6 dos animais mais invisíveis do mundo

Por , em 12.02.2018

Alguns animais são muito bons em camuflagem e podem de fato se esconder bem em seu ambiente. Mas e quanto a tornar-se completamente invisível?

Para ser realmente transparente, um organismo não pode refletir nem absorver luz. Não é uma tarefa simples, mas alguns animais a fazem quase com perfeição.

Principalmente os que vivem no meio do oceano e têm poucas opções para se esconder. Nas profundezas, onde tudo é escuro, os predadores nem têm olhos, de forma que ser transparente não é necessário. Animais que vivem mais próximos da superfície podem emitir luz para confundir predadores. Animais que vivem próximos do chão do oceano podem se camuflar na areia ou se esconder nos corais.

Já na região oceânica conhecida como zona pelágica, nenhuma dessas alternativas está presente, e é onde a maioria dos animais invisíveis vivem – é uma característica tão popular por lá que a transparência evoluiu de forma independente várias vezes em animais completamente não relacionados.

Polvo-de-vidro (Vitreledonella richardi)


O polvo-de-vidro é quase completamente transparente. Essa criatura gelatinosa pode ter até 45 centímetros, se incluirmos seus tentáculos, e vive 300 a 1.000 metros abaixo da superfície em águas tropicais e subtropicais de todo o mundo.

É totalmente invisível aos predadores, exceto por seu sistema digestivo, nervos ópticos e olhos. Mas o animal faz de tudo para disfarçar essas partes opacas de seu corpo – por exemplo, seus olhos são alongados de forma a produzirem a menor sombra possível.

Lula-de-vidro (Cranchiidae)


Cranchiidae é uma família de lulas-de-vidro que contém cerca de 60 espécies. Elas vivem na região pelágica dos oceanos em todo o mundo, entre 200 e 1.000 metros abaixo do nível do mar.

Embora seus corpos sejam inteiramente transparentes, seus grandes olhos são opacos, o que é um problema, pois os predadores nadando abaixo delas podem facilmente ver a sombra que tais olhos lançam.

No entanto, as lulas usam uma forma inteligente de camuflagem para escondê-los. Fotóforos – órgãos sob seus olhos – produzem uma luz que parece muito semelhante à luz solar filtrada de cima, de modo que torna a lula completamente invisível para quem nada abaixo dela.

Verme marinho (Tomopteris)


Este gênero de vermes planctônicos marinhos é quase completamente transparente, o que torna extremamente difícil para os predadores caçá-los.

Paradoxalmente, pelo menos 11 espécies no grupo também podem emitir cores brilhantes e luminosas. A maioria brilha azul, mas uma espécie, Tomopteris nisseni, é uma das únicas criaturas desse tipo no planeta que pode produzir luz amarela.

Alguns vermes do gênero podem até distrair predadores liberando uma parte brilhante de seu corpo chamada parapodia, fazendo com que eles persigam o alvo errado.

Salpa (Salpidae)


Uma salpa é uma criatura completamente transparente que se alimenta bombeando água através de seu corpo gelatinoso e filtrando o fitoplâncton que há nela. Embora se pareça um pouco com a água-viva, é mais sofisticada e mais intimamente relacionada com peixes e vertebrados.

Salpas têm corações e brânquias e podem se reproduzir sexualmente. Também podem se clonar e formar colônias de organismos conectados.

Borboleta transparente (Greta oto)


Todos os animais transparentes que lhe apresentamos até agora vivem no mar, e há uma boa razão para isso. Para ser transparente, é preciso ser composto de coisas que não absorvem nem refletem a luz. Esta é uma tarefa difícil para plantas e animais que vivem em terra, porque há uma diferença muito grande entre o índice de refração dos tecidos vivos e do ar.

O índice de refração de um material descreve a rapidez com que a luz viaja através dele. A luz viaja mais rápido no vácuo. Em geral, quanto mais denso um material, mais tempo a luz leva para atravessá-lo e maior o seu índice de refração.

Como o tecido biológico é muito mais denso do que o ar, quando as ondas de luz passam pelo tecido corporal, diminuem a velocidade. Isso faz com que a luz mude suas direções e se disperse, causando reflexões que tornam o animal visível.

No mar, há menos diferença entre o índice de refração da água e dos tecidos biológicos, de modo que a transparência é uma tarefa mais fácil. Outra razão pela qual não conseguimos ver através de animais em terra é porque os organismos precisam de pigmentos como a melanina para protegê-los da radiação ultravioleta do sol.

No entanto, existem algumas exceções à regra, como essa borboleta que vive na América Central. Embora nem todo o seu corpo seja transparente, suas asas são, de forma que é difícil para os predadores rastreá-la durante o voo.

Cientistas examinaram essa parte de seu corpo sob um microscópio eletrônico e encontraram pequenos nanopilares espalhados aleatoriamente e em diferentes comprimentos. Parece que o tamanho e a distribuição aleatória dessas estruturas em nanoescala ajudam a borboleta a minimizar os reflexos de suas asas.

Caracol transparente (Zospeum tholussum)


Outra exceção à regra é um caracol translúcido (Zospeum tholussum) descoberto na caverna mais profunda da Croácia. Cientistas descobriram o animal vivendo a 980 metros subterrâneos em Lukina Jama-Trojama, em uma câmara cheia de rochas e areia com um pequeno córrego.

O bichinho pertence a um gênero de caracóis terrestres minúsculos que habitam cavernas escuras e subterrâneas e não conseguem se mover sozinhos. Os pesquisadores acreditam que eles usam água corrente para se transportarem.

Mesmo translúcido, o caracol ainda é bastante visível, o que destaca o quão difícil é para animais terrestres alcançar o que outros fazem tão facilmente nos oceanos. [BBC]

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