Pessoas são honestas enquanto trapacear não é fácil

Publicado em 2.12.2010

“A ocasião faz o ladrão”. Quem já ouviu esse ditado popular, agora pode considerá-lo pura ciência. Um novo estudo indicou que pessoas inicialmente honestas podem trapacear – se isso não envolver qualquer trabalho “extra” por parte delas.

Ou seja, encontrar uma nota de 50 reais no chão, ou acidentalmente encontrar as respostas certas a perguntas de uma prova, podem subitamente transformar pessoas normalmente honestas em “desonestas”.

Em um experimento com 84 estudantes, pesquisadores montaram um teste de matemática em um computador, sem dizer os motivos pelos quais os participantes o estavam fazendo.

À metade dos estudantes, foi dito que o sistema não estava funcionando corretamente. Se eles pressionassem a barra de espaço no teclado, as respostas apareceriam. A outra metade foi dito que se eles não pressionassem a tecla “Enter” imediatamente após ver a questão, a resposta apareceria.

Em geral, poucos trapacearam. Mas, segundo os pesquisadores, aqueles que não tinham que pressionar uma tecla para trapacear foram quase dez vezes mais propensos a fazê-lo. Os cientistas acreditam que isso se deva ao fato de que “pressionar uma tecla” para aparecer a resposta parecia um ato mais “intencional”, enquanto os outros poderiam agir como se trapaceassem por acidente, então não sentiam que estavam fazendo uma escolha imoral.

Em um segundo teste, os voluntários foram testados em sua vontade de ajudar um colega com deficiência a completar um exame. À metade, foi dito que se eles quisessem ajudar, deveriam seguir um link on-line. A outra metade foi convidada a ajudar, e simplesmente tinham que clicar em ‘sim’ ou ‘não’ na tela.

Aqueles que tinham de seguir o link foram cinco vezes menos propensos a se voluntariar para ajudar, porque era mais fácil para eles se livrarem da situação sem embaraços do que os que tinham uma clara escolha a fazer.

A grande conclusão do estudo foi que a desonestidade não é tão incomum quanto mascarada. Segundo os pesquisadores, as pessoas são mais propensas a trapacear e tomar decisões imorais quando as suas transgressões não envolvem uma ação explícita.

Ou seja, se as pessoas podem mentir por omissão, trapacear sem fazer muito trabalho braçal, ou ignorar pedidos de ajuda sem negá-los expressamente, são muito mais propensas a tomar essas atitudes.

As descobertas podem ajudar instituições de caridade e outras organizações à procura de dinheiro ou ajuda de voluntários. Quando as pessoas são confrontadas com “ativamente fazer a coisa certa ou a coisa errada”, há uma série de emoções envolvidas, como culpa e vergonha, que os orienta a fazer a escolha moral.

Já quando a transgressão é mais passiva, mais pessoas fazem a coisa errada, porque as emoções morais em tais situações são provavelmente menos intensas. [Telegraph]

Autor: Natasha Romanzoti

tem 24 anos, é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.

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14 Comentários

  1. Acho que tudo se trata de equilibrio do EGO e auto estima, quando a pessoa tem instabiidade emocional ao cometer uma ação ílicita pode fazê-la ter uma sensação de conquista, vitória e inclusive mais “esperto” e claro que isso é uma “injeção” de motivação.Portanto tudo trata-se de fatores psicológicos sendo o caráter, educação, ambiente os principais.

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  2. apenas confirma o quão hipocrita um ser humano pode ser, quando está com holofotes e é contestado em publico sempre tenta escolher a forma moral de fazer as coisas, porem se estiver no anonimato, e se souber que ninguem pode flagrar seu delito será cruel e se aproveitará da oportunidade. nem todos agem assim mais a grande maioria sim!!!

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  3. Interessante terem feito a pesquisa, mas o resultado me pareceu bem óbvio. Bom, pelo menos confirmou o que já se pensava.

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  4. Concordo com o artigo. A maioria é desonesta desde que não leve a pessoa a ficar com peso na consciência.
    Um político não precisa ser, por natureza, desonesto para roubar. Aliás, a maioria nem é. Mas vive num ambiente que proporciona esse tipo de coisa.
    Por exemplo: você é um político honesto, está trabalhando e vem um cara e deixa 1000% do seu salário na sua mesa, e não diz nada, porque é sua parte (divisão do dinheiro entre as pessoas do gabinete), ou melhor, deixa num envelope na sua caixa de correio.
    Exemplo 2: Você saca 1000 reais do cartão corporativo e vai usar para fins do governo. Mas em uma situação vc precisa de 100 (pra pagar entregador de pizza). Você tem isso na sua conta pessoal, mas não na carteira. Então vc paga com o dinheiro do governo. E vc irá ressarcir?

    A ocasião faz o ladrão.

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  5. Seguindo o comentário de Hugo e Criancinha… político brasileiro é corruto, porque tem certeza que vai sair dessa impune, consequentemente o artigo teria razão. O politico trapaceia porque é fácil!!! Outra informação importante. O barômetro Latinoamericano, ong que faz pesquisas e estatísticas na última deu um dato interessante. Os mais desconfidos em América Latina são os brasileiros !!! por que será ? porque já tomaram muito na cabeça ? ou porque não são de confiança ? Ou seja tem medo do que eles mesmos são capazes de fazer a outro ? Boa pergunta … Deixo-lhes o interrogante …

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  6. Concordo com o HUGO. Nem precisamos dessa pesquisa aqui no Brasil, é só ver nossos políticos. Eles não são seres maliguinos de outros planetas, mas, sim, brasileiros como nós.

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  7. Sempre achei isso e acho que brasileiro tem mais tendência ainda a esses atos.

    Por isso que não acho que políticos são os problemas do nosso país, e sim a mentalidade brasileira. Políticos não são ladrões por serem políticos, são apenas brasileiros numa boa ocasião, com o dinheiro dos outros na mão, só colocar no bolso.

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  8. Achar 50 reais sem saber o dono é uma coisa. Achar uma carteira com 50 reais, com identificação do seu dono, e ficar com o dinheiro, é outra…

    Achar 50 reais e imediatamente levar consigo é uma coisa. Achar 50 reais e levar consigo, depois de fazer sua parte para encontrar o dono é outra…

    A trapaça para favorecimento imediato pessoal, sem prejudicar a outrem, seja direta ou indiretamente, é uma coisa (ex. colar em uma prova da faculdade). Agora, trapacear, obetendo benefício em detrimento de outrem, já é outra coisa (ex.: “furar” fila)…

    Um experimento com 84 estudantes é uma coisa. O mesmo experimento realizado comigo, é outra coisa…

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  9. Não acredito que um experimento dito científico se baseie no comportamento de 84 estudantes para concluir que todos somos desonestos. Eu, assim como muitas pessoas, tivemos várias oportunidades de “trapacear” sem chance de sermos descobertos mas optamos por fazer a coisa certa.
    Muitas pessoas tem noção do certo e errado e agem certo não por medo, mas por princípios.
    Francamente… 84 pessoas num universo de bilhões de pessoas… tsc…tsc…tsc…

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  10. Assim como a água que desce pela montanha, nossas ações buscam sempre o caminho mais fácil, independente das definições de bem e mau.

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  11. Sempre somos “perfeitos” aos nóssos olhos ou digamos “certinhos”, más o julgamento de nóssos atos ta bem além da nóssa percepção.

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