Tetraplégica ganha um braço robótico controlado por sua mente

Por , em 18.12.2012

Em 1996, Jan Scheuermann começou a sentir dificuldade para andar e, nos dois anos seguintes, as condições pioraram: ela perdeu o movimento não só das pernas, mas também dos braços, e passou a usar uma cadeira de rodas e depender do apoio de uma assistente para realizar suas atividades diárias – tudo por causa de uma condição genética chamada “degeneração espinocerebelar”, que desgasta a conexão entre cérebro e músculos.

Quem imaginaria que, muitos anos depois, Jan seria capaz de movimentar um braço (robótico) usando sua mente, mesmo que seu próprio corpo tenha se tornado incapaz de responder?

Uma amiga lhe mostrou uma pesquisa divulgada em 2011 por cientistas da Universidade de Pittsburgh (EUA), em que um homem tetraplégico, Tim Hemmes, conseguiu mexer objetos em uma tela de computador e controlar um braço robótico usando o cérebro. Assim, com o apoio da assistente, Jen entrou em contato com a equipe. “Sou tetraplégica. Me incluam! Eu quero fazer aquilo!”, disse.

Cérebro e máquina

Os pesquisadores desenvolveram uma rede de microeletrodos capazes de conectar células cerebrais a circuitos eletrônicos (conjuntos de 16 mm² e 96 pontos que penetram 2,5 cm na superfície do cérebro). Usando ressonância magnética, eles escanearam o cérebro de Jen, para descobrir exatamente onde deveriam colocar os eletrodos. Em fevereiro deste ano, eles implantaram a rede na parte do cérebro responsável por controlar os movimentos do braço e da mão direita (o córtex motor esquerdo).

A prótese é tão sofisticada quanto o mecanismo de conexão: vários segmentos fazem com que ela possa se movimentar com muita flexibilidade, quase como se fosse humana.

Duas semanas depois, já no segundo dia de treino, Jan foi capaz de mover a prótese usando a “força da mente”. Com mais alguns dias de treino, ela conseguia esticá-lo, movê-lo da direita para a esquerda e de cima para baixo.

O processo durou cerca de 13 semanas, com três treinos semanais, em que Jen rapidamente aprendeu a alcançar e segurar blocos, cones e bolas. “Sinto que fui abençoada por ter podido fazer isso”, disse Jen. Ao final do programa, ela conseguiu executar tarefas com 91,6% de acerto e levando 30 segundos a menos do que levava no início. Antes que o programa terminasse, Jen usou o braço robótico para segurar uma barra de chocolate e comer sem ajuda – algo que ela considerava inimaginável há alguns anos.

Futuro

“Esta tecnologia, que interpreta sinais do cérebro para guiar um braço robótico, tem um enorme potencial que continuamos a explorar”, destaca o pesquisador Andrew Andrew Schwartz. Novos estudos poderão incluir sensores nas próteses, para que o paciente possa diferenciar superfícies quentes, frias, lisas ou ásperas e, assim, controlar o equipamento com mais precisão. Outra ideia a ser analisada é a de usar tecnologia sem fio para enviar os sinais do circuito no cérebro até a prótese.

“Nós temos esperança de que isso se torne um sistema totalmente implantado, sem fio, que as pessoas possam usar em suas casas sem nossa supervisão”, diz Jennifer Collinger, que também faz parte da equipe. “Talvez até mesmo seja possível combinar o controle do cérebro com um aparelho que estimule diretamente os músculos, para restaurar os movimentos dos próprios membros da pessoa”. Apesar de todos os avanços, porém, ainda há um longo caminho até que isso se torne realidade.[LiveScience] [The Journal]

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