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Aleitamento materno aumenta cérebro dos filhotes

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Por em 31.03.2011 as 22:56

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O motivo de alguns animais, como seres humanos, terem cérebros maiores do que outros há muito tem intrigado os cientistas. Agora um novo estudo dá mais suporte à ideia de que o tamanho generoso dos mamíferos é determinado pela quantidade de aleitamento materno no início de suas vidas.

Quanto mais a gravidez e amamentação duram, maior o tamanho médio do cérebro da espécie e maior a expectativa de vida do animal, dizem os pesquisadores.

“Nós estávamos interessados ​​na ligação entre a energia empenhada pela mãe para os filhotes e o desenvolvimento da prole”, explica o pesquisador do estudo, Robert Barton, da Universidade de Durham, no Reino Unido.

A equipe de Barton queria determinar se a vida mais longa dos animais com cérebros grandes era devido ao aumento da inteligência ou apenas o resultado de sua necessidade de viver mais tempo para se desenvolver adequadamente, ou ainda ambos.

“Essa relação entre tamanho do cérebro e a história de vida parece ser especificamente sobre as limitações de energia da mãe e até que ponto ela pode canalizar essa energia para sua prole”, diz Barton. Embora a correlação entre tamanho do cérebro e do investimento materno é forte, não se exclui completamente o argumento da inteligência.

O estudo analisou o período de gravidez média, duração do aleitamento materno e tamanho do cérebro de 128 espécies de mamíferos. Eles perceberam que o tamanho do cérebro no nascimento entre as diferentes espécies foi determinado pela duração da gestação, enquanto o crescimento do cérebro após o nascimento foi determinado pela duração do aleitamento materno.

Outras teorias tinham especulado que grandes cérebros aumentavam a esperança de vida devido ao crescimento da inteligência que se segue consequentemente. Em vez disso, o novo estudo mostra que a ligação se situa entre o tempo e a energia investidos por parte da mãe.

Por exemplo, a baleia assassina tem uma das mais longas gestações – de 15 meses – e amamenta os filhotes por mais 18 meses. Seu cérebro pode chegar a mais de 5 litros cúbicos, o equivalente a um mini-barril de cerveja. Esse longo período também significa mais tempo para aprender e brincar.

“A ligação tem tudo a ver com o custo de crescer um cérebro grande, e não tanto com a vantagem de tê-lo”, afirma Barton. “Os chimpanzés e outros grandes macacos têm períodos muito longos de desenvolvimento e cérebro muito grande. Parece ser uma tendência na história dos macacos e os seres humanos apenas seguiram a tendência a um grau mais elevado”.

O período extremamente longo de gravidez e amamentação em humanos (nove meses e três anos, respectivamente) é necessário para o crescimento e desenvolvimento do nosso cérebro grande, que pode chegar a 1,3 litros – o maior proporcionalmente entre os mamíferos. Por exemplo, o “fellow-deer”, uma espécie de veado de tamanho semelhante aos humanos, tem um período de gestação de sete meses e mama por até seis meses. Seu cérebro mede apenas 220 mililitros. O longo período de tempo que as mães humanas investem em amamentar seus filhos permite que seus cérebros cresçam tanto assim.

“Nós levamos muito tempo para amadurecer, o que parece estar diretamente relacionado com o desenvolvimento maior do cérebro”, nota Barton.

Esses resultados sugerem que a amamentação tem um papel importantíssimo no desenvolvimento do cérebro humanos e sustenta a recomendação da Organização Mundial de Saúde às mães para amamentarem seus filhos até pelo menos os seis meses de idade e continuar o maior tempo possível para até os dois anos.

Bruno Calzavara é estudante do 4o ano de Jornalismo na Universidade Federal do Parana, mas não vai se formar neste ano. Está fazendo intercâmbio na Universidade de Pisa, na Itália. Volta em agosto. Já trabalhou em vários campos jornalísticos e agora lida com o mundo fascinante dos textos científicos de HypeScience. É dono de um blog de viagem.

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