Erro médico: 1 paciente a cada 4 é prejudicado mas ninguém fica sabendo

Por , em 23.09.2012

Considerado uma espécie de tabu entre profissionais de saúde, os erros médicos (que, estima-se, prejudicam um a cada 4 pacientes hospitalizados) são tema do livro “Unaccountable: What Hospitals Won’t Tell You and How Transparency Can Revolutionize Health Care” (“Irresponsável: O que Hospitais não irão lhe contar e Como a Transparência pode Revolucionar a Assistência Médica”, sem tradução no Brasil).

Seu autor, o cirurgião Marty Makary, descreve certos tipos de médicos, tais como:

  • Os perigosos, que continuam exercendo a medicina graças ao silêncio de seus colegas;
  • Os “da Idade da Pedra”, que não se atualizam, mantém práticas defasadas e não lhe contam isso;
  • Os obcecados por lucro, que recebem “comissões” de laboratórios e empresas e aparelhos médicos para prescrever determinados remédios ou implantes de aparelhos.

Expostos, muitos médicos se sentiram de certa forma “atacados” pelo livro. Contudo, para cada um desses, há cinco outros que agradecem a Makary por “contar a história por trás das estatísticas”, diz o autor.

Ele conta que escreveu o livro porque deseja mudar o sistema de saúde dos Estados Unidos (embora outros países possam seguir o exemplo) de dentro para fora. Não acredita, porém, que o Estado ou o mercado possam fazê-lo: “São os pacientes que podem mudar o sistema”, aponta. Como? Sendo “consumidores” mais criteriosos da assistência médica, da mesma maneira que fazem ao adquirir outros serviços ou produtos.

Para ajudar, Makary dá alguns conselhos:

  • Se não souber se o médico é bom ou não, pergunte aos funcionários do hospital;
  • Procure informações sobre sua condição em sites confiáveis e descubra opções de tratamento (nota: ele não diz que dados da internet substituem o diagnóstico de um especialista);
  • Quando o médico sugerir que você passe por uma cirurgia, faça algumas perguntas: O que acontece se você não passar pela cirurgia? Quais as alternativas? Quais os riscos e benefícios?
  • Peça uma segunda opinião.

E você, leitor, acredita que usuários vão conseguir melhorar a assistência médica oferecida no Brasil?[CNN]

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8 comentários

  • Galileu Coelho:

    Acho que o problema do “erro médico” recai principalmente no pessoal de apoio, enfermeiros etc, sem a mínima habilitação, treinamento e reciclagem, sem falar na desqualificação para o cargo. Falta muito controle, sério e extremamente rigoroso, por parte dos dirigentes de hospitais. E punição. Como conseguir isso?

  • Larissa Alana:

    Minha avó morreu há 1 mês em decorrência de erro médico. Eu fiquei duas semanas estudando e pesquisado sobre o que aconteceu com ela, pedi o prontuário e consegui chegar à conclusão que foi erro médico. Não iremos processar o hospital, até porque foi em hospital público, com um atendimento péssimo e médico arrogante. Nada irá trazer ela de volta. Infelizmente, milhares de pessoas morrem, principalmente em hospitais públicos, por erro médico. Isso tem que acabar!!!

  • Djalma Bentes:

    No link abaixo veja uma entrevista com o Dr.Miguel Srougi,
    uma das vozes mais contundentes e lúcida da área médica do Brasil.
    Acredito que você ficará satisfeito com a entrevista e também
    com o final na locução feita pelo jornalista Salomão Schvartzman,sobre manifestação da Dra. Juliana Mynssen da Fonseca Cardoso,a propósito de como é ‘tratada’
    a medicina e a classe médica brasileira.
    Djalma Bentes.
    http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=zXKRwaE5-wg

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=zXKRwaE5-wg

  • gilberto paiva:

    Isso tem que mudar, principalmente no setor público, que é um descaso total e pessoas morrem somente por falta de profissional qualificado ou por quantidade de profissional disponível

    • Djalma Bentes:

      Gilberto, Você tem razão. Há ainda a necessidade de boas instalações, equipe de apoio, equipamento e tudo mais. Só o médico com estetoscópio fica muito difícil diagnosticar. Grande abraço.

  • Alexander Gomes:

    Vamos incentivar nosso poder legislativo (congresso, parlamento, assembleias ou câmaras) a desenvolver projetos de leis que obrigam funcionários hospitalares, médicos e enfermeiros a estarem sempre realizando cursos e treinamentos obrigatórios, pois a saúde de um paciente não pode ser visto apenas como um produto ou serviço, mas um bem supremo do indivíduo, onde um erro pode ser fatal, irreparável.

  • Elizabeth:

    É preciso muita briga para os usuários conseguirem melhorar a assistência médica no Brasil. A grande maioria depende do SUS, onde ser atendido por um médico já é difícil e a chance de poder escolher um médico é ínfima.

    Eu tive o apêndice retirado quando o problema era reflexo de dor provocada por problema na coluna.
    Minha irmã faleceu quando teve um AVC, foi diagnosticada como hipertensão, medicada e mandada para casa. Minha sobrinha voltou ao SUS no dia seguinte porque minha irmã tinha piorado e exigiu atendimento de urgência porque os sintomas eram de AVC, mas ela só foi internada 15 horas depois da 2ª consulta (30 horas depois do AVC). O neurologista que finalmente a atendeu tentou salvá-la, mas o erro no diagnóstico inicial e o mau atendimento no retorno foram decisivos para sua morte.
    Minha mãe tinha um aneurisma cerebral, consultou vários médicos que receitaram um remedinho e mandaram voltar depois de 15 dias se não melhorasse. Quando, finalmente descobriram o que ela tinha, já não havia nada a ser feito.

    O grande problema da incompetência e falta de dedicação de muitos médicos é que estudam medicina sonhando com status e dinheiro, quando o principal motivo deveria ser a vocação.
    Muitas faculdades deveriam ter teste de aptidão específico antes de aprovar o aluno.

  • Rafael2:

    Interessante. Poderia haver uma rede social nos moldes do ReclameAqui, ou melhor, maior transparência do conselho profissional e que as pessoas pudessem expressar sua livre opinião publicamente sobre a prestação de serviço de profissionais individuais ou liberais, a internet é uma grande ferramenta nesse sentido, mas a questão individual e a característica humana passível a erros torna delicada tal possibilidade.

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