5 razões pelas quais a vida no espaço é mais difícil do que você pensa

Por , em 2.10.2013

Obviamente, a vida no espaço não é sinônimo de férias – você está lá em cima, enfrentando a fronteira final, lutando contra meteoros e objetos pessoais flutuando dentro da espaçonave e consciente de que qualquer falha trará uma morte horrível no abismo sideral.

E é por isso mesmo que a vida no espaço desperta tanta curiosidade em nós, seres humanos: o mistério de se aventurar no desconhecido.

Na realidade, a parte mais difícil sobre a vida em uma estação espacial ou base lunar são diversos pequenos aborrecimentos do cotidiano nos quais você nunca pensou – e os quais a ficção científica jamais mencionou. Por mais que não se trate de problemas do calibre de batalhas interestelares ou monstros alienígenas, esses contratempos do dia a dia fariam da sua vida um inferno, e não de uma maneira impressionante.

5. Você precisa se exercitar constantemente (senão corre o risco de desmaiar)

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É de se esperar que uma certa quantidade de exercício físico seja necessário para compensar a falta de gravidade do ambiente. O detalhe é que, além de você ser capaz de levantar facilmente os halteres gigantescos que só os caras mais bombados da sua academia conseguem (lembre-se: não há gravidade, então as coisas não “pesam” nada), você vai ter que se exercitar o tempo todo. Sempre. E você não tem escolha.

Há duas razões por trás disso. A primeira e mais evidente delas é evitar que seus músculos e ossos fiquem quebradiços e se transformem em uma papa amorfa devido à ausência da gravidade. O outro motivo é um fenômeno maluco chamado intolerância ortostática. Essa é uma novidade para muita gente.

Na Terra, essa é a razão pela qual, por vezes, sentimos uma tontura quando nos levantamos muito depressa. Fora do nosso planeta, se torna um dos principais motivos para você e seu estilo de vida sedentário odiarem o espaço. Seu corpo é normalmente capaz de lidar com a intolerância ortostática, elevando a sua frequência cardíaca e pressão arterial até que você se recomponha. Entretanto, no espaço, seu coração não colabora muito.

Percebendo que não precisa mais lutar contra a gravidade, como está acostumado aqui embaixo, ele fica mais preguiçoso e bate cada vez menos e de maneira mais fraca – e, consequentemente, sua pressão arterial cai. Resultado: você vai desmaiar. Repetidas vezes.

Seu único remédio? Fazer MUITO exercício. O ideal recomendado aos astronautas é que malhem durante duas horas e meia, todos os dias em que estiverem em órbita. E não estamos falando de exercícios divertidos com aquela mini cama elástica, bolas grandes e coloridas ou qualquer outro adereço que possa desviar sua atenção do exercício em si.

Os viajantes espaciais precisam passar esse tempo todo amarrados em uma das três engenhocas disponíveis (um circuito de academia, uma esteira ou um combinado espacial digno de Chuck Norris, chamado ARED). Tudo isso, lembre-se, em uma salinha minúscula, sem uma ampla janela na sua frente, tampouco com uma leve brisa soprando – e cheio de cabos ligados ao seu corpo para que não saiam voando no meio da série.

E todo esse esforço não será recompensado com uma barriga de tanquinho – os únicos prêmios que os astronautas recebem após tanto esforço são o privilégio de manter a consciência ininterruptamente e a capacidade de evitar que seu corpo se desmanche como uma massa de uma empada assim que retornem ao campo de gravidade da Terra.

4. Você vai voltar mais alto (e isso será incrivelmente doloroso)

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A maioria das pessoas que você conhece não se importaria de se tornar um pouco mais altas, certo? Pois bem, avise a elas que isso pode ser feito. Se por acaso acontecer de elas se aventurarem no espaço, logo você terão uma agradável surpresa: um surto de crescimento induzido pela falta de gravidade aumentará a sua altura em cerca de 4 a 6 centímetros. E quando dizemos “agradável”, por favor entenda “terrivelmente doloroso e deformante”. Afinal, o que está acontecendo, basicamente, é que seus nervos em sua coluna estão sendo esticados.

Normalmente, a medula espinhal humana permite que o nosso cérebro se comunique rapidamente com qualquer parte do corpo. Porém, qualquer situação incomum que altere essa configuração natural (como estar no espaço sideral, por exemplo) tende a produzir dificuldades.

Os discos intervertebrais que amortecem a coluna dos efeitos da gravidade subitamente se tornam inúteis. Logo, suas vértebras começam a se afastar preguiçosamente umas das outras, deixando a estrutura da coluna vertebral cada vez mais alongada.

A boa notícia é que você fica, de fato, mais alto, pelo menos enquanto estiver em um ambiente de microgravidade. A má notícia é que você provavelmente experimentará uma dor crônica nas costas, uma vez que sua coluna, assim como seus nervos, será constantemente esticada como um acordeão. Além disso, seus nervos também correrão grande perigo de serem danificados.

E imagine o que acontece quando você finalmente desembarcar de volta em um planeta dotado de campo de gravidade. Sua espinha, deformada devido ao tempo que você passou fora da Terra, terá que aguentar o baque causado por suas vértebras, que tentarão se reajustar ali dentro – como um elástico que é esticado e depois solto – após a liberdade excessiva que a falta de gravidade lhes proporcionou. Em seu processo de readaptação à Terra, você também correrá sérios riscos de sofrer com hérnia de disco.

3. A radiação afeta seus olhos

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Os astronautas a bordo dos primeiros voos espaciais ficaram confusos e assustados devido a misteriosos raios de luz que eles notaram enquanto estavam em órbita. “Grande coisa”, você pode pensar, eles estavam no espaço sideral, deve haver uma gigantesca quantidade de coisas estranhas acontecendo por lá. Talvez fosse um raio de luz solar refletindo em um satélite, algum fragmento brilhante de um meteoro ou apenas uma nave alienígena curiosa.

Havia apenas um problema: aquelas luzes estranhas nunca ocorriam quando eles estavam realmente olhando para algum lugar – esses flashes brilhantes eram visíveis apenas com os olhos fechados. Sim, no espaço, você tem a sua própria discoteca particular na sua cabeça. Além disso, você provavelmente vai pensar que está ficando louco toda vez que der uma piscada um pouco mais demorada.

Cientificamente, este curioso espetáculo de luz é causado por partículas altamente carregadas (ou seja, radiação) que viajam livremente pelo espaço – até encontrarem sua retina e irem diretamente na direção (e através) dela. Como as partículas radioativas atingem seu olho em grande velocidade, elas enganam seu cérebro para que ele pense que você está vendo luzes.

A blindagem magnética benevolente da Terra nos protege da maioria da matéria elétrica que o sol lança constantemente em nós. Portanto, nós não desfrutamos de um show pirotécnico psicodélico a cada vez que piscamos aqui na Terra. No espaço, por outro lado, não há nenhum nível de proteção magnética, de modo que os olhos de quem se aventura por aquelas bandas precisam lidar com toda a fúria penetrante do sol.

À primeira vista, estas luzes podem parecer apenas um inconveniente. Mas depois, principalmente perto do seu primeiro turno de dormir, a realidade bate à sua porta: como diabos você vai conseguir pegar no sono quando o interior de suas pálpebras parece mais um show do Daft Punk?

Seus problemas, claro, não terminam por aí. O espaço é um bastardo vingativo que também deseja te sacanear a longo prazo. A penetração da radiação constante realmente provoca dano estrutural aos tecidos delicados de seus olhos, o que pode causar prejuízos permanentes à sua visão caso você fique mais de um mês sob essas condições.

2. Você sente seu nariz sempre entupido e precisa desesperadamente de comida picante

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Os alimentos preparados especialmente para os astronautas sempre estiveram num pastoso e híbrido limbo entre comidas de verdade e refeições em pílulas. Felizmente, as coisas evoluíram bastante ao longo do tempo nesse campo. Tanto que, hoje em dia, você pode se deliciar nas alturas com alimentos como barras de bacon (surpreendentemente impopulares) e coquetel de camarão (assustadoramente popular).

Porém, você não será capaz de provar qualquer uma dessas comidas a menos que você adicione molho picante ou o tempero japonês wasabi, porque o espaço arruína a sua capacidade de sentir o gosto das comidas.

Como já mencionado anteriormente, os fluidos do corpo humano ficam um pouco malucos quando se está em um ambiente de microgravidade. Eles tendem a se aventurar por locais desconhecidos do organismo e explorar cavidade inéditas. As regiões do corpo com a maior quantidade de cavidades prontas para receberem esses fluidos desbravadores são a cabeça e o tronco. Consequência? A cabeça do viajante espacial incha, assim como a parte superior do corpo como um todo, dando a impressão de que os astronautas de repente começaram a tomar esteroides.

Um efeito colateral prático deste inchaço é que a sua versão espacial passa a sofrer de congestão nasal constante. E já que a gravidade não é capaz de manter seu ranho no lugar onde ele pertence, você acaba com a cabeça cheio de muco, o que te dá a impressão de estar sempre doente, mesmo quando você está saudável (até porque, se você realmente estiver doente, estará em sérios apuros [veja mais no tópico a seguir da lista]).

A única solução para aliviar esse sentimento incômodo é a sensação ardente da comida picante. Acredita-se que a pimenta é o único alimento capaz de obstruir a cavidade nasal, devolvendo aos astronautas a capacidade de sentir os aromas das comidas que eles ingerem.

É por isso que alimentos picantes são tão valiosos a bordo da Estação Espacial Internacional. A situação é tão desesperadora que a astronauta Peggy Whitson uma vez “brincou” de ameaçar impedir a entrada de um ônibus espacial visitante a menos que seus colegas levassem alimentos picantes como presente.

1. Se você ficar doente, você estará perdido

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Como um dos poucos sortudos que têm a chance de fugir do nosso nobre planeta, o primeiro passo para a sua preparação é… ficar isolado em quarentena. Isso se justifica porque você certamente não vai querer levar todas as nossas doenças aqui da Terra com você para o grande além – onde, aliás, até mesmo os mais inofensivos micróbios tendem a adquirir uma força, digamos assim, galática.

Você não pode correr riscos, uma vez que as bactérias com as quais estamos acostumadas se transformam em criaturas totalmente diferentes lá fora. Uma infecção bacteriana no espaço levará seu corpo a responder drasticamente reduzindo, de forma automática, a imunidade de seu organismo, o que, no final das contas, não será nem sombra de como era na Terra.

Esta não é apenas mais uma situação de “você provavelmente terá um pouco de tosse” – é realmente grave. Experimentos de laboratório com salmonelas mutantes do espaço mostram que as bactérias podem infectar camundongos (e, presumivelmente, seres humanos) com três vezes mais eficiência em um ambiente de microgravidade em comparação com uma infecção aqui na Terra.

E isso que a experiência utilizou camundongos com o sistema imunológico perfeito, apresentado no nível da Terra – não se pode afirmar o que aconteceria se a salmonela alienígena contaminasse um organismo já debilitado e com a capacidade de lutar contra intrusos devastada após algum tempo em órbita.

Pior: os medicamentos espaciais são praticamente inúteis. Remédios e vacinas também têm a tendência de perder sua potência fora do nosso planeta.

Ou seja, se você ficar doente lá fora, você estará perdido. No espaço. [Cracked]

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18 comentários

  • José Balan Filho Balan:

    Fiquei assustadíssimo com a matéria. Nunca, em nenhum lugar, alguém me havia apresentado esse lado menos glamouroso das viagens espaciais. Estou amando sentir o chão sob meus pés…

  • Dinho01:

    Esse texto deveria ser lido por aqueles malucos que querem fazer aquela viagem para Marte sem chance de volta. Eu pelo menos,perdi a vontade de realizar meu sonho de consumo de ir em viagem turística à Lua. Pelo menos,até termos desenvolvido naves espaciais mais modernas.

  • Andre Luis:

    Era exatamente uma matéria assim que eu queria ler. Eu as vezes fico imaginando como é passar um tempo na ISS, e vejo que é uma verdadeira aventura. Estes relatos da vida no espaço são apenas alguns dos inconvenientes existentes lá, pois o cheiro dentro da Iss não é nada legal, além do barulho dos equipamentos e do espaço apertado para os tripulantes que vão a bordo da estação.

  • Genioso Irreligioso:

    Mais essas agora?! eu aqui pensando em problemas como de falta de atmosfera; de pressão atmosférica; oxigênio; água; etc… 🙁

  • Alex Queiroz:

    Quando minha avó dizia que “nós estamos aqui só passando uns dias”, pensava em duas possibilidades.
    1ª) ela pensou nos recursos de nosso planeta que eram finitos;
    2ª) religiosamente falando, “o Criador” viria salvar todos os seres;
    Entretanto, com tantas divergências a cerca da verdade, os próprios seres que aqui habitam (HB, fauna e flora)com o passar do tempo desaparecerão. Espero mesmo que sejamos a fazenda de alguém. Não imagino os próprios humanos trazendo recursos de outros planetas, mas sim alguma outra forma de sermos ajudados por seres mais avançados.

  • Paulo Ferrari:

    E depois de ler este ótimo artigo, ainda tenho que escutar gente idiota falando que o “universo conspira a nosso favor” kkkkkk, que temos proteção “divina” kkk

  • Lucas Costa:

    1 razão pela qual valeria a pena: Você flutua. lol

  • pmahrs:

    São tantas bilhões de combinações de condições para que elementos inanimados criassem vida,(abiogênese) DNA e evoluísse de seres unicelulares até seres cognitivos e em bilhões de anos só na terra pelo que se sabe até agora, que é difícil não considerar ao menos a possibilidade de que não foi apenas coincidência.

    • pmahrs:

      Se existir outra forma de vida inteligente, especulo que deve ser uma lei universal ou sabedoria do que ainda não conhecemos de que dois seres diferentes inteligentes só podem coexistir num mesmo sistema planetário e tempo ou ao menos se encontrarem quando ao menos um deles forem bem desenvolvidos intelectualmente e consequentemente em tecnologia e espiritualidade; pois nos matamos por política, partido, ideologia, religião, falta dela, cor de pele, etnia, região de origem, sexualidade e até time de futebol; imagina um povo de cultura completamente diferente e supostamente superior a alguns que se julgam melhor e mais certo que todos.

    • Danilo Guarniero:

      Faz todo sentido, mas acho que você não leu o artigo.

    • pmahrs:

      Talvez você não associou “São tantas bilhões de combinações de condições” “na terra”, com as faltas destas condições no espaço e a necessidade de nos desenvolvermos mentalmente em todos sentidos e assim criar meios tecnológicos para vencer estas adversidades e nos lançarmos ao espaço e assim ter mais chances de encontrarmos outros seres sem destruí-los, como fizemos a povos nativos em períodos anteriores de descobertas de novas áreas de recursos minerais, riquezas e alimentos, mas espero irmos ao universo em busca de conhecimento que possa ser usado a nosso favor e não em busca de colônias de extração de recursos e riquezas.

      Alias acho que pode se criar tecnologia de produção de alimentos em condições adversas aqui mesmo e o desenvolvimento humano naturalmente diminui as taxas de natalidade como ocorre em países mais desenvolvidos e alguns com índices negativos.

    • pmahrs:

      Apesar de eu não saber como consegui, desculpe me se ofendi algum ateu. É só uma questão de probabilidades matemáticas. Considerando a capacidade da ciência de observar e deduzir o universo além do sistema solar e como só na terra se observa que houve tais condições, estatisticamente falando estes eventos ou coincidências são muito raros, até agora únicos.

  •  sergio dias :

    Científicamente fatos todos comprovados, mas o amigo ao escrever a reportagem se esqueceu que para uma longa e, segundo ele, tediosa permanência no espaço, dispositivos de gravidade artificial terão sido criados e TODOS esses problemas que o autor relacionou terão sido resolvidos. Claro que não se está falando aqui de “navezinha” de vai e vem na orbita e sim um veículo grande de longo curso e um número razoável de pessoas a bordo. Concordo com o colega “neutrino”. A velha Terra AINDA é o melhor lugar para nós. Mas cabe uma pergunta: e quando se esgotarem todos os recursos naturais dela para nós? Vamos simplesmente sentar no meio fio e desaparecer ou vamos fazer alguma coisa?

    • pmahrs:

      Vamos buscar os recursos naturais num planeta habitável a 2000 anos luz daqui. Não que devamos esbanjar sem pensar, mas a terra comporta vida a milhões de anos. E cada ser se adapta a sua época, basicamente precisamos de água e 1% mais ou menos de nosso peso em alimento por dia ou menos se pensarmos numa alimentação balanceada e inteligente e menos ainda em concentrados. O resto é uma questão de economia e status e interesses. Não me pareceu que o autor é contra desenvolvimento de meios protetivos ou enfrentamento destes obstáculos para sairmos pelo universo a fora, eu especulo até que isto é nossa missão.

    • Eloi:

      Vamos ou eles vão, nossos ancestrais.

    • pmahrs:

      Há!! Desculpe! Para que todos entendam “Vamos” no sentido de “nós seres humanos,” mais especificamente nossos progênitos ou descendentes; alias para ficar mais detalhado, os progênitos de quem ter descendência ascendência todos temos.

  • neutrino:

    A velha e boa terra ainda é o melhor lugar para nós.

    • Eric Musashi:

      Fomos criados aqui para vivermos aqui. Por isso é muito pouco provável que aliens venham nos visitar. Mais fácil enviarem sondas, robôs, qualquer coisa do tipo. O mais próximo de um contato seria uma sonda/robô que trouxesse uma consciência.

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