Descalço ou com tênis: qual é a melhor forma de correr?

Publicado em 31.07.2012

Esse debate antigo parece não ter fim: afinal de contas, a ciência um dia poderá dizer qual opção é a melhor? Ainda não sabemos, porque a resposta a essa velha pergunta continua sendo um tanto quanto subjetiva.

Cada vez mais vemos pesquisas que afirmam que correr descalço tem suas vantagens – algumas chegam a dizer abertamente que é melhor do que correr com tênis.

O centro dessa discussão é na forma como os pés tocam o chão quando estão descalços ou quando estão com tênis.

A ideia é de que o tênis especializado para corrida, ou seja, indicado para corredores, é feito para amortecer certos impactos. O primeiro contato com o chão quando estamos usando tênis costuma ser com o calcanhar, e isso gera um impacto de força transiente, que significa que é como se o corpo todo parasse por um milésimo de segundo para depois continuar a pisada. Poucos corredores batem o pé por inteiro no chão ou começam a pisada pela parte da frente do pé.

Exceto quando correm descalços. Nesse caso, o primeiro contato é feito com a planta do pé para depois pisar com o calcanhar. Com isso, alguns cientistas defendem que o reflexo na musculatura de quem corre dessa maneira é cerca de três vezes menor no primeiro momento do contato no chão do que o de quem usa tênis com amortecimento.

A pisada com os tênis mais baixos (usados por corredores leves e de elite) já é mais semelhante à pisada com os pés descalços, porque os pés tendem a controlar melhor o movimento de transição para minimizar o impacto, já que os tênis são menos acolchoados.

Outro estudo famoso feito pelo biólogo da Universidade de Harvard (EUA) e corredor Daniel Lieberman, publicado na revista Nature, também concluiu que correr descalço “parece ser” melhor para os pés, produzindo muito menos estresse de impacto em comparação a calçados de corrida especiais.

Mas existem pesquisas que vêm na contramão: um estudo recente publicado no jornal Medicine & Science in Sports & Exercise fez vários testes e concluiu que correr descalço não é eficiente, pois usa quase 4% mais energia em cada passo do que correr com tênis. Ao correr descalço, a força gerada quando o pé atinge o solo é transferida para os músculos das pernas e o organismo exige uma energia extra, aumentando o custo metabólico da atividade. Já os novos modelos de tênis, levíssimos, evitam esse desgaste metabólico por causa do efeito de amortecimento.

E agora, José?

A fama de que correr descalço é bom foi alimentada principalmente por casos de sucesso, como o de Abebe Bikila, o etíope que ganhou a maratona dos Jogos Olímpicos de Roma em 1960 correndo descalço. Zola Budd, a sul-africana que disputou os 3.000 metros das Olimpíadas de Los Angeles em 1984 descalça, e Jorilda Sabino, que chegou ao pódio da São Silvestre de 1983 a 1985 correndo descalça se juntam ao time dos sem sapato.

Apesar desses bons exemplos, ainda é muito difícil definir se correr descalço é melhor ou pior do que correr calçado porque não existem registros suficientes de lesões em pessoas que correm descalças, por exemplo.

“A pesquisa realmente não é conclusiva sobre se uma abordagem é melhor que a outra. Mas o que fica claro é que é realmente uma questão de desenvolver uma boa forma de correr e aderir a ela, sem mudá-la de repente”, opina Carey Rothschild, instrutora de fisioterapia da Universidade Central da Flórida, em Orlando (EUA).

Ela já pesquisou lesões que ocorreram em pessoas correndo com ou sem sapatos. Tentando chegar ao fundo da controvérsia, Carey descobriu que a maioria das pessoas começou a correr descalça na esperança de melhorar o desempenho e reduzir suas lesões. Ironicamente, aqueles que nunca tentaram correr descalços disseram que tinham medo de que isso poderia causar lesões e piorar seu desempenho.

As desvantagens e as desvantagens

A pesquisa de Carey mostrou que existem riscos em correr seja descalço ou calçado.

Corredores descalços tendem a pousar no meio do pé ou antepé ao contrário de no calcanhar, o que um bom tênis tenta amortecer. Correr descalço, portanto, tende a provocar mais fraturas de tensão na parte da frente dos pés.

Mas os corredores que usam tênis também podem sofrer de tudo, desde lesões no joelho a problemas no quadril, relacionados ao estresse repetido da força de impacto no calcanhar. “Não existe uma receita perfeita”, disse ela.

Como a tendência de correr descalço está aumentando, Carey sugere que as pessoas façam exames físicos e avaliação biomecânica com um fisioterapeuta ou profissional treinado antes de correr, além de passar gradualmente aos pés descalços.
“Seu corpo não pode alterar automaticamente a sua marcha”, disse a fisioterapeuta. “Mas há maneiras de tornar essa transição mais suave, com menor risco de lesões”. Uma delas é usar tênis mais baixos, além de calçados que mais se assemelham a meias ou luvas para os pés antes de correr descalço.

Carey acredita que correr descalço, em si, não é nem bom nem ruim. Como com a corrida com sapatos, formação adequada e condicionamento são essenciais. No entanto, há uma advertência: quem tem deformidades ou doenças que gerem uma falta de sensibilidade nos pés deve evitar correr descalço, porque pode não sentir lesões resultantes de correr em superfícies duras.[MedicalXpress, R7, RCR, Estadao, GloboEsporte]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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