Um método barato e divertido de evitar o divórcio

Por , em 5.02.2014

Atualmente, ninguém está livre do fantasma do divórcio. A boa notícia é que um método confortável e regado a pipoca e refrigerante pode ser uma saída saudável para manter a união (se o refri for zero).

Pesquisadores relatam que discutir cinco filmes sobre relacionamentos no período de um mês poderia reduzir pela metade a taxa de divórcio dos recém-casados, que é de três anos. O estudo, envolvendo 174 casais, é o primeiro de longo prazo a comparar diferentes tipos de programas de intervenção precoce de casamento.

Os resultados mostram que a abordagem barata, divertida e relativamente simples pode ser tão eficaz quanto outros métodos mais intensivos conduzidos por terapeutas, reduzindo a taxa de divórcio ou separação de 24% para 11%, depois de três anos. “Nós achávamos que o tratamento com filmes ajudaria, mas não tanto quanto os outros programas”, conta o professor de psicologia na Universidade de Rochester (EUA) Ronald Rogge, autor do estudo.

“Os resultados sugerem que os maridos e esposas têm noção de que poderiam estar fazendo de certo e errado em seus relacionamentos. Assim, você pode não precisar lhes ensinar um monte de habilidades para reduzir a taxa de divórcio. Você só precisa fazê-los pensar sobre como estão se comportando. É incrível que cinco filmes nos deem uma vantagem que dura por mais de três anos”, comemora.

O cientista ainda acrescenta que este exercício de autoajuda poderia abrir novas possibilidades para nutrir os laços nupciais em uma escala mais ampla. Isso porque é, obviamente, bem mais fácil que os casais lidem com seus próprios problemas do que tenham que procurar um profissional especializado para ajudá-los a salvar a relação.

Rogge e sua equipe, que inclui o coautor Thomas Bradbury, professor de psicologia e codiretor do Instituto de Relacionamento na Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA), publicaram os resultados na edição de dezembro do “Journal of Consulting and Clinical Psychology”.

O estudo

Enquanto vários grupos religiosos têm programas para preparar os noivos para o casamento e para auxiliá-los ao longo dos anos, os números de divorciados têm crescido. Por isso, cada vez mais instituições tentam entender essas situações para evitar a medida mais extrema.

Um sustentáculo de muitos desses programas, apoiado por pesquisas anteriores, é que os casais vão resistir melhor à fricção da convivência se dominarem certas habilidades de relacionamento. “Quando começamos este estudo, a sabedoria predominante era de que a melhor maneira de manter relacionamentos saudáveis ​​e fortes era ajudar casais a lidar com conversas difíceis e potencialmente divisoras”, explica Bradbury.

Para testar esta teoria, a equipe distribuiu recém-casados aleatoriamente em três grupos: gestão de conflitos, compaixão e formação da aceitação e conscientização do relacionamento através do cinema. Eles escolheram se concentrar nos três primeiros anos de casamento, porque “a dissolução da relação é direta”, como explica Bradbury. Um em cada quatro termina em divórcio.

O grupo da gestão de conflitos aprendeu uma técnica, às vezes chamada de escuta ativa ou técnica de falante-ouvinte, para discutir questões intensas. Ela ajuda as pessoas a se concentrar no que o seu parceiro está dizendo ao invés de se apressar para responder. Estudos anteriores sobre esta prática mostraram que ela era eficaz na promoção de relações mais felizes e mais satisfatórias ao longo de três a cinco anos.

Já o grupo da compaixão e formação da aceitação participou de uma intervenção projetada por Rogge e seus colaboradores que visa ajudar os casais a trabalhar em equipe e encontrar um terreno comum em torno de suas semelhanças. Casais foram incentivados por meio de uma série de palestras e exercícios a se aproximar de suas relações com mais compaixão e empatia, fazendo coisas como ouvir como um amigo, praticar atos aleatórios de bondade e carinho e usar a linguagem de aceitação.

Em contraste, o grupo de filme e conversa assistiu a uma palestra de 10 minutos sobre a importância da consciência do relacionamento e como assistir filmes em casal poderia ajudar os cônjuges a prestar atenção ao seu próprio comportamento. Em seguida, assistiram “Um Caminho Para Dois”, de 1967, uma comédia romântica sobre as alegrias e tensões do amor jovem, infidelidade e pressões profissionais ao longo de 12 anos de um casamento.

Depois disso, cada casal se reuniu separadamente para discutir uma lista de 12 perguntas sobre as interações vistas na telona. Uma pergunta, por exemplo, era sobre como os parceiros do filme lidavam com discussões: “Eles eram capazes de se abrir e dizer uns aos outros como realmente se sentiam ou tendiam apenas a atacar um ao outro com raiva?”. Os casais ainda foram convidados a considerar de que maneira a relação do filme era semelhante ou diferente de seu próprio relacionamento em cada uma das áreas.

Os participantes deste grupo, então, foram mandados para casa com uma lista de 47 filmes com relações íntimas como um dos principais focos da trama, dos quais deveriam assistir um por semana até o próximo mês, seguindo a mesma discussão guiada por cerca de 45 minutos.

Para a surpresa dos pesquisadores, todas as abordagens foram igualmente efetivas, reduzindo a taxa de divórcio e de separação pela metade em comparação ao grupo de controle. Ussi significa que os casais podem investir muito menos dinheiro e tempo nestas sessões de cinema em casa ao invés de recorrer a programas mais intensivos. Os resultados sugerem que muitos casais já possuem habilidades de relacionamento, eles só precisam de lembretes para colocá-las em prática, concluem os autores.

Fórmula mágica

Já que as pessoas assistem filmes o tempo todo, o que exatamente faz com que esta intervenção seja tão efetiva? “Eu acho que é o fato de que os casais estão reinvestindo no seu relacionamento e tendo um olhar duro e frio sobre seu próprio comportamento que faz a diferença”, pontua Rogge. “A triste verdade é que quando a vida te decepciona, você chega em casa e as pessoas que são mais propensas a serem atacadas pela sua frustração são os que você mais ama. Para estes casais, parar e pensar: ‘Eu gritei com você, te chamei de coisas ruins e isso não é legal. Não é isso o que eu quero fazer com a pessoa que eu mais amo’. Esta visão por si só é provável que seja o que faz essa intervenção funcionar”.

Para as pessoas que se sentem desconfortáveis ​​com oficinas de relacionamento e intervenções em grupo, a abordagem de filme e conversa pode ser uma alternativa. “Assistir a um filme juntos e ter uma discussão não é tão assustador. Tem menos patologização, é menos estigmatizante”, garante o líder do estudo.

Uma vez que alguns dos recém-casados ​​no estudo foram acompanhados por até sete anos, ele também especula que o método de filme seria útil para casamentos de longa duração. “Ter um tempo para sentar e dar um olhar objetivo sobre seu relacionamento é útil em qualquer casal em qualquer fase”, garante. Uma sugestão é que os casais façam o exercício anualmente, por exemplo, no dia de seu aniversário de casamento, tornando a prática uma tradição. [Science Daily, The Times of India, University Herald]

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1 comentário

  • Marcella Vicente Ferreira da Rosa:

    Estou curiosa para conhecer esta lista de filmes, senão os 47, pelo menos alguns. Se tiverem esta informação.

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