Como envelhecer pode deixar você mais criativo

Publicado em 19.07.2012

Você provavelmente conhece gente que se aposentou e continuou trabalhando. Essa atitude, que contraria aquele preconceito de que “os mais velhos têm dificuldade para fazer as coisas e aprender”, se torna mais comum a cada dia que passa.

Em sua coluna sobre comportamento e bem-estar, a colaboradora da CNN Amanda Enayati falou sobre como o envelhecimento e a criatividade podem caminhar lado a lado, e ajudar as pessoas a se manterem ativas por muitos anos.

Diante de pesquisas que mostram que pessoas mais velhas tendem a se esquecer mais facilmente das coisas e demorar mais para aprender, ela cita o psicólogo Timothy A. Salthouse: “Afirmações sobre o envelhecimento cognitivo podem ser muito influenciadas tanto pelo preconceito dos pesquisadores, quanto pelos diferentes métodos de avaliação dos dados”, escreveu em seu livro “Major Issues in Cognitive Aging” (“Principais Questões do Envelhecimento Cognitivo”, em tradução livre).

Seguindo esse raciocínio, a colunista destaca três habilidades que podem ser aprimoradas com a idade: empatia, criatividade e visão ampla.

Empatia, ou “saber pensar como o outro”

Conforme adquirem conhecimento e experiência de vida, as pessoas vão se tornando cada vez mais capazes de entender diferentes opiniões e formas de pensar.

“Por terem maior capacidade de demonstrar empatia, pessoas mais velhas podem entender melhor como estimular os outros”, diz a professora Kathleen Taylor, da Faculdade de Santa Maria da Califórnia (EUA). Na hora de elaborar produtos e serviços, a empatia ajuda a criar soluções mais eficientes.

Experiência e visão

Steve Jobs, em uma entrevista dada à revista Wired nos anos 1990, apontou como a experiência de vida pode ser útil nas áreas de design e criatividade: “Muitas pessoas na nossa indústria não tiveram uma grande diversidade de experiências. Assim, não têm muitos ‘pontos’ para ligar, e acabam vindo com soluções muito lineares e sem uma perspectiva ampla do problema”.

“Quanto maior o entendimento de alguém sobre a experiência humana”, disse Jobs, “melhor design nós teremos”. Esse entendimento tende a crescer com o passar dos anos.

É claro que há o outro lado da questão: com tantas informações acumuladas, fica mais difícil lembrar de tudo. Para a professa Taylor, porém, só porque a informação se torna menos acessível, não quer dizer que tenha sido perdida.

Todo esse potencial que a maturidade traz precisa de estímulo para ser concretizado. Sem desafios, é fácil se acomodar e se apegar a certas ideias ao invés de se arriscar a agir diferente. Como evitar isso?

“Chacoalhe as coisas. Mantenha-se fisicamente ativo. Continue fazendo coisas diferentes. Desafie suas crenças. Ouça diferentes pontos de vista e aprenda a aceitá-los. Viaje. Aprenda novas línguas”, sugere a colunista.[CNN]

Autor: Guilherme de Souza

É jornalista empenhado e ilustrador em treinamento. Curte ciência, cultura japonesa, literatura, seriados, jogos de videogame e outras nerdices. Tem alergia a música sertaneja e acha uma pena que a Disco Music tenha caído no esquecimento.

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1 comentário

  1. O chacoalhar pode ter um sentido literal, para possibilitar uma melhor memória: exercitar e pular são fundamentais.
    Já andar de bike, ou surfar aumenta e muito a criatividade, pois diferentes funções cerebrais são ativadas ao mesmo tempo: atenção, equilíbrio, ou temperança entre forças opostas e deslocamento.

    Thumb up 5

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