Pais, não se intrometam! Excesso de “controle” em brincadeiras pode prejudicar crianças

Por , em 6.02.2013

A criança de 3 anos, brincando com miniaturas de fazenda, tenta colocar a vaquinha no celeiro através da janela. A mãe, na melhor das intenções, ensina que é preciso usar a porta, e que vacas não entram pela janela (ou, pelo menos, não deveriam entrar). Essa “ajuda” foi boa? De acordo com estudo recente, talvez não.

Ao analisar vídeos de mães e filhos brincando quando as crianças tinham 1, 2, 3 e 5 anos de idade, pesquisadores da Universidade de Missouri (EUA) perceberam que as mães que mais “controlavam” as brincadeiras despertavam mais sentimentos negativos e menos sentimentos positivos nos filhos.

“As crianças florescem quando têm a oportunidade de fazer escolhas, particularmente na hora de brincar”, diz Jean Ispa, professora da Universidade. “Mães que são muito ‘direcionadoras’ não permitem esse tipo de escolha. Em nosso estudo, as crianças estavam brincando com alguns brinquedos, e as mais direcionadoras estavam decidindo sobre como brincar, com o que brincar e por quanto tempo brincar”.

Os sentimentos negativos, contudo, foram compensados em parte pelas demonstrações de carinho por parte das mães. “Mesmo se as mães fossem muito direcionadoras, se fossem afetuosas, os efeitos negativos diminuíam”, explica a pesquisadora. “Se as mães eram negativas ou críticas com seus filhos, os efeitos negativos aumentavam”.

Assim, ao invés de interferir demais (ou não interferir de modo algum) nas brincadeiras, os autores recomendam que pais equilibrem a “ajuda” e o afeto. “(…) se uma mãe é muito direcionadora e afetiva, acredito que a criança sinta algo como ‘minha mãe está fazendo isso porque se importa comigo, e ela está fazendo o melhor para mim’. Se não houver afeto, a criança pode sentir que a mãe está tentando lhe controlar, e não vai gostar disso”.[Medical Xpress] [Parenting: Science and Practice, foto de Todd Baker]

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2 comentários

  • jose sousa:

    Andámos enganados tanto tempo a pensar que estávamos a dar uma boa educação.

    • Roberto Junio:

      Não tenho filhos, mas fui criado em cima de uma dura repressão onde eu não podia bagunçar o lençol da cama que o pau comia. Converso direto com meus amigos sobre como fomos criados e sobre como o desleixo toma de conta da molecada de hoje em dia. Tenho sempre a mesma conclusão, quando não é 8 é 80. Observo os filhos de alguns parentes e quando os moleques não tão largados tão andando na linha pela mesma repressão que tive. Recomendo aos pais que se importem em vigiar e instruir, ao invés de cont

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