@#%$¨&* faz bem para você

Por , em 13.07.2009

Segundo cientistas, ser boca suja faz bem. Embora as notícias provavelmente não impedirão os pais de lavarem as bocas de seus filhos com sabão, soltar um palavrão de boca cheia pode ser uma coisa boa. Um estudo que aparece na edição de 5 de Agosto da revista científica Neuro Report sugere que palavras de baixo calão podem ajudar a aliviar a dor.

“Palavrões são únicos”, afirma Timothy Jay, um psicólogo da Massachusetts College of Liberal Arts em North Adams, EUA, que estudou o papel de palavras sujas na lingüística. “Eles são mesmo o elo entre o sistema lingüístico e o sistema emocional”.

A inspiração para o novo estudo surgiu quando o psicólogo Richard Stephens ouviu sua esposa soltar uma linguagem chula durante as dores do parto. Então ele e seus colegas da Universidade de Keele na Inglaterra conduziram um experimento para testar se professar palavras escolhidas com uma alta carga de emoção poderiam de fato mudar a quantidade de dor que as pessoas sentem.

Estudantes universitários (38 homens e 29 mulheres) mergulharam uma mão em água gelada (cerca de 5º Celsius) pelo tempo que conseguiram suportar, enquanto repetiam um palavrão ou uma expressão inofensiva.

Antes do estudo, foi pedido que os participantes escrevessem cinco palavras que eles poderiam dizer depois de acertar o polegar com um martelo – para controlar a variedade de imundície limiar. Uma dessas escolhas servia como um palavrão, e palavras de controle foram cinco palavras que os participantes usariam para descrever uma mesa. “Uma palavra que alguém pode achar chocante e ultrajante é uma palavra que outra pessoa pode usar todos os dias”, diz Stephens.

Quando as pessoas tinham como mantra uma palavra (escolhas populares: aquelas que começam com as letras M, F, C e P), elas eram capazes de manter a mão na água gelada por mais tempo. E mais, depois de terminado, as pessoas que xingaram mais diziam ter sentido menos dor.

Stephens e seus colegas notaram algumas diferenças interessantes entre homens e mulheres. Embora xingar ajudasse ambos os sexos a manter suas mãos na água fria por mais tempo, as mulheres mencionaram uma grande diminuição na dor percebida depois do experimento.

Xingar acelerou os batimentos cardíacos em homens e mulheres, mas teve um maior efeito no sexo feminino. Pesquisadores afirmaram o acréscimo nos batimentos pode sinalizar o começo de uma resposta do tipo “lutar ou fugir”. Segundo eles, tal resposta pode permitir que o corpo tolere ou ignore a dor.

Vários outros estudos sobre variados tipos de dor e diferentes medidas de efeitos são necessários antes que os pesquisadores possam entender completamente o impacto do ato de xingar, explica Stephens.

Jay afirma que o estudo passa por cima da questão se xingar deveria ser reprovado em uma sociedade educada e, em vez disso, aborda uma questão científica. “Quando você tentar descrever o xingamento em termos morais – se é bom ou ruim – isso o impede de chegar às ligações evolucionais mais profundas”, ele diz. “De onde isso veio? Por que nós o fazemos?”, conclui o psicólogo. [Science News]

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3 comentários

  • Caroline:

    Eu sempre soube que ME fazia bem falar palavrões em situações estressantes ou de dor. Não só porque são a primeira coisa que me vem à mente, mas também porque me acalmo mais rapidamente depois de repeti-los mentalmente ou verbalmente. Aliás, uma psicóloga minha quando eu era pequena me disse que palavrões faziam bem, e mesmo naquela época eu já via isso de uma forma muito clara. Haha.

    Uma coisa interessante que senti ao ler o artigo é que é impossível você lê-lo e não pensar na questão onde palavrões podem ou não serem aceitos socialmente sem muitas restrições. Palavrões na minha concepção já são coisas tão infiltratas de modo “ruim” na nossa mente – desde pequenos ouvindo que são coisas feias – que duvido algum dia serem aceitos socialmente sem preconceitos, quem dirá como algo que faz bem. Isso tudo porque o falso moralismo quer que as coisas sejam “bonitas”, pelo menos quando você está em público. Não que eu não reconheça que eu mesma evito de falar com pessoas desconhecida por não achar lá muito educado ou então que já faço algum julgamento de uma pessoa desconhecida por ela falar palavrões, mas ao menos para mim os palavrões são um detalhe muito pequeno no que diz respeito ao nosso julgamento sobre uma pessoa. Também não concordo com 9 palavrões a cada 10 palavras, tudo tem seu momento… Mas pra mim é muita frescura quem ouve um palavrão e se afeta de maneira negativa com isso. :]

    Enfim, ótimo artigo! Também preciso mostrá-lo para minha mãe. Hahaha.

  • Alan:

    PQP!!!!!
    Já mandei minha mãe ler isto! hehehe
    Pior que é sempre assim… Assim que nos machucamos, a primeira coisa que aparece… @#$%¨&*!!!!!!
    Boa!

  • Ricardo Lopes (Por):

    Bom dia,
    Creio que neste caso o recurso a palavrões depende da pessoa. Imaginemos alguém que coloque a mão em água muito fria (igual ao teste) e se manisfesta PROFUNDAMENTE sem usar palavrões, sendo que esta pessoa considera os palavrões como um tabu chocante… Será que o efeito causado na dor seria igual àqueles que usaram xingamentos no teste?

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