Generosidade é característica natural para algumas pessoas

Por , em 27.12.2009

Entrar no espírito natalino de generosidade pode ser um pouco difícil para alguns, mas cientistas descobriram que certas pessoas generosas têm este desejo genuíno. Segundo a pesquisa realizada na Universidade de Tamagawa, no Japão, a generosidade – ou o desejo de justiça, ao menos – é uma característica automática e surge a partir da ativação de uma área cerebral que controla a intuição e a emoção.

Neuropsicólogos definem pessoas “pró-sociais” como aquelas que preferem compartilhar as coisas, e as “individualistas” como aquelas que se importam principalmente com seu próprio ganho. De acordo com uma teoria, a diferença entre estes dois grupos é que as pessoas pró-sociais suprimem o próprio egoísmo com a ajuda do córtex pré—frontal do cérebro. Entretanto, o pesquisador Masahiko Haruno se questionou se algumas pessoas teriam uma aversão automática à injustiça e falta de igualdade.

Com a ajuda do pesquisador Christopher Frith, da Universidade de Londres, na Inglaterra, Haruno analisou ressonâncias magnéticas do cérebro de 25 pessoas com comportamentos pró-sociais e de 14 pessoas individualistas. Os participantes foram pré-selecionados a partir de um teste comportamental, e classificaram suas preferências sobre uma série de distribuições de dinheiro entre eles mesmos e uma outra pessoa hipotética. Como já se esperava, o grupo pró-social preferiu divisões iguais, enquanto os individualistas escolheram as divisões em que eles ficavam com mais dinheiro.

Amígdala e generosidade ativas

Uma descoberta menos óbvia feita pelo estudo foi que a única região cerebral que sofreu alterações entre os dois grupos foi a amídala. Quando recebiam as propostas de divisão injusta de dinheiro, a atividade da amídala aumentou significativamente no grupo de pessoas pró-sociais, mas não no outro grupo. “Quanto mais elas não gostavam da divisão, mais atividade era observada nesta região”, afirma Frith.

“A amígdala tende a responder automaticamente, sem reflexão ou mesmo percepção da pessoa”, explica o pesquisador. A atividade na amídala não era acompanhada por movimentos na região do córtex pré-frontal – responsável por impedir desejos. Por isso, o estudo sugere que a primeira teoria que explicava a generosidade está errada.

Para comprovar isto, os pesquisadores realizaram mais um teste, fazendo a mesma divisão de dinheiro, mas dando uma tarefa de memória para que os participantes realizassem durante a divisão. O cérebro das pessoas pró-sociais continuou funcionando do mesmo modo, com as partes responsáveis por processos deliberativos funcionando com outras tarefas, o que sugere que as pessoas não estavam reprimindo desejos egoístas.

De acordo com Carolyn Declerck, neuroeconomista da Universidade da Antuérpia, na Bélgica, os resultados são semelhantes aos conseguidos por ela em, testes semelhantes. Segundo a pesquisadora, as pessoas pró-sociais têm uma noção automática de moralidade. “Até agora, todos nossos experimentos comportamentais e com ressonância magnética confirmam que estas pessoas são intrinsecamente motivadas a cooperar”, explica Declerck.

O próximo passo da pesquisa de Haruno é descobrir como esta diferença na atividade da amídala surge no cérebro. Ela é parcialmente genética, mas pode também ser influenciada pelo ambiente em que a pessoa está inserida, de acordo com o pesquisador. Segundo Haruno, interações durante a infância podem ter um papel importante sobre esta característica, e diz que seria interessante poder promover esta atividade cerebral para “poder criar uma sociedade mais pró-social”. [New Scientist]

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