Planeta recém encontrado está se desintegrando

Publicado em 29.05.2012

Você já acessou a Enciclopédia dos Planetas Extra-Solares (exoplanetas)? É um espaço na internet no qual é possível ficar por dentro de todas as descobertas de planetas do universo além do sistema solar. Pode parecer uma ocorrência rara, mas a humanidade já descobriu mais de 760 destes planetas, e outras centenas de “candidatos” a planetas.

Na última semana, a NASA anunciou um novo achado. A mais de 1.500 anos-luz da Terra (mas ainda dentro da Via Láctea), existe uma estrela chamada KIC 12557548. Aparentemente, existe um planeta orbitando esta estrela. O único problema: segundo as observações, esta órbita é próxima demais, o que faz o planeta “vaporizar” lentamente.

Como encontrar planetas pela galáxia?

Os dados foram coletados pelo observatório espacial Kepler, que foi lançado em março de 2009 e cuja órbita percorre a mesma trajetória que a Terra faz em torno do sol. Ou seja, a sonda persegue a Terra em seu movimento anual de translação.

Essa posição foi escolhida estrategicamente, e permite ao artefato espacial procurar planetas pela Via Láctea com um engenhoso sistema. A sonda não rastreia os planetas em si, mas sim as estrelas. A ideia é focar em estrelas espalhadas pela galáxia e ficar de olho no brilho delas. Qualquer perturbação luminosa ou visual pode indicar a presença de um planeta.

Uma órbita próxima demais

Examinando a longínqua estrela, os astrônomos detectaram uma perturbação. Ao que parece, um planeta mais ou menos do tamanho de Mercúrio está deixando um rastro de poeira cósmica pelo espaço enquanto percorre sua órbita.

A razão para isso, de acordo com os cientistas, seria o fato do planeta e a estrela estarem afastados por uma distância de apenas duas vezes o diâmetro da estrela (como referência, a Terra está separada do sol por mais de cem vezes o diâmetro dele). Com isso, este novo planeta leva apenas 15 horas para circundar a KIC 12557548.

Tal proximidade faz com que o planeta esteja assando a uma temperatura de cerca de 1980 graus Celsius. É bem menos do que a superfície do nosso sol (que ferve a mais de 5500 graus Celsius), mas a proximidade é fatal. Nem o material rochoso é forte o bastante para não derreter com essa exposição. O planeta está se desmanchando.

Mas se você acha que este processo de desintegração será tão rápido que nem vale a pena incluir o planeta no catálogo, está enganado. Esta “vaporização” não acontece do dia para a noite. As estimativas apontam que ele só se dissolverá totalmente em cem milhões de anos. Ainda dá tempo de descobrir um pouquinho mais sobre ele. [Live Science / Astronomia On-line / Exoplanet / USP]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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4 Comentários

  1. Este planeta deve estar realmente bem próximo a esta estrela. Eu achei muito tempo para este planeta se desmanchar, então pelo menos existe tempo para estuda-lo melhor.

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    • E não precisamos esperar uns 5 bilhões de anos até ele virar gigante Vermelho. Alguns estudos indicam que a atividade e calor do Sol aumenta entre 1 e 2 milhões de anos no futuro, vaporizando os oceanos da Terra, calcinada a 700°C. Esse poderá ser o período mais próspero de Marte, que poderá ganhar atmosfera, calor e água. Mas a ausência de campo magnético é um obstáculo a uma vida sustentável, e esse paraíso marciano não será tão habitável.

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  2. Acredito que esse Planeta tenha migrado e não surgido ali. Se for esse o caso, essa estranha cauda de fumaça que se formou de suas vaporizações deva ter uma forma de gigantesca espiral, formada durante a órbita giratória e migratória do planeta na direção da estrela.
    Esse planeta completa uma órbita em apenas 16 horas, numa velocidade orbital alucinante. Calculo que esse frenesi faz com que ele reencontre seguidas vezes sua própria massa ejetada, tornando a nuvem cada vez mais densa na linha de seu plano orbital. Aqui no Sistema Solar os cometas fazem um processo semelhante, mas em períodos curtos durante a passagem perto do Sol, depois se afastam a distâncias enormes em suas órbitas alongadas e passam a maior parte do tempo sem caudas.
    Temos um exemplo mais similar no Sistema Solar: Encelados, lua de Saturno. A atividade intensa dos gêiseres de Encelados já formou todo um nebuloso anel externo de Saturno, e Encelados segue sua órbita dentro desse anel, alimentando-o mais e mais. Isso acontece porque a gravidade de Encelados é fraca demais pra prender suas ejeções de cristais de gelo de seus jatos sul-polares, portanto há produção e perda constante de atmosfera. Um cenário quase que… psicodélico.
    Esse planeta, se confirmado, pode ser nosso primeiro exoplaneta mercuriano, inaugurando uma nova classificação extra-solar. Até agora só tínhamos visto super-terras, jupiterianos e neptunianos.

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