Uma girafa beija seu tratador à beira da morte

Por , em 25.03.2014

Todo mundo já deve ter visto e/ou compartilhado a imagem da girafa beijando seu tratador à beira da morte, em um zoológico holandês. Mas será que a girafa estava dando um beijo de adeus?

A resposta mais simples é “provavelmente não”. Apesar de Mario Eijs, 54, ter trabalhado por 25 anos como tratador e faxineiro nas jaulas dos animais, não há como garantir que as girafas tenham demonstrado um ato de simpatia pelo paciente terminal de câncer.

As girafas talvez entendessem alguma coisa sobre a saúde do tratador, mas não há como saber; não se trata de um experimento controlado e, embora existam evidências de que as girafas são capazes de reconhecer a morte em sua própria espécie, ainda não sabemos se elas são capazes de reconhecer a morte em outras espécies.

Sobre o reconhecimento de um humano específico, é possível que o tratador tenha sido reconhecido pelas girafas, afinal de contas, ele fazia a limpeza rotineira na jaula das mesmas, apesar de ter sido contratado para limpar o aquário do zoo. Se ele visitava as girafas com bastante frequência, e é possível que elas o tenham reconhecido.

Mas é preciso um contato bastante extenso para que animais de uma espécie sejam capazes de reconhecer visualmente indivíduos específicos de outras espécies. E isto vale para nós também – é fácil distinguir indivíduos da nossa espécie (em geral), mas para reconhecer um indivíduo específico em um grupo de girafas (ou de outra espécie animal), é preciso treinamento.

As girafas em questão têm um extenso contato com a nossa espécie, já que estão em um zoológico, então é possível que elas tenham aprendido a reconhecer alguns indivíduos, como o tratador Mario Eijs.

Se as girafas não são tão boas em reconhecer alguém específico, ou os sinais da morte em outras espécies, como explicar seu comportamento?

Uma explicação simples seria a de que as girafas simplesmente ficaram curiosas com o novo objeto, uma maca, colocada em sua jaula, junto com uma pessoa. Elas não têm experiências com macas hospitalares, e não sabem seu significado, então poderiam estar simplesmente “explorando” a novidade.

Mario Eijs, que por causa de um tumor não pode andar ou falar, foi levado de maca para o zoológico pela fundação holandesa Ambulance Wish, que conta com 200 voluntários trabalhando para atender o último desejo de pacientes terminais, e que também foi responsável pela publicação da foto de Mario ganhando “uma lambida e várias fungadas”, conforme contou Olaf Exoo, um dos empregados da Fundação.

Uma das ilusões que nós, humanos, temos, é de que os animais que amamos nos amam com a mesma intensidade, mas não é bem assim. De fato, isto vale até mesmo para cachorros, ou outras pessoas, como qualquer pessoa com o coração partido ou em um relacionamento platônico pode confirmar.

De tudo que sabemos, o relacionamento cão-homem é muito complexo e rico, mais do que talvez imaginemos, e o mesmo vale provavelmente para o relacionamento girafa-homem. O desejo daquele moribundo de dar adeus a seus animais prediletos é algo bonito, mas nem sequer precisamos apelar para antropomorfismos fantásticos para encontrar beleza e maravilha na natureza. [Ambulance Wish, USA Today, Gawker, io9]

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5 comentários

  • christiano moneró:

    A questão não é se foi ou não “vontade” da Girafa.

    A questão é que foi feita a vontade dele de estar entre elas no momento final. Uma delas ter ido lá mesmo que relutante e estranhando aquelas pessoas e O Tratador na cama. Ela deve ter reconhecido ele de alguma forma

    Por curiosidade dela ou não pouco importa

    Só Deus sabe…..e também o que ficou guardado na memória dele ao receber esse carinho

    Isso é o mais importante

    Que ele esteja em paz e com essa visào eternamente com seus…

  • Danilo Damous:

    ótimo video e não só pelo história mas também por pink floyd… pink floyd é bom em tudo.

  • Junior Castro:

    Como aqui é um blog baseado em fatos, provas científicas e sem aqueles defensores do criacionismo ou de pessoas que acreditam em tudo que lhes é dito eu posso expor minha opinião.
    Animais não tem sentimentos, eles agem por extinto. É um fato que se você colocar uma arma na cabeça de um cão e ele não for treinado para identifica-la como um objeto que oferece risco, nada irá acontecer.
    Agora se você der um tiro ele vai correr/latir porque seu corpo está programado pra isso, é uma reação…

    • Marcelo Ribeiro:

      Será que nossos sentimentos não seriam uma forma mais complexa de instinto?

    • Cesar Grossmann:

      Extinto ou instinto? De qualquer forma, se com isto você quer dizer “uma reação programada”, será que o que chamamos de “sentimento” não é também apenas uma reação programada “exaltada”? Somos atraídos por nossos filhos por que esta reação está programada nos nossos genes, por exemplo (pais que não sentiam esta atração teriam mais filhos mortos por falta de cuidado e seus genes de pais desapegados acabaram diminuindo na população). Será que não?

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