Peixes encolhem durante o inverno rigoroso

Publicado em 28.11.2010

Segundo uma nova pesquisa, os peixes podem se encolher durante invernos muito rigorosos. Baseados na Noruega e na Finlândia, os cientistas descobriram que trutas marrons jovens reduziram o comprimento do corpo em até 1 centímetro durante o inverno, uma retração de aproximadamente 10%.

Segundo os pesquisadores, isso pode ser uma forma de ajudar os peixes jovens a economizar energia em uma época que o alimento é escasso.

Este raro fenômeno já foi visto anteriormente em alguns pequenos mamíferos, como musaranhos, e em lagartos. O exemplo mais dramático é o da iguana marinha, um réptil de sangue frio (ou ectotérmico) que vive no arquipélago de Galápagos. Cientistas observaram que ele chega a encolher até 20% do seu comprimento ao longo dos anos do El Niño, quando a disponibilidade de alimentos diminui drasticamente devido ao aumento considerável da temperatura.

Mas este é o primeiro estudo a mostrar que peixes podem encolher. Os pesquisadores descreveram como isso ocorre. A condição que leva a essa retração foi chamada de “anorexia de inverno”, na qual o apetite diminui drasticamente ao longo do “período de transição” do outono.

Para chegar a essa conclusão, a equipe fez experimentos em laboratório. Os pesquisadores usaram salmonídeos – um grupo de peixes com raios nas barbatanas, que inclui salmão e truta – criados em incubadoras, e os colocaram em piscinas experimentais.

Para simular as condições de um inverno rigoroso, a temperatura da água e da corrente foram controladas, e uma cobertura de gelo foi adicionada para imitar a natural. Em face dessas condições, os salmonídeos jovens apresentaram uma diminuição significativa do comprimento do corpo, até 10% do comprimento inicial, ao longo do inverno.

Os cientistas ainda não sabem exatamente o que provoca essa contração. Mas eles acreditam que, como em musaranhos, a retração pode ser causada por uma redução no volume de uma substância gelatinosa no interior dos discos vertebrais da coluna vertebral.

Isso leva a uma série de consequências. A redução dessa substância gelatinosa leva a um achatamento dessas formações dos discos e, assim, leva ao encurtamento da coluna vertebral e, consequentemente, ao comprimento do corpo.

Os cientistas também não podem afirmar com certeza o motivo que desencadeou a contração, mas aparentemente, foi a escassez dos alimentos e o estresse alimentar em conexão com as condições ambientais em geral, que são ruins para o crescimento e para a sobrevivência.

Segundo os pesquisadores, os resultados levantam várias dúvidas sobre que tipo de consequências essa retração pode ter. [BBC]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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