dias atuais”, concluiu o pesquisador.

Isso é mais baixo do que os níveis de oxigênio que pensávamos ser necessários para a vida animal.

A grande questão que fica é: se baixos níveis de oxigênio não evitaram que os animais evoluíssem, então o que causou a demora? Por que a vida foi formada apenas de bactérias unicelulares e amebas por bilhões de anos antes de, de repente, explodir e a vida complexa surgir?

“Deve ter havido outros mecanismos ecológicos e evolutivos em jogo. Talvez a vida microbiana permaneceu por tanto tempo porque demorou para desenvolver a máquina biológica necessária para a construção de um animal. Talvez organismos multicelulares complexos sejam simplesmente difíceis de evoluir”, sugere Mills. [Phys]

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13 comentários

  • Kassius Costa Carloto:

    Isso indica que se não tivesse o aumento de oxigênio todos seriamos parecido com o Bob Esponja. nada mais…

  • Luhan Outl:

    essa reportagem é feita apenas para chamar atenção, nao passa de um pequeno detalhe porque a solução quase que óbvia para o problema apresentado está no ultimo parágrafo. “Deve ter havido outros mecanismos ecológicos e evolutivos em jogo. Talvez a vida microbiana permaneceu por tanto tempo porque demorou para desenvolver a máquina biológica necessária para a construção de um animal. Talvez organismos multicelulares complexos sejam simplesmente difíceis de evoluir”

  • Leandro Pereira:

    Eu confesso não ter entendido a correlação das coisas, certamente por ignorância nas duas áreas – biologia e geologia. mas o protezoico, o período antes de ter tanto oxigênio na atmosfera, já não tinha bactérias anaeróbicas?

    • Cesar Grossmann:

      Leandro, organismos multicelulares pedem mais energia do que a obtida pelas bactérias anaeróbicas. Aliás, acho que, anaeróbico, só existem bactérias. Todos os outros organismos precisam do oxigênio.

      A hipótese era que, como o oxigênio é tão importante, talvez a sua presença na atmosfera permitiu o surgimento dos metazoários, se eu entendi direito. Uma evidência seria o aumento do oxigênio e o surgimento dos metazoários ao mesmo tempo.

  • Marcello Sevach:

    São descobertas como essas que me fazem pensar que somos os primeiros no universo, pois alguém tem que ser o primeiro em algum momento da existência.

  • Toni Rocha:

    Porque não houve “a” mutação, uai. Os seres “podem” mudar, e não “devem” mudar…

  • Flavio Brasil Junior:

    Que legal, bilhões e bilhões de seres multi celulares, e pq um sobrevive com pouco oxigênio, quer dizer que a teoria é inválida……

    • Cesar Grossmann:

      Não inválida, mas precisa de ajustes. Não é uma evidência contrária, que refuta, mas uma evidência que aponta que as estimativas e algumas pressuposições estão incorretas.

    • Adilson Morais:

      Vai ver porque como foi dito no artigo, que o organismo testado se assemelhar com o da época .
      Comprovando que pouco oxigênio não limita o desenvolvimento da especie !!

    • Herlon Henrique Macedo:

      Interessante a matéria, o mais interessante ainda é que antes o que era considerado um ponto chave na evolução das formas de vida unicelulares “o oxigênio” agora não é mais ponto chave e nem se sabe o que provocou, pode até incomodar, quem confia cegamente não na ciência em sí, mas nas teorias, mas é muita especulação que tem por ai.
      Já que não se sabe de muito sobre a origem da vida, não deveriam falar com tanta soberba, como se soubessem do que aconteceu a milhões e milhões de anos atrás.

    • Cesar Grossmann:

      Oh, mas sabemos o que aconteceu a milhões de anos atrás, pelo menos em parte.

      Em algum ponto a cerca de 650 milhões de anos atrás a vida complexa emergiu, ao mesmo tempo que aumentou o oxigênio atmosférico. Uma das hipóteses que a ciência era que os dois fatos estavam conectados, e o estudo em questão aponta que não.

      Afirmar alguma coisa é soberba? Não dá para afirmar nada, mesmo considerando as evidências?

  • Douglas Rossi:

    Muito interessante, show de bola, mudou minha visão sobre o que aprendi na escola!

    • Cesar Grossmann:

      Esta é uma área que está sendo pesquisada ativamente, novas descobertas devem surgir.

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