5 mitos sobre o Titanic

Publicado em 9.04.2012

Trágica história, da qual todos sabemos o final: o Titanic afundou e levou consigo mais de 1.500 pessoas. Imortalizado pelo cineasta norte-americano James Cameron, o navio naufragou no dia 14 de abril de 1912 e, desde então, muitos mitos sobre sua história têm sido alimentados.

Quanto o filme de Cameron – que teve como estrelas principais Leonardo DiCaprio e Kate Winslet – ajudou a reforçar tais mitos? Confira abaixo uma lista de 5 desses mitos criados pela produção hollywoodiana:

1 – O navio que não afunda

No filme de James Cameron, a mãe da heroína observa o navio da doca de Southampton e comenta: “Então, este é o navio que dizem que não afunda”. Esse talvez seja o maior mito que cerca a história de Titanic, conforme conta o cientista Richard Howells, do Kings College, de Londres, na Inglaterra.

“Isso não é verdade. Nem todos pensavam dessa maneira. Claro, isso faz a história ficar mais interessante, pois é o retrospecto de um mito. Se um homem cheio de orgulho constrói um navio imbatível, como Prometeu, que roubou o fogo dos deuses, isso carrega um senso mítico porque indica que deus estaria tão zangado por tal afronta que acabaria afundando o navio”, explica Howells.

Ao contrário da crença popular, a White Star Line – proeminente companhia de navio do Reino Unido, responsável pela construção do Titanic – nunca afirmou tal coisa e as pessoas não comentavam sobre isso até o incidente, de acordo com o especialista inglês.

Embora o naufrágio tenha acontecido 15 anos depois do nascimento do cinema, havia poucas filmagens do navio. Esse foi um dos motivos que fez o evento não ganhar as primeiras páginas no mundo todo.

O navio Olympic roubou toda a publicidade no cruzeiro que fez de Southampton até Nova York em 1911. O capitão era o mesmo do Titanic, viajou na mesma rota e tinha equipamentos de segurança iguais, inclusive em quantidade.

Segundo John Graves, do Museu Marítimo Nacional de Londres, na Inglaterra, o exterior do Olympic foi propositalmente pintado de cinza claro, para que ficasse melhor nas filmagens.

Algumas dessas filmagens foram utilizadas para ilustrar a tragédia ocorrida com o Titanic, mas sem qualquer sinal que indicasse que aquele não era o navio que havia afundado. Simon McCallum, curador dos arquivos no Instituto Britânico de Cinema, acredita que essa distorção acabou por fortalecer algumas teorias conspiratórias e mistérios em torno do Titanic.

“Certamente, a verdadeira história do Titanic deu lugar ao mito dentro de poucos dias depois do incidente”, concorda Howells, do Kings College.

2 – A última música da banda

Uma das imagens mais marcantes de todos os filmes já feitos sobre o Titanic é o momento em que o grupo de músicos toca seus instrumentos conforme o navio afunda. Diz a lenda que os músicos permaneceram no deck, tocando a canção “Mais perto de ti, meu Deus” (“Nearer, My God, To Thee”), em uma tentativa de acalmar os passageiros que não sobreviveram e que foram para sempre relembrados como heróis.

Simon McCallum diz que testemunhas oculares realmente confirmaram que a banda tocou no deck, mas discordaram de que música se tratava. “Nunca saberemos que canção os sete músicos tocaram, mas dizer que foi a música ‘Mais perto de ti, meu Deus’ funciona com uma licença poética, já que é um hino que romantiza ainda mais o filme”, pontua McCallum.

Paul Louden-Brown, da Sociedade Histórica do Titanic, trabalhou como consultor para o filme de James Cameron e confidenciou que a cena dos músicos no filme “Uma noite para se lembrar”, de 1958, foi tão bem montada que Cameron decidiu copiá-la. “Ele me disse: ‘Eu roubei isso inteiramente e coloquei no meu filme, simplesmente porque amei. Era uma parte muito forte da história’”.

3 – A morte do capitão Smith

Pouco se sabe sobre as horas finais do capitão Smith. Embora seja lembrado como herói, ele aparentemente falhou por não reduzir a velocidade do navio quando estava claro que haveria gelo em sua rota e por dar pouca atenção aos alertas contra gelo e icebergs.

“Ele sabia quantos passageiros e quanto espaço havia nos barcos salva-vidas. Mesmo assim ele permitiu que os barcos partissem apenas parcialmente cheios”, ressalta Louden-Brown, que não aceita os retratos utópicos do capitão.

Nas condições calmas daquela noite fatídica, o primeiro barco a deixar o Titanic tinha espaço para 65 pessoas, mas levava apenas 27. Muitos dos outros barcos também partiram com menos da metade da capacidade de passageiros.

E Louden-Brown completa: “A história o tem como um herói. Estátuas foram erigidas em sua memória. Fizeram cartões postais e criaram histórias. Porém, o capitão Smith é o verdadeiro responsável por todas as falhas na estrutura de comando à bordo”.

John Graves, do Museu Marítimo Nacional de Londres, na Inglaterra, concorda com essa visão. Segundo ele, Smith parece ter tomado chá de sumiço na noite do naufrágio.

4 – O corrupto homem de negócios

As histórias em torno de Joseph Bruce Ismay, o presidente da companhia que construiu o Titanic, White Star Line, são muitas, mas todas cruzam em um ponto crucial: sua covardia em escapar do navio, pulando no primeiro barco disponível e deixando mulheres e crianças para se virarem sozinhas – fato confirmado por muitos sobreviventes.

“Cada um dos filmes feitos sobre o Titanic descobriu que a vingança é deliciosa demais para não ser incorporada na história”, destaca Paul Louden-Brown. “Se formos para a origem disso, temos de nos lembrar de William Randolph Hearst, o grande magnata da imprensa nos Estados Unidos. Ele e Ismay brigaram pelo fato de Ismay não cooperar com a imprensa [fornecendo informações] em um acidente com um navio da companhia”.

Ismay foi universalmente condenado nos EUA, onde Hearst publicou a lista dos falecidos e, na coluna dos sobreviventes, colocou um único nome: Joseph Bruce Ismay.

Contudo, apesar dessas histórias e intrigas, Lord Mersey, que liderou o inquérito britânico em 1912, concluiu que Ismay ajudou muitos passageiros antes de achar um lugar para si. “Se ele não tivesse se salvado, salvaria apenas mais uma vida”, pontuou Mersey.

Em 1943, um filme alemão sobre o Titanic, produzido pelo ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels (1897-1945), mostrou Ismay como um empresário judeu louco e poderoso, que intimida o bravo capitão de características arianas, para que ele aumente a velocidade do navio, embora isso seja imprudente. O “Uma noite para lembrar”, apontado como o mais fiel filme produzido até hoje, também não deixa barato e retrata Ismay como um vilão.

Louden-Brown acredita que isso é injusto e levantou o assunto com James Cameron, enquanto trabalhava como consultor. No filme de Cameron, Ismay apenas usa sua posição para influenciar o capitão a ir mais rápido, para que chegassem mais cedo em Nova York, a fim de atrair atenção dos jornalistas. E Louden-Brown conta que Cameron respondeu: “É isso que o público espera ver”.

Ismay nunca se recuperou da vergonha do que fez e se aposentou da companhia em 1913, como um homem falido. Frances Wilson, autor do livro “Como sobreviver ao Titanic: o naufrágio de J. Bruce Ismay”, desmistifica a covardia de Ismay e o defende. “Ele foi um homem comum pego por circunstâncias extraordinárias”, disse certa vez.

5 – Passageiros na proa

Outra cena emocionante do Titanic de Cameron é a retratação dos passageiros de terceira classe. Segundo o filme, eles são forçados a ficar longe do deck e impedidos de alcançar os barcos salva-vidas. Richard Howells, do Kings College de Londres, afirma que não existe evidência para confirmar tais histórias.

Existiam portões, de fato, mas era uma exigência da imigração norte-americana, para evitar o alastramento de doenças infecciosas. Entre os passageiros da terceira classe estavam armênios, chineses, holandeses, italianos, russos e sírios, como também pessoas provenientes das ilhas britânicas. Todos buscavam uma nova vida.

De acordo com o relatório do inquérito britânico, as alegações de que tais passageiros foram presos e impedidos de chegar ao deck são falsas. Mas evidências apontam que, inicialmente, os portões estavam fechados na noite do incidente e que só depois da maioria dos barcos salva-vidas terem partido é que os portões foram abertos.

Quando se analisam os números, percebe-se que as classes fazem mesmo diferença nessas horas de desespero. Menos de um terço dos passageiros de terceira classe sobreviveram, mesmo que uma grande quantidade de crianças e mulheres de todas as classes tenha sobrevivido. [BBC]

Autor: Luan Galani

é jornalista. Entusiasta da Teoria-M, é um rato de biblioteca apaixonado pelo que a ciência pode nos proporcionar. Nas horas vagas, é um amante inveterado de música erudita, que pede perdão aos russos por ainda considerar Mozart a grande lenda.

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27 Comentários

    • Esse é só mais um mito.

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  1. Outro grande mito, ignorado por este post e amplificado por Cameron e cia, é q o Titanic foi o maior desastre marítimo da história. Na verdade o maior foi no final da 2° guerra, onde um submarino soviético afundou um navio alemão de refugiados, com mais que o triplo de mortos do Titanic. Mas hollywood não permitiria uma revisão histórica nessas proporções.

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  2. Talvez a verdade nao seja importante. o importante sao os lucros e mais dinheiro para eles, seja em hollywood ou em qualquer parte do Mundo ou seja…

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  3. aquela primeira foto é do antigo álbum surpresa se nao me falha a memoria era sa serie ” viagem surpresa ao do fundo do mar” bons tempos de criança

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  4. Rico e pobre é bem diferenciado até na hora de morrer, os riquinhos partiram em botes salva vidas vazios p\ ñ terem o desprazer da companhia dos pobres, tbm, pobre ao morrer ñ faz tanta falta assim, tanto faz morrer ou viver, ñ servimos p\ nada mesmo, já o rico quando morre deixa heranças e um monte de interesseiros brigando pela fortuna deles.

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  5. Uma coisa que não dá pra não notar é a lotação dos botes salva-vidas, contendo menos gente que a capacidade real dos botes. Nem na hora do desespero, do tudo ou nada, da sobrevivência pela vida, onde o bom senso e a solidariedade deveriam ser reinantes, quiseram misturar os ricos com os pobres. Como diria o Sr. Omar: Trágico!

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    • Creio que é exatamente nessa hora do “tudo ou nada” que a lei onde o “mais forte sobrevive” prevalece e não o contrário, como você disse.

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    • Porém, Someone, parece-me que no Titanic não foi a lei do ‘mais forte sobrevive’ que prevaleceu; e sim, a dos ‘mais ricos sobrevivem’.

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    • E o que significa o mais rico lá? O mais forte !

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  6. pq será que ninguem recuperou os destroços dele assim ficava mais facil estudar..

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    • talvez porque era um navio imenso!

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  7. Meu caro e cético José;

    É evidente que você é um indíviduo de imaginaçào limitada e conhecimento menor ainda,além do que, carente das qualidades que foramm programadas em todo ser humano e que carregamos no nosso DNA , tais como heroísmo,compaixão,amor,etc…porque seria dificil aos músicos tocarem seus instrumentos nos momentos do Titanic?Claro que,naturalmente,você não faria e sabemos porque,,,mas um exemplo mais recente:os bombeiros que adentraram ao WTC em chamas em setembro de 2011…ou os mineiros chilenos que ficarma 33 dias na mina…bom…deixa prá lá…os covardes não tem nenhuma imaginaçào.

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    • José não é tão cético nem tão caro assim. Talvez não tenha ainda caído a ficha pra você. Procure entender ou considere piada.

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  8. Os construtores da arca de Noé eram amadores e sem experiência, pois nunca haviam construído barcos, já os construtores do Titanic eram profissionais experientes, mas…

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    • por que perder tempo com situações passadas se as presentes é que requerem vigilancia. olhem o caso italiano…

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    • Arca de Nóe?
      kkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Querer comparar um navio real (Titanic) com uma lenda feita pra enganar bobo é dose!

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  9. Achei os mitos bem semelhantes aao fato real. As licenças poéticas nem fugiram tanto da realidade e as ênfases foram bem construidas sobre a verdade. Nota 10 para o Cameron.

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    • Você entende mesmo de filme, hein?

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  10. E qual era o destino dom titanic, se bem que nao houve destino ou seria qual cidade eles iriam visita-los

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  11. O texto de certa forma confirmou tudo que o filme colocou!!
    Os músicos, a cobardia,os portões fechado p/ terceira classe não subir até que os botes cheios…

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  12. Hollywood mostra o que o povo quer ver e fala o que o povo quer ouvir. O importante para eles é lucrar bastante dinheiro e não só contar uma história trágica.

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    • E você acha que Hollywood é um braço do History Channel?
      Caraca, a objetivo deles é o ENTRETERIMENTO (e o lucro, é claro), não de ensinar a população mundial, para isso temos as escolas, livros e documentários.
      Tem gente que é azeda por natureza.

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