Como causar convulsões em um gato

Por , em 4.05.2015

A instituição de caridade Cat Care, do Reino Unido, patrocinou uma pesquisa de especialistas veterinários depois de receber reclamações surpreendentes de donos de gatos: seus companheiros felinos aparentemente tiveram convulsões em resposta a sons agudos.

Um estudo desses gatos revelou que as convulsões induzidas por som foram mais comuns em gatos mais velhos, e os gatilhos mais comuns foram coisas como amassar papel alumínio, bater em uma tigela de cerâmica com uma colher de metal e vidro quebrando.

A “síndrome Tom e Jerry”

Mark Lowrie e Laurent Garosi, neurologistas veterinários da Inglaterra, e Robert Harvey, um neurocientista e geneticista molecular da London School of Pharmacy University College (Escola de Farmácia de Londres, em tradução livre), decidiu fazer um levantamento entre proprietários de gatos sobre o fenômeno, que foi apelidado de “síndrome Tom e Jerry” por causa do personagem de desenho animado Tom, que muitas vezes responde a sons surpreendentes com tremeliques involuntários.

Dono de gato: ouça isso!

Centenas de donos de gatos de todo o mundo responderam que tinham notado que seus gatos estavam tendo convulsões em resposta a certos tipos de sons. A maioria dos veterinários não sabia o que estava causando as convulsões e não acreditava que um som tinha sido o gatilho.

Em um estudo publicado em 27 de abril, os pesquisadores analisaram dados de 96 gatos, incluindo o tipo de crise, quanto tempo durou e que som pareceu provocá-la. Eles descobriram que alguns gatos – como alguns seres humanos – sofrem de convulsões causadas por som, conhecido como “crises reflexas audiogênicas”.

Nos gatos, certos sons desencadeiam convulsões, crises mioclônicas, caracterizadas por breves abalos musculares ou crises generalizadas tônico-clônicas, no qual o animal perde a consciência e seu corpo enrijece e sofre uns empurrões durante vários minutos.

O perigo é maior para gatos da raça Birman

Tanto os gatos de pedigree e vira-latas podem ter estes ataques, mas eles são mais comuns em gatos da raça Birman. Os ataques também foram mais comuns em gatos com idades entre 10 a 19 anos, e a idade média de início foi de 15 anos, disseram os pesquisadores.

Os sons em números

Os sons que desencadearam os ataques foram:

  • Papel alumínio sendo amassado (82 gatos);
  • Tilintar de colher de metal em uma tigela de comida de cerâmica; (79 gatos)
  • Vidro quebrando (72 gatos);
  • O amassar de papel ou sacos plásticos (71 gatos);
  •  Teclado de computador ou sons do mouse (61 gatos);
  •  O tilintar de moedas ou chaves (59 gatos);
  • O martelar de um prego (38 gatos);
  • E os estalos da língua de um proprietário (24 gatos).

Foi menos comum, mas também aconteceu, de as convulsões serem causadas por toques de celular, velcro ou uma caminhada através de um assoalho de madeira com pés descalços.

Como cuidar do seu gatinho?

De acordo com os pesquisadores, os proprietários podem impedir essas crises evitando estes sons, mas isso nem sempre é possível. Sons mais altos também parecem fazer as convulsões mais intensas.

Tratamento

A sugestão dos pesquisadores é o uso do medicamento Levetiracetam, usado para tratar epilepsia. Em tese, ele pode livrar completamente um gato de convulsões induzidas por som. Ainda assim, a melhor ideia é procurar um médico veterinário. [livescience]

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