Bomba nuclear moveu uma montanha na Coreia do Norte

Por , em 14.05.2018

O Monte Mantap, na Coreia do Norte, se moveu após ser o palco de uma detonação nuclear.

O último teste realizado pelo país asiático ocorreu em Punggye-ri, no dia 3 de setembro do ano passado. Foi o maior de todos, com um registro equivalente a um terremoto de magnitude 6,3.

Cerca de 8 minutos depois, geólogos detectaram um segundo estrondo de magnitude 4,1 que os fez especular se o local do teste, escondido dentro de uma montanha, teria desmoronado.

Um colapso maciço poderia torná-lo inútil para futuros testes nucleares, bem como aumentar o risco de gases radioativos escaparem da rocha para o ar.

A confirmação

A suspeita inicial dos cientistas ganhou força há três semanas, quando a Coreia do Norte anunciou que planejava fechar a principal instalação de testes no Monte Mantap, onde cinco das seis explosões, incluindo a última, ocorreram.

Algumas semanas atrás, um grupo de geólogos chineses já havia publicado o primeiro estudo afirmando que a montanha havia possivelmente desmoronado, publicado na revista Geophysical Research Letters.

Agora, cientistas publicaram uma nova pesquisa na revista Science, na qual utilizaram imagens de satélite para evidenciar que o Monte Mantap de fato se moveu e se comprimiu após a explosão.

De acordo com o artigo, a montanha e os locais de teste provavelmente não entraram em colapso completamente.

Imagens de satélite

Anteriormente, os cientistas mediram as explosões nucleares pelo solo agitado pelas explosões, usando dados sísmicos semelhantes a como os terremotos são medidos.

O novo estudo foi diferente: a equipe analisou imagens captadas pelo satélite alemão TerraSar-X e pelos satélites japoneses ALOS-2, comparando a paisagem do Monte Mantap antes e depois da bomba.

Esses satélites usam o que é chamado de radar de abertura sintética, que envia ondas eletromagnéticas para a Terra e mede a luz refletida. Ao fazer isso, a tecnologia pode criar imagens de alta resolução mesmo sob condições climáticas abaixo do ideal e pouca luz, uma vez que as micro-ondas podem penetrar nas nuvens.

Através das imagens, a equipe descobriu que o Monte Mantap se moveu cerca de 3,5 metros e encolheu 0,5 metro. Isso pode indicar um colapso de túneis dentro da montanha.

“Mas não poderíamos dizer se o colapso afetou todo o local do teste ou apenas um túnel, já que não há evidência direta”, explicou Teng Wang, pesquisador da Universidade Tecnológica de Nanyang (Singapura) e principal autor do estudo.

Seria necessário investigar o local pessoalmente para descobrir isso.

Mais poderosa que Hiroshima

A equipe também analisou dados sísmicos e descobriu que a direção das ondas era exatamente a oposta da explosão.

Uma vez que a explosão teria um sentido externo (ou seja, para fora), o segundo estrondo de magnitude 4,1 poderia ter sido para dentro, reforçando a teoria do colapso.

O tremor do solo poderia ser resultado tanto do colapso de um vazio nas rochas criado por uma explosão anterior ou pela mais recente.

Os pesquisadores estimaram que a força da detonação foi de cerca de 120 a 304 quilotons, ou 10 vezes mais forte que a bomba que caiu em Hiroshima. Existem outras estimativas, sendo que a maior delas é de uma bomba tão forte quanto 17 vezes a de Hiroshima. [LiveScience]

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2 comentários

  • Guilherme Junqueira de Almeida:

    Não é só a fé que remove montanhas…

    • Cesar Grossmann:

      Testes nucleares movem montanhas. Já a fé…

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