Opinião: monogamia é um conceito ridículo

Por , em 18.06.2015

Será que a sociedade precisa repensar suas ideias sobre amor e compromisso? O autor norte-americano Dan Savage certamente pensa que sim.

Savage, colunista premiado que escreve para diversos jornais incluindo o The New York Times, é um jornalista e ativista formado pela Universidade de Illinois que escreve principalmente sobre questões sexuais.

Suas opiniões podem não agradar a todos, mas seus argumentos merecem ser ouvidos.

O que você pensa sobre a monogamia? Queremos muito saber a sua opinião! Este é um estudo científico e leva menos de 3 minutos para responder!

Invenção cultural

Segundo Savage, nós decidimos 60 anos atrás que o homem deveria ser monógamo. Antes disso, os homens sempre tiveram concubinas, amantes e diversas esposas, mas daí nós resolvemos que os relacionamentos deveriam ser mais equilibrados. Porém, ao invés de darmos às mulheres as mesmas liberdades, nós chegamos à conclusão de que era melhor dar os homens as mesmas limitações.

Não preciso nem dizer que Savage acha que isso foi estúpido, não?

O autor sugere que a monogamia não é natural para os humanos. Para apoiar suas suposições, ele aponta as consequências dessa “imposição”: relacionamentos a curto prazo e divórcios. Ou seja, por causa da monogamia, as relações não duram mais tanto quanto costumavam durar.

Savage argumenta que a ideia de que, quando você está apaixonado, você não quer mais fazer sexo com ninguém além do seu amor é pura invenção cultural. Simplesmente, isso não é verdade. Assim, muitas inseguranças que não deveriam existir nos relacionamentos surgem: as pessoas acham que, se por acaso se sentirem atraídas por outra pessoa, não amam mais seus parceiros. E se sentem ameaçadas quando seus parceiros ficam atraídos por outra pessoa.

Mas desde quando amar alguém faz com que você comece a achar todo o resto do mundo feio?

Somos bons em monogamia?

Savage ainda propõe uma visão que pode ser considerada polêmica sobre a monogamia: ele não acha que ela seja algo preto-no-branco, mas sim um espectro – como a sobriedade de um alcoólatra, que pode ter uma recaída, mas voltar a se livrar de seu vício. Para ele, se você traiu seu parceiro poucas vezes em um relacionamento de 50 anos, você é “bom” em ser monogâmico.

O americano se considera conservador, inclusive. Ele acha que devemos fazer de tudo para preservar relacionamentos de longo prazo. É por isso que ele defende que as pessoas sejam mais realistas sobre sua capacidade de serem monógamas.

E a ciência com isso?

Você poderia me cortar agora e dizer: “Esse Savage é um idiota com opiniões pervertidas!”. Bom…

A ciência meio que concorda com ele. Por exemplo, sabemos por fato que a monogamia não é popular no reino animal: só 3% dos mamíferos são monógamos (acasalam com apenas um parceiro por um período extenso de tempo), e isso não quer dizer que sejam fiéis, sexualmente falando. Aliás, não são só os mamíferos que são desleais. Embora 95% dos pássaros formem casais por pelo menos uma temporada de acasalamento, testes de paternidade mostram que a taxa de traições é surpreendentemente alta no mundo aviário.

Tendo em vista que boa parte da humanidade aderiu ao conceito de monogamia mesmo a tendência não parecendo natural, dois estudos tentaram descobrir por que, chegando a respostas diferentes. Um deles diz que a monogamia deve-se ao compromisso dos pais em defender os filhos de outros machos, e o outro aponta que a causa é a dieta da fêmea e a distribuição de recursos.

Pepper Schwartz, professora de sociologia da Universidade de Washington em Seattle, EUA, também não acha que sejamos animais monogâmicos. “Um animal realmente monogâmico é o ganso, que nunca se acasala novamente mesmo que seu parceiro (a) seja morto (a)”, diz. Para ela, a monogamia é inventada para haver ordem e investimento, mas não necessariamente é “natural”.

Concepções errôneas

Outros estudos ainda apontam que existem muitos erros quando se trata do nosso pensamento sobre a sexualidade feminina – ou seja, embora vários cientistas tenham teorizado que a monogamia é boa para elas (justamente para que seu parceiro a ajude a cuidar do filho), estudos recentes têm provado que a variedade de companheiros faz bem para as damas também.

Isso casa com a ideia de Savage que, ao invés de forçar os homens a serem monogâmicos, deveríamos deixar as mulheres serem mais livres.

Para finalizar a rodada de argumentos bem fundamentados, um livro escrito por especialistas sugere que ficar em um relacionamento de longo prazo quando um parceiro é infiel pode ser benéfico para a pessoa. [BigThink]

E você, qual é a sua opinião em relação à exclusividade sexual?

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11 comentários

  • Francisco Costa Neto:

    Os animais disputam mulher na porrada, e elas são completamente submissas ao macho Alfa. Vamos concordar com isso também?

    • Marcelo Ribeiro:

      Depende do animal.

  • Paulo Amorim:

    Se isso fosse uma discussão lá na roma antiga, o estranhamento seria pela idéia de se ter apenas 1 parceiro. Fomos programados.

  • Leandro Fernandes Soares:

    Será que o caríssimo acadêmico especialista faz o que prega? Ele divide a mulher dele com outros?

    • Marcelo Ribeiro:

      Ele é abertamente homossexual. Então talvez divida o homem dele.

  • Binho Viana:

    Acho que pode dar certo o poliamor se no começo da relação acontecer e assim perder o escrúpulo da possessão sobre o outro.

  • Ayrton:

    Todos os acasalamentos humanos são válidos. Nem todos visam procriação. Não existe acasalamento ridículo.

  • Goncalo Sabela:

    Matéria interessante. Realmente, quando a gente ama isso não nos impede de olhar pras outras. É só a conveção social nos limita…

  • Cesar Grossmann:

    Sim, mas tem um estudo para ver se o ser humano é monógamo? Ou em que porcentagem somos monógamos ou poliamor?

    • Caio Vertigem:

      Não sei se eu concordo. Sempre fui bastante firme nos meus relacionamentos, e repudio traição. Eu acho que nasci para monogamia

    • Cesar Grossmann:

      Alguns pensamentos que me ocorreram. A mulher tem o que se chama de “estro oculto”, ou seja, ela não dá sinais visíveis de que está fértil. Ou seja, para que o homem tenha certeza da paternidade da cria, ele tem que acompanhar a mulher e praticar sexo com bastante frequência, na esperança de que algum deles resulte em fecundação. Isto para mim já é um indício de monogamia parcial.

      Além disso, tem aquele fenômeno dos divórcios quando as crianças tem mais ou menos 7 anos. Tem gente que alega que isto é uma característica genética, o homem cai fora quando as crianças já sobreviveram a fase mais difícil da infância – até ali ele ficaria com a mulher e ajudaria a alimentar ambos, mãe e filho.

      São só algumas ideias…

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