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De qual filme de terror saiu este alienígena? Cientistas estudam verme gigante pela primeira vez

Por , em 25.04.2017

Por mais que a biodiversidade da Terra diminua rapidamente em função das ações do ser humano, a mãe natureza ainda tem uma ou duas surpresas na manga. Uma equipe internacional de pesquisadores acaba de se tornar a primeira a investigar uma espécie nunca antes estudada – um bizarro animal muito parecido com um verme gigante, que vive na lama e se “alimenta” de uma forma de enxofre.

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A existência desta criatura com jeito de alienígena é conhecida por séculos. As conchas de um a um metro e meio que contêm o animal foram documentadas primeiramente no século 18. “As conchas são bastante comuns”, comenta o pesquisador principal Daniel Distel, Ph.D., professor de pesquisa e diretor do Ocean Genome Legacy Center da Northeastern University, nos EUA. “Mas nunca tivemos acesso ao animal que vive dentro delas”.

O habitat preferido do animal não era claro, mas a equipe de pesquisa se beneficiou de um pouco de sorte, quando um de seus colaboradores compartilhou um documentário que foi ao ar na televisão filipina. O vídeo mostrava as bizarras criaturas plantadas, como cenouras, na lama de uma lagoa rasa. Seguindo esta pista, os cientistas montaram uma expedição e encontraram espécimes vivos da Kuphus polythalamia.

Com uma amostra finalmente em mãos, a equipe de pesquisa se amontoou em torno de Distel enquanto o pesquisador lavava com cuidado a lama pegajosa no exterior da concha gigante e tirava a tampa externa, revelando a criatura que vivia dentro dela.

“Fiquei impressionado quando vi pela primeira vez a enorme imensidão desse bizarro animal”, diz Marvin Altamia, pesquisador do Instituto de Ciências Marinhas da Universidade das Filipinas. “Estar presente para o primeiro encontro de um animal como este é o mais próximo que vou chegar de ser uma naturalista do século 19”, diz a autora do estudo, Margo Haygood, professora de pesquisa em química medicinal na Universidade de Utah, nos EUA.

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Como o animal nunca havia sido estudado rigorosamente, pouco se sabia sobre sua história de vida, habitat ou biologia. “Nós suspeitávamos que este verme gigante fosse radicalmente diferente de outros vermes que comem madeira”, diz Haygood. Encontrar o animal confirmou isso. Altamia continua: “Francamente, eu estava nervoso, se cometêssemos um erro, poderíamos perder a oportunidade de descobrir os segredos deste espécime muito raro”.O vídeo abaixo mostra o momento em que o bizarro animal é tirado de sua concha.

Refeição diferente

A resposta pode estar no habitat remoto em que o animal foi encontrado, uma lagoa carregada de madeira podre.

Os animais desta espécie normalmente se enterram profundamente na madeira das árvores, mastigando e digerindo a madeira com a ajuda das bactérias. Ao contrário de seus primos vermes, o Kuphus vive na lama. Ele também conta com as bactérias para obter nutrição, mas de uma maneira diferente.

O Kuphus vive em um lugar muito fedido. A lama orgânica rica em torno de seu habitat emite sulfeto de hidrogênio, um gás derivado de enxofre, que tem um odor de ovo podre distinto. Este ambiente pode ser nocivo para você e para mim, mas é uma festa para o verme gigante.

E, no entanto, os próprios Kuphus não comem, ou se o fazem, comem muito pouco. Em vez disso, eles dependem de bactérias benéficas que vivem em suas brânquias que fazem comida para eles. Como minúsculos chefs, essas bactérias usam o sulfeto de hidrogênio como energia para produzir carbono orgânico que alimenta o animal. Este processo é semelhante ao modo como as plantas verdes utilizam a energia solar para converter dióxido de carbono no ar em compostos de carbono simples durante a fotossíntese. Como resultado, muitos dos órgãos digestivos internos do Kuphus diminuíram devido à falta de uso.

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O estilo de vida deste verme gigante que parece saído dos mais tenebrosos filmes de terror dá apoio a uma hipótese proposta por Distel quase duas décadas atrás. A aquisição de um tipo diferente de bactérias benéficas poderia explicar como aconteceu a transição dos vermes de um organismo comedor de madeira a um que use um gás nocivo na lama para sobreviver.

A equipe de pesquisa continuará a examinar o papel que a madeira desempenha na transição única entre o verme normal e o gigante. “Também estamos interessados ​​em ver se transições semelhantes podem ser encontradas em outros animais que vivem em habitats únicos em todo o mundo”, disse Distel. [phys.org]

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