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A cidade engolida por lama vulcânica

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Por em 23.01.2012 as 10:53

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Existem desastres naturais mais conhecidos, mas poucos são tão horríveis quanto o fenômeno da suspensão de lama e detritos rochosos descendo uma montanha e engolindo tudo em seu caminho.

Tais fenômenos, conhecidos como lahars (palavra em javanês, uma das línguas da Indonésia), são frequentemente provocados pelos fluxos de lava ou fluxos piroclásticos de vulcões em erupção. Eles geralmente fazem seu caminho por vales fluviais.

Em maio de 2008, um lahar varreu a cidade chilena de Chaitén (população de 4.200), destruindo grande parte dela, e fazendo com que as margens do rio Blanco transbordassem, inundando o que restou.

Os lahars têm a consistência e a densidade de concreto molhado. Grandes lahars, com centenas de metros de largura e dezenas de metros de profundidade, podem fluir várias dezenas de metros por segundo – rápidos demais para as pessoas fugirem.

Além disso, lahars não se contentam em simplesmente devorar tudo em seu caminho; quando eles finalmente param, se tornam sólidos – mais uma vez, muito parecidos com concreto.

A hoje enterrada Chaitén era tanto o nome da cidade quanto o nome de uma caldeira a oeste do vulcão Michinmahuida. Antes de sua recente erupção destrutiva, a caldeira de 1.122 metros de altura estava cheia de obsidiana cinza de uma erupção de milhares de anos antes.

Curiosamente, aquela obsidiana foi usada para fazer artefatos pré-colombianos encontrados centenas de quilômetros de distância. O vulcão provedor rapidamente se transformou em destruidor.

Antes de 2 maio de 2008, quando explodiu, a caldeira tinha ficado quieta por cerca de 7.420 anos. No entanto, a pressão, evidentemente, se construiu ali ao longo dos milênios.

Em 6 de maio, poucos dias depois da primeira rajada de atividade vulcânica, um fluxo piroclástico foi emitido da caldeira. Enquanto isso, uma coluna de 30.000 metros de cinzas vulcânicas quentes se ergueu para o céu. A maior parte da população de Chaitén foi evacuada.

Em 12 de maio de 2008, o lahar desencadeado pela erupção começou a engolir a cidade, inundando-a e depositando lama de cinzas a uma profundidade de um metro ou mais. O rio foi completamente tomado e a cidade ficou presa sob o “concreto”.

O governo chileno havia planejado reconstruir a cidade 10 quilômetros ao norte de onde estava, mas a proposta logo se tornou uma batata quente política. Quem estava disposto a arriscar a ira de um outro lahar devastador?

Algumas pessoas ainda esperam uma reconstrução, mas uma coisa é fato: a cidade nunca mais será a mesma. O que será de Chaitén, é um capítulo ainda a ser escrito. [EnvironmentalGraffiti]

Natasha Romanzoti tem 22 anos, é jornalista, apaixonada por futebol (e corinthiana!) e livros de suspense, viciada em séries e doces e escritora nas horas vagas.

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3 comentários

  1. Carlos /

    Em Niterói, RJ, tivemos a combinação de chuvas torrenciais e um prefeito omisso, Jorge Roberto Silveira, que deixou população pobre se estabelecer num morro de lixo (um lixão desativado), resultando na morte de muitas pessoas.

    Não sei o que é pior, honestamente.

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  2. Marco /

    O brasil é um sortudo para não ter essas coisas. Não temos vulcões, terremotos(raramente algum de baixa intensidade)~
    furacões, tornados(raramente pode surgir) e tsunamis
    Mas em compensação temos um governo que ferra o povo tanto quanto qualquer desastre !

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    • Emerson Brito /

      Fico imaginando o Brasil sem essa praga infestada na política…

      Isso aqui seria o paraíso !

      Só depende da conscientização do povo para mudar isso tudo.

      Infelizmente o poder do voto está em camadas sociais que não têm acesso à informação e raramente tem acesso à educação plena.

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