Por , em 13.01.2018

A tripofobia, aquele medo de conjuntos de buracos, como os vistos em colméias, flores, etc, não é exatamente um medo. Segundo um novo estudo realizado por pesquisadores da Emory University, nos EUA, a condição está ligada a uma resposta fisiológica mais associada ao nojo. Utilizando a tecnologia de rastreamento ocular, ele mediram mudanças no tamanho da pupila das pessoas para diferenciar as respostas dos voluntários do estudo a imagens de buracos aglomerados, imagens de animais ameaçadores e imagens neutras, para ver se havia alguma diferença.

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Quando vemos animais ameaçadores, geralmente temos uma reação de medo, associada ao sistema nervoso simpático. O coração e a taxa de respiração aumentam e as pupilas se dilatam. Este estado de hiper atenção quando vemos um perigo potencial é conhecido como resposta de luta ou fuga.

Os pesquisadores queriam testar se essa mesma resposta fisiológica estava associada a imagens aparentemente inócuas de furos.

A técnica de rastreamento ocular mostrou que tanto os orifícios quanto as imagens ameaçadoras tiveram efeito na dilatação da pupila, mas isso era mais forte quando a pessoa estava olhando um conjunto de buracos. Isso sugere que a reação não estava ligada ao medo, mas sim associada ao sistema nervoso parassimpático e à sensação de nojo.

“Imagens de animais ameaçadores e buracos aglomerados provocam uma reação aversiva”, diz Vladislav Ayzenberg, estudante de pós-graduação no laboratório Lourenço e autor principal do estudo. “Nossas descobertas, no entanto, sugerem que os fundamentos fisiológicos para essas reações são diferentes, embora a aversão geral possa ser enraizada em propriedades espectrais visuais compartilhadas”.

“Algumas pessoas são tão intensamente incomodadas com a visão desses objetos que não podem suportar estar ao seu redor”, diz Stella Lourenco, psicóloga da Emory University. “O fenômeno, que provavelmente tem uma base evolutiva, pode ser mais comum do que nós percebemos”.

Cautela, não luta

Pesquisas anteriores relacionaram reações da tripofobia a algumas das mesmas propriedades visuais compartilhadas por imagens de animais ameaçadores, como cobras e aranhas. O padrão de repetição de alto contraste observado em buracos aglomerados, por exemplo, é semelhante ao padrão na pele de muitas cobras e ao padrão feito pelas pernas escuras de uma aranha contra um fundo mais claro.

“Somos uma espécie incrivelmente visual”, explica Ayzenberg. “As propriedades visuais de baixo nível podem transmitir muitas informações significativas. Essas pistas visuais nos permitem fazer inferências imediatas – quer vejamos parte de uma cobra na grama ou uma cobra inteira – e reagimos rapidamente ao perigo em potencial”.

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Em contraste com uma resposta de luta ou fuga, que orienta o corpo para a ação, uma resposta parassimpática retarda a frequência cardíaca e a respiração, e contrai as pupilas. “Essas dicas visuais sinalizam ao corpo para ser cauteloso, ao mesmo tempo que fecham o corpo, como se limitassem sua exposição a algo que poderia ser prejudicial”, diz Ayzenberg.

Sinais de contaminação

As pessoas envolvidas no experimento não relataram sofrer de tripofobia, mas a equipe observou a reação delas mesmo assim, o que sugere que este é um mecanismo primitivo presente em todos nós. Os autores teorizam que grupos de furos ou buracos podem ser evolutivamente indicativos de contaminação e doenças – pistas visuais para alimentos podres ou mofados ou pele atingida por uma infecção.

“O fato de termos encontrado os efeitos neste grupo (sem tripofobia) sugere um mecanismo visual bastante primitivo e penetrante subjacente a uma aversão aos buracos”, diz Lourenço.

Desde Darwin, os cientistas têm debatido a relação entre medo e nojo. As duas emoções se completam e, ocasionalmente, se sobrepõem, mas têm bases neurais e fisiológicas distintas, algo reforçado por este novo estudo.”Nossos achados não só melhoram a nossa compreensão do sistema visual, mas também como o processamento visual pode contribuir para uma série de outras reações fóbicas”, diz Ayzenberg. [I Fucking Love Science, Emory University]

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