Acne: a primeira bactéria que nós transmitimos para uma planta

Publicado em 4.03.2014

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A transferência de patógenos de uma espécie para outra não é um fenômeno desconhecido da ciência – já vimos acontecer entre animais domesticados e o homem, mas, até agora, sempre foram de animal para animal, nunca entre dois reinos diferentes, como animais e plantas.

Assim, foi com surpresa que os pesquisadores constataram que as parreiras (ou videiras) carregam uma velha conhecida do ser humano, a Propionibacterium acnes, causadora da acne. A bactéria foi encontrada na casca, nas fibras do xilema e nos tecidos da medula.

A descoberta foi feita por pesquisadores do Research and Innovation Center – Fondazione Edmund Mach, na Itália, que examinaram colônias de bactérias que crescem na videira comum, Vitis vinifera, no noroeste do país.

A análise genética da bactéria, e a comparação com outras bactérias, levou os cientistas a fazer uma estimativa de quando ela migrou para as videiras: aproximadamente 7.000 anos atrás, mesma época em que a planta foi domesticada, durante o Neolítico.

De lá para cá, a bactéria se adaptou completamente a seu novo hospedeiro, e não pode mais retornar para os humanos. E uma bactéria tão incomum merece também um nome incomum – P. acnes tipo Zappae (ou P. Zappae), em homenagem ao músico ítalo-americano Frank Zappa.

Curiosamente, as plantas que contém a P. Zappae são saudáveis, o que sugere que a bactéria não tem efeito negativo sobre a mesma, talvez até mesmo beneficiando as videiras. Da mesma forma que os humanos, as plantas necessitam de um balanço na população microbiana para permanecer saudáveis.

Apesar de ser o primeiro exemplo de uma transferência de patógenos de humanos para plantas, os pesquisadores acreditam que a mesma bactéria pode viver em outras plantas, e que outros tipos de bactéria podem ter sido transferidas de humanos para plantas. [io9, LiveScience, Molecular Biology and Evolution - Oxford]

Autor: Cesar Grossmann

Formado em Engenharia Elétrica, é funcionário público, gosta de xadrez e fotografia. Apesar de se definir como "geek", não tem um smartphone, e usa uma câmera fotográfica com filme (além da digital).

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