6 previsões bizarras que a ciência pode fazer sobre seu filho

Publicado em 30.06.2012

Quem já visitou um berçário dificilmente pensou “uau, estou olhando para um monte de assassinos, viciados e fracassados em potencial”. Embora não seja possível prever o futuro de uma criança com 100% de acerto, ou adivinhar que seu sobrinho de 5 anos vai para a prisão em 2032, a ciência mostra que alguns problemas da vida adulta dão sinais desde cedo. Bem cedo…

1 – Se uma criança de 4 anos é paciente, terá sucesso quando adulto

Na década de 1960, um psicólogo da Universidade de Stanford (EUA) resolveu testar (literalmente) a paciência de 653 crianças de 4 a 6 anos.

A tortura… ou, melhor, o experimento funcionava assim: as crianças eram colocadas em frente a um prato com um doce e podiam escolher entre comê-lo imediatamente ou ganhar mais um depois. Tudo o que precisavam fazer era aguardar por 15 minutos até que o pesquisador voltasse – elas não eram informadas sobre o tempo de espera.

Apenas 30% das crianças conseguiram se controlar. Muitos anos depois, um novo estudo realizado com as mesmas pessoas mostrou que as crianças impacientes se tornaram, em geral, adultos mais estressados e com dificuldade em manter amizades. Além disso, aqueles 30% do primeiro estudo se saíam melhor em testes para entrar na faculdade e eram descritos por seus pais como “mais competentes”.

Ao 30 anos, as “crianças pacientes” tinham uma vida mais feliz e bem-sucedida, enquanto os outros 70% tinham uma tendência maior a engordar e se viciar em drogas. Ao analisar as atividades cerebrais dos participantes, os pesquisadores descobriram que os mais pacientes apresentavam maior atividade no córtex pré-frontal, relacionado a comportamento social a planejamento.

2 – Bebês alimentados quando querem serão mais espertos

Antes de fazer seu filho passar fome para aprender a esperar e se tornar um adulto de sucesso, leia isto: estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Social e Econômica dos EUA mostrou que bebês alimentados quando quiserem terão QI maior.

“Hora da papinha”? Que nada! Ao analisar 10.419 crianças, os pesquisadores descobriram que bebês alimentados apenas em horários específicos tiveram desempenho pior em testes de inteligência. E isso tudo levando em conta situações sociais desfavorecidas e mães que não conseguiam alimentar seus filhos como deveriam. Aliás, crianças pobres tiveram o mesmo bom desempenho que crianças ricas alimentadas quando queriam.

Segundo os autores, os resultados têm relação com o desenvolvimento do cérebro do bebê, que está começando a aprender a se comunicar.

3 – Bebês que roncam provavelmente serão crianças problemáticas

“Oh, que bonitinho, ele está roncando!”. Alto lá! Estudo mostrou que um bebê que ronca tem grandes chances de se tornar um pequeno e hiperativo tirano. Os pesquisadores acompanharam 11 mil crianças do nascimento aos 7 anos. Os pais respondiam questionários em seis momentos diferentes no período, e aos 4 e 7 anos as crianças passavam por testes neurológicos.

Resultado: os pequenos roncadores demonstraram problemas de comportamento aos 4 e 7 anos – como agressividade e depressão. Os autores do estudo sugerem que essas crianças, por não respirarem direito enquanto dormiam, não tiveram um desenvolvimento cerebral tão bom (recebiam mais dióxido de carbono do que oxigênio).

Ou talvez o ronco seja um sinal de possessão por espíritos malignos. Quem sabe?

4 – Bebês pequenos vão mal na escola

Impacientes, famintos, roncadores… Qual o próximo alvo? Ah, sim: bebês pequenos. Estudo feito com 334 crianças na Inglaterra mostrou que aqueles que, ao nascer, eram menores do que o normal, se saíram pior no teste GCSE (uma espécie de “prova final” do Ensino Médio) e em testes de QI.

Não significa, porém, que aquele seu primo que nasceu com 6 kg vai ganhar o Prêmio Nobel de Física…

5 – Bebês temperamentais serão adultos viciados em jogos

Há mais ou menos quarenta anos, foi feito um estudo na Nova Zelândia com bebês de temperamentos diferentes: bem ajustados; reservados; confiantes; inibidos; e “descontrolados” (pra não dizer outra coisa…).

O último grupo era formado por 10% das crianças, que apresentavam “falta de autocontrole, rápida mudança de emoções, comportamento impulsivo e altos níveis de sentimentos negativos”.

Os pequenos pesadelos ambulantes não se tornaram criminosos, como muitos imaginariam, mas tinham mais chances de ter problemas com jogos de azar do que os outros participantes do estudo.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que crianças malas não necessariamente vão gastar todo o seu dinheiro na loteria quando adultos. A suspeita, na verdade, é de que algumas pessoas nascem mais suscetíveis ao vício.

6 – Bebês corajosos têm mais chances de se tornar criminosos

Para fechar com chave de ouro, um alerta aos pais que se orgulham de seus filhos “que não têm medo de nada”: coragem em excesso na infância pode ser sinal de problema.

Na década de 1970, um estudo avaliou 1.800 crianças de 3 anos de idade para ver como eles reagiam a um susto. Em 2009, uma psicóloga da Universidade da Pensilvânia (EUA) foi investigar o que os participantes originais estavam fazendo depois de todo esse tempo.

Ela descobriu que 137 deles tinham ficha criminal – todos estes estavam no grupo dos bebês que não demonstravam medo. Antes que você pense em mandar seu sobrinho corajoso para a prisão (por garantia, sabe como é), vale lembrar que nem todos aqueles que não demonstraram medo no estudo original se tornaram criminosos – ou, pelo menos, não foram pegos…[Cracked.com]

Agradecimentos ao leitor Diego Willrich pela dica de artigo.

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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17 Comentários

  1. Acho que não concordo com a previsão n° 4. Nasci PIG (Pequena para Idade Gestacional) e sempre fui maravilhosamente bem na escola…
    É claro que existem exceções, mas não vejo como o tamanho pode influenciar no QI, tendo em vista que, como diz o velho ditado popular: tamanho não é documento.

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  2. Esse estudo foi por pessoas stranhas q ñ tinham laços aftetivos c\ as crianças, a tendencia de estranhos é sempre achar defeitos em nossos filhos, fazer um enorme bicho de sete cabeças. Os pais sabem muito bem o q geraram, c\ carinho, amor e dedicação podemos tranformar o mundo, ninguem nasce c\ um manual q o predestina a um comportamento q desagrade a sociedade em q vive, isso tudo q está escrito é besteira, o ser humano ñ é perfeito, mas estamos lutando p\ q isso aconteça, ñ fosse assim teríamos só monstros como legados, é ñ é essa a realidade.

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  3. Olá, Sim tudo são probabilidades, mas nestes estudos todas estas seis previsões foram abordadas isoladamente em cada estudo, AGORA vamos fazer combinaçõe(6×6) e vejamos o que a probabilidade nos diz e mais a influência externa do meio.

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  4. Achei esse estudo enfático demais e de conclusões duvidosas… penso que pra tentar “prever” o comportamento de alguém no futuro (se é que isso é possível), muita coisa tem que ser analisada… pontos importantíssimos que, pelo visto, ficaram de fora da pesquisa.

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    • Flor de Lis,

      Você ficaria surpresa em saber o quanto é relativelmente fácil predizer o comportamento futuro com base em algumas variáveis.

      Sei porque eu trabalho exatamente com isso, modelos matemáticos para previsão de comportamento futuro.

      No meu caso, a intenção é prever se as pessoas pagarão suas contas ou não no futuro, baseando-se em informações sobre a pessoa e sobre o comportamento passado das mesmas…. O índice de acerto é bastante alto.

      No caso da presente matéria é o mesmo. Com base em características pessoais e comportamentais das crianças, com certeza é possível sem grandes dificuldades estimar as probabilidades de que venham a adotar determinado padrão de comportamento no futuro.

      Claro que jamais será DETERMINISTICO… não dá pra dizer com 100% de certeza, mas dá pra ter uma noção das probabilidades sim, sem problemas…

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    • Caro Marcos Eilert,

      não estou aqui duvidando dos modelos matemáticos ou coisa semelhante; o que eu quis dizer é que são inúmeros os aspectos que contribuirão para a formação de uma criança e, consequentemente, para seu comportamento no futuro. E o estudo em questão me pareceu (digamos… pobre) na análise desses fatores. Sua área de trabalho refere-se a números – como você mesmo disse; já a minha está no campo das ciências humanas e sociais. Nós procuramos analisar ao máximo todos os determinantes que geraram num adolescente, por exemplo, tal comportamento. Sei que a matemática é importantíssima, porém pela minha formação acredito que fatores não-matemáticos é que são primordiais para tal conclusão.

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    • Flor de Lis,

      Acho que você não entendeu. A matemática é usada em conjunto com o comportamento passado para prever o comportamento futuro. Não é SÓ matemática.

      O que essa matéria do HypeScience está dizendo é que com base em algumas característica, pode-se inferir como será o comportamento futuro da criança. Em nenhum momento eles afirmam que uma caracteristica DETERMINA como vai ser… eles apenas dizem que existe uma relação significativa.

      E não é nenhum absurdo dizer isso… Pelo contrário… na minha opinião é até esperado que algumas caracteristicas na infancia venham a influenciar na vida adulta… seria até estranho se isso não acontecesse.

      Não tem nada de absurdo achar que a paciencia na infancia pode levar ao sucesso no futuro. Qual o problema? porque estas caracteristicas não podem estar correlacionadas?

      Repito, estou falando de CORRELAÇÃO, de PRÉ-DISPOSIÇÃO… Não é exato, e sim indicativo.

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    • Marcos Eilert,

      não falei em nenhum momento que isso é ABSURDO; apenas penso que há outros inúmeros fatores não-matemáticos que influenciam nisso. Mas entendi sim, seu ponto de vista e sei o quanto a matemática é importante. Apenas acho (e isso é minha opinião pessoal) que o ser humano é uma ‘caixinha de surpresas’, e que pode perfeitamente contrariar previsões matemáticas. Grata por compartilhar sua visão sobre este assunto. Abraços!

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    • “Você ficaria surpresa em saber o quanto é relativelmente fácil predizer o comportamento futuro com base em algumas variáveis.”

      É Marcos, mas os “casos e casos” vão longe nessa matéria… Cada objeto de estudo pode ter comportamento e evolução diferente.

      Prever se um ser humano em idade adulta vai ou não pagar suas contas , com base em dados anteriores, está muito longe de ter a mesma complexidade de prever a evolução de um bebê humano em 18 anos de desenvolvimento, que dependerá de seus genes, pais, amigos que vai ter, escolas que vai frequentar, casualidades e infinitas coisas que nem podemos imaginar.

      O “probleminha” é que a psicologia, na prática, mostra ter lá um mau hábito de querer montar a imagem de pessoas como se fossem fast food.

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  5. A interpretação do resultado de uma pesquisa pode sempre ser questionado. Principalmente, se não for considerado que, em se considerando a questão comportamental: a herança genética, a história familiar, a concepção e gestação, e os primeiros tempos de vida, têm grande importância na construção da personalidade e do caráter.

    Mesmo assim, tanto essas variáveis, quanto as características observadas na infância, o que é o objeto dessa pesquisa, não pode ser visto como uma predeterminação, mas como uma predisposição. O que significa que, a pesquisa não diz que todos os que têm essas características, obrigatoriamente têm que desenvolvoer os traços no futuro, mas que têm maior probabilidade de que isso venha a aflorar do que outros que nâo tenham apresentado essas caractarísticas na infância.

    Nos links abaixo pode ser encontrado mais informações sobre esse tema:

    http://gilsontavares.blogspot.com.br/2010/12/construcao-do-psiquismo-parte-13.html
    -
    http://estudoeanalisedocomportamentohumano.blogspot.com.br/p/o-que-nos-faz-ser-o-que-somos.html

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  6. Penso se nas duas últimas afirmações o que poderia estar relacionado seria a falta de limites que estes pais provavelmente não deram a estas crianças? E alimentar quando quiser??? É mais que comprovado que a rotina é mais que necessária na vida de um bebê e uma criança, é claro que não precisa ser rígida, mas é extremamente necessária. Pesquisas de follow-up são complicadas. Trate seu filho como um marginal, um fracassado, xingue bastante ele, chame-o de incompetente, seja um péssimo modelo de pessoa para ele, e mesmo ele comendo toda hora, sendo paciente ou tendo nascido com quase 5kg veja o adulto que ele poderá se tornar. Estas pesquisas não levam em consideração várias variantes importantíssimas.

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  7. minha mãe falou quando eu era pequeno, não tinha medo de nada me metia em cada buraco, hoje sou frouxo kk, tudo tem suas exceções.
    - eu sou uma pessoa de bem da paz digna de caráter.

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  8. O que eles querem com isso? Prever a vida de uma pessoa com ciência? Espero que fiquemos só nos sinais básicos, como prever se eu vou ter alguma patologia específica quando for adulto, senão nos tornaremos máquinas previsíveis. Entretanto, acredito que o ser humano é complexo demais para a ciência de hoje (ou até a futura) poder prever todos as suas ações.

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