A Terra pode inverter os polos magnéticos a qualquer hora e nós não estamos prontos

Por , em 3.02.2018

A Terra é envolvida por um campo magnético habilidoso o suficiente para inverter sua polaridade de tempos em tempos. Os polos trocam de lugar, com o norte virando sul e vice-versa.

Nos últimos 20 milhões de anos, tivemos um padrão de inversão de polos magnéticos a cada 200.000 a 300.000 anos.

Entre trocas bem-sucedidas, os polos às vezes até tentam reverter a inversão e voltar ao seu lugar. Cerca de 40.000 anos atrás, os polos fizeram tal tentativa, infrutífera.

A última inversão completa ocorreu cerca de 780.000 anos atrás – o que significa que estamos bastante atrasados para a próxima, com base no padrão estabelecido.

Isso, por sua vez, indica que tal inversão pode acontecer a qualquer momento e absolutamente não estamos preparados para as suas consequências.

A mudança já começou

O campo magnético do planeta já está mudando, o que significa que os polos estão se preparando para trocar de lugar. Ainda não podemos confirmar que uma inversão está para ocorrer, mas a possibilidade não é pequena.

Cientistas usaram imagens de satélite e cálculos complexos para estudar o deslocamento do campo magnético e tentar determinar se a inversão é iminente ou não.

Eles descobriram que o ferro fundido e o níquel estão drenando energia do dipolo na borda do núcleo da Terra, onde é gerado o campo magnético do planeta.

Eles também descobriram que o polo magnético norte está especialmente turbulento e imprevisível. Se os blocos magnéticos se tornarem fortes o suficiente para enfraquecer o dipolo, os polos mudarão oficialmente.

O que vai acontecer?

Embora uma inversão de polos não seja nada novo na história da Terra, desta vez pode ter sérias implicações para a humanidade, por conta do estilo de vida moderno.

O nosso campo magnético nos protege de raios solares e cósmicos. Durante o processo de troca dos polos, que pode demorar séculos, este escudo protetor pode diminuir para até um décimo de sua capacidade típica.

A radiação, então, pode se aproximar do planeta muito mais do que o habitual. Eventualmente, pode atingir a superfície da Terra, tornando regiões inabitáveis e causando extinção de espécies.

Antes disso acontecer, porém, um campo magnético enfraquecido provavelmente já afetaria os satélites em órbita no planeta. De fato, tais tecnologias já sofreram falhas de memória e outros danos quando expostas a tal radiação no passado.

Adeus, vida moderna

Os danos causados a satélites podem afetar vários sistemas, inclusive os que controlam as redes elétricas. Se essas redes falharem, podem levar a apagões mundiais que especialistas preveem que poderiam durar décadas.

Sem redes elétricas funcionais, não poderíamos usar celulares e eletrodomésticos, sem contar as vidas que estariam em risco se as fontes de energia reservas dos hospitais se esgotarem.

Nos dias atuais, somos cada vez mais dependentes de tecnologia. A vida moderna mudaria muito: não poderíamos ter nem GPS, quem dirá avanços como a inteligência artificial.

De como nos comunicamos até a forma como nossos governos e instalações críticas funcionam, tudo se resume hoje em dia a como enviamos e armazenamos dados, então, se os satélites mundiais estiverem danificados ou não funcionais, a vida como a conhecemos poderia simplesmente acabar.

Não é o apocalipse

Esta não precisa ser uma previsão do dia do retorno à Idade da Pedra, contudo, ou até do juízo final com a inevitável exterminação de todas as espécies.
Enquanto os polos inevitavelmente vão se inverter em algum ponto, nós sabemos que isso vai acontecer e precisamos – urgentemente – nos preparar para isso.

O primeiro passo é fazer com que as empresas de satélites pensem no amanhã e comecem a colaborar, compartilhando ideias entre si sobre como equipar suas tecnologias para lidar com uma inversão de polos.

Pesquisadores governamentais e universitários podem concentrar seus esforços no desenvolvimento de novos satélites projetados especificamente para suportar a radiação extrema e o clima espacial.

Além disso, temos que encontrar maneiras de armazenar energia e garantir que o público seja educado sobre o tema da inversão de polos, de modo que a situação não cause pânico generalizado.

Certamente, não precisamos de pânico agora – mas precisamos de planejamento e cautela. [ScienceAlert]

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