Veja uma supernova logo antes de explodir

Por , em 20.03.2014

Uma supernova é como uma mulher: bonita de ver, porém difícil de entender. Enquanto alguns trabalham para desvendar os mistérios escondidos nos cérebros das mulheres, outros, como W. David Arnett, não medem esforços para descobrir cada vez mais sobre as incríveis explosões estrelares.

E o resultado de todo o esforço do professor de astrofísica da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, foi o primeiro modelo 3D de uma supernova entrando na fase inicial que precede o grande momento da explosão. Essa simulação, feita em computador, tem um grande potencial para mudar radicalmente nossas noções sobre o que acontece nessas estrelas instantes antes delas explodirem.

No modelo – mostrado na imagem acima – podemos ver uma mistura turbulenta de elementos no interior do corpo massivo da estrela, que provoca uma expansão em sua estrutura, seguida de uma contração violenta pouco antes da detonação acontecer.

As linhas brancas que também podemos ver na imagem simulada representam o limite exterior de uma camada de oxigênio. As manchas amarelas são cinzas de enxofre que estão sendo empurradas para fora no núcleo – o que está em laranja.

Os modelos anteriores, todos em 2D, mostravam as estrelas como uma série de círculos concêntricos, com elementos mais pesados como ferro e silício no centro, e elementos mais leves como hélio, carbono e oxigênio na superfície. Estes modelos sugerem que as estrelas iriam ficar comprimidas, aumentando a pressão e a temperatura a ponto de criar neutrinos. Mas, conforme os neutrinos se dissipam, o mesmo acontece com a energia da estrela – o que faz com que ela esfrie e fique ainda mais contraída.

De acordo com o novo modelo, a dinâmica é um pouco diferente: o interior na estrela é quase caótico e ejeta os restos da estrela antes da explosão final.

Segundo Arnett, criador do modelo, “nós ainda temos círculos concêntricos, com elementos mais pesados no meio e elementos mais leves em cima. Mas é como se alguém tivesse colocado uma pá lá no meio da estrela e misturado tudo”. A medida que a estrela se aproxima da explosão, começam alguns fluxos que misturam os materiais, fazendo com que a estrela se solte e ejete parte deles até que a explosão de fato aconteça.

Isso explica a estranha composição de remanescentes de supernova – aquele anel de elementos leves e pesados ​​que formam nebulosas em torno de estrelas que se tornaram supernovas. De acordo com o professor Arnett, o que vemos em remanescentes são essas ejeções de matéria de uma estrela, e como elas se misturam com o material expelido da estrela durante sua explosão final.

“Outros modelos não podem explicar isso”, conclui Arnett.

Com a ajuda do telescópio NUSTAR, a NASA reuniu dados de uma supernova real para fazer uma simulação, que você pode admirar no vídeo abaixo. Ou também pode ler mais sobre esse estudo aqui. [io9]

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1 comentário

  • Andre Luis:

    Quando ocorrer a Supernova da Betelgeuse, provavelmente o ser humano poderá estudar muito melhor e compreender de fato este fenômeno.

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