Este último olhar da sonda Cassini antes de morrer é fantástico e instigante

Nos meses que antecederam o seu último voo, em 15 de setembro, a sonda Cassini trabalhou como louca. Desde abril, ela aterrissou entre Saturno e seus anéis dezenas de vezes, enviando imagens que nos mostram o planeta em detalhes inéditos.

Ela acaba de concluir sua a última órbita completa, de acordo com o cronograma, e está prestes a mergulhar profundamente em Saturno e desaparecer para sempre. Mas isso não significa que o trabalho de Cassini tenha chegado ao fim.

A sonda segue enviando imagens e outros dados, e continuará emitindo essas informações até seu último suspiro. E a NASA acaba de divulgar duas fotos do anel B de Saturno como nunca o vimos antes.

A primeira imagem, logo acima – capturada em 4 de junho – traz detalhes em preto e branco da estrutura ondulada na seção interna do anel.

Entre luas, órbitas e anéis

A estrutura é conhecida como onda de densidade espiral Jano 2:1, porque se gera a partir da lua Jano. Esta orbita Saturno logo a seu lado, por fora do anel A.

Além de vagar em torno da borda externa do anel A com sua lua co-orbital Epitemeu, a Jano tem uma ressonância orbital junto às partículas no anel. Para cada órbita que Jano completa, as partículas do anel concluem duas. Isso cria uma onda espiral. Na verdade, é o mesmo mecanismo que origina os braços das galáxias espirais.

As ondulações não têm largura uniforme. Quanto mais longe estão de Jano, sua influência de propagação, mais próximas e unidas elas crescem. Embora a imagem pareça se afastar da área inferior direita, todas as seções do anel são equidistantes da câmera – a aproximadamente 76.000 quilômetros da sonda Cassini.

Dupla influência

Embora seu nome dê mais peso a Jano, as ondulações também não aconteceriam sem o satélite Epitemeu. As duas luas orbitam Saturno quase exatamente na mesma proporção. A cada quatro anos, a lua da retaguarda alcança e ultrapassa a lua à sua frente. O processo denota uma co-órbita. Sempre que isso acontece, uma nova ondulação se forma na espiral.

A distância entre cada uma delas é igual a quatro anos de propagação das ondulações oriundas da sua fonte. Pode-se comparar essa ocorrência aos círculos de um tronco de árvore, em que cada anel codifica a história orbital das duas luas. Os anéis no canto superior esquerdo, segundo cálculos da JPL-NASA, datam de 1980 e 1981, quando as espaçonaves da Voyager voavam por Saturno.

Em alta resolução

A segunda imagem, de 6 de julho, traz a mais alta resolução de qualquer parte dos anéis de Saturno já verificada até o momento, a uma escala de cerca de três quilômetros por pixel.

A imagem é um mosaico de cores, criado a partir de imagens fotografadas em filtros espectrais vermelhos, verdes e azuis. As faixas têm bordas excepcionalmente afiadas, de acordo com as medições de rádio da Cassini, e variam entre cerca de 40 quilômetros de largura – no caso das menores, situadas ao centro – a cerca de 300 a 500 quilômetros para as faixas mais espessas.

Não se sabe o que produz as distinções entre as cores e brilhos. Os anéis são, principalmente, compostos por água e gelo. O brilho pode sofrer influência da densidade das partículas, sua abundância e sombreamento – os pesquisadores esperam descobrir mais dados através novas observações tomadas pela Cassini antes que ela vá embora.

A queda final da Cassini tem início em 12 de setembro às 5:27 UTC. Está programada para imergir na atmosfera de Saturno no dia 15 de setembro, às 10:31 da UTC. Enquanto isso, a sonda seguirá reunindo dados e os transmitindo de volta à Terra, até que defeitos ou transmissões de comunicação falhem.

Boa sorte e vá em paz, pequena nave espacial. É nossa homenagem a um excelente trabalho bem feito. [ScienceAlert]

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