A “pedra do sol” que vikings usavam para navegar pode ser realmente precisa

Por , em 5.04.2018

Pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, na Hungria, fizeram simulações de computador que sugerem que os vikings realmente usaram uma “pedra do sol” precisa para navegar em tempo nublado.

A história

De 900 a 1200 dC, os vikings governaram o Atlântico Norte. Esse povo tinha grandes habilidades de navegação e era excelente em construir barcos fortes, o que permitiu que viajassem para várias regiões e conquistassem vastos territórios.

Pesquisas anteriores sugeriram que os vikings usavam um tipo de relógio de sol para navegar, que aparentemente era bastante preciso. Mas o que eles faziam quando estava nublado?

Contos vikings transmitidos através das gerações afirmavam que os navegadores utilizavam “pedras do sol”, o que lhes permitia encontrar luz solar mesmo em dias cerrados.

Até agora, a história não conseguiu provar esses contos, no entanto. Nenhuma pedra do sol foi encontrada em um navio viking naufragado ou perto dele. Um cristal foi encontrado em um naufrágio inglês do século XVI, e os marinheiros ingleses poderiam ter aprendido a usá-lo com os vikings, mas são necessárias evidências muito mais fortes para confirmar essa hipótese.

Hipótese

Os cientistas acreditam que tal “pedra do sol” seja algum tipo de cristal. Cristais como os formados a partir de calcita, cordierita e turmalina podem dividir a luz solar em dois feixes mesmo quando está nublado.

Isso significa que, quando o cristal é girado, dividindo os dois feixes com o mesmo brilho, um navegador pode ver os anéis polarizados ao redor do sol, efetivamente mostrando sua localização no céu.

Os pesquisadores do novo estudo, Dénes Száz e Gábor Horváth, observaram que até agora ninguém testou o uso de tais cristais para navegar da Noruega à Islândia, Groenlândia ou mesmo à América do Norte, provavelmente porque uma ou duas excursões não seriam suficientes para provar sua utilidade, especialmente se não nublar com frequência durante uma das viagens.

Então, para testar a eficácia de tal “pedra do sol”, a dupla decidiu fazer simulações de computador de várias viagens, de um único ponto na Noruega até um único ponto na Groenlândia.

Achados

Depois de inserir dados descrevendo tais viagens, os pesquisadores realizaram as simulações várias vezes ao longo de dois dias virtuais específicos, o equinócio da primavera e o solstício de verão.

Eles fizeram diferentes testes para diferentes tipos de cristais e com diferentes intervalos entre o uso da “pedra do sol”.

Os resultados finais foram mistos, dependendo de qual tipo de cristal era usado e com que frequência um marinheiro fazia a leitura do sol.

Na melhor das hipóteses, no entanto, eles descobriram que o uso de um cristal de cordierita para fazer uma leitura do sol a cada três horas, no mínimo, era aproximadamente 92,2 a 100% preciso.

Isso sugere que os vikings de fato usaram tal objeto preciso para navegar mesmo em dias nublados.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista Royal Society Open Science. [Phys]

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