Antigo oásis é encontrado em Marte: Curiosity

Por , em 8.10.2019

Marte hoje é um planeta empoeirado, mas cientistas têm cada vez mais certeza de seu passado molhado.

Um novo estudo liderado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA) descobriu rochas ricas em sais minerais na Cratera Gale, uma bacia marciana explorada pela sonda Curiosity, que podem indicar a presença de lagoas rasas com períodos de cheias e de secas, como um antigo oásis marciano.

Os depósitos são uma possível marca das flutuações climáticas ao longo de milhões de anos no ambiente do Planeta Vermelho, sinal do período em que ele estava se transformando no mundo seco que é atualmente.

Transição de molhado para seco

Um dos objetivos dos cientistas é entender como ocorreu e quanto tempo durou essa transição climática marciana.

A Cratera Gale é provavelmente o resultado de um enorme impacto em Marte. Sedimentos transportados por água e pelo vento preencheram o chão da cratera camada por camada.

Esse incrível registro de sedimentos é um excelente campo de pesquisa para a sonda Curiosity. Cada camada revela um detalhe diferente e interessante da história marciana.

“Fomos à Cratera Gale porque ela preserva esse registro único de um planeta em mudança. Entender quando e como o clima de Marte começou a evoluir é uma peça de outro quebra-cabeça: quando e por quanto tempo Marte foi capaz de suportar a vida microbiana na sua superfície?”, explicou o principal autor do estudo, William Rapin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Sutton Island

Os cientistas encontraram os sais em uma seção da cratera com 150 metros de altura chamada de “Sutton Island”, que a sonda Curiosity examinou em 2017.

A equipe já sabia que a área tinha períodos secos e molhados intermitentes, mas os sais de Sutton sugerem que a água também era salgada. Se um lago seca completamente, ele deixa cristais de sal puro para trás. No caso de Sutton, ficaram sais minerais misturados com sedimentos, o que indica que eles se cristalizaram em um ambiente úmido.

Os pesquisadores comparam esse ambiente com os lagos salgados do Altiplano andino, na América do Sul (foto abaixo). Córregos fluindo das montanhas para o platô árido de alta altitude formaram bacias fechadas, fortemente influenciadas pelo clima, provavelmente semelhantes às da antiga Cratera Gale.

“Durante períodos mais secos, os lagos do Altiplano se tornam mais rasos e alguns podem secar completamente. O fato de não possuírem vegetação até os faz parecer um pouco com Marte”, afirma Rapin.

Elemento-chave: argila

Conforme a sonda Curiosity continua a investigar a paisagem marciana, os cientistas têm a chance de entender melhor o passado climático do planeta.

“Ao escalarmos o Monte Sharp, vemos uma tendência geral de uma paisagem úmida para uma mais seca”, disse Ashwin Vasavada, cientista da missão Curiosity, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena (EUA). “Mas essa tendência não ocorreu necessariamente de maneira linear. Mais provavelmente ocorreu de maneira confusa, incluindo períodos mais secos, como o que estamos vendo em Sutton Island, seguido por períodos mais úmidos, como o que estamos vendo na ‘clay-bearing unit’ que a Curiosity está explorando hoje”.

A sonda chegou a uma região nova chamada pelos pesquisadores de “unidade que contém argila”. Nessa área, a Curiosity se deparou com grandes estruturas rochosas que só poderiam ter se formado em um ambiente com bastante vento e/ou córregos.

“Encontrar tais camadas representa uma grande mudança, onde a paisagem não está mais completamente debaixo d’água. Podemos ter deixado para trás a era dos lagos profundos”, disse Chris Fedo, membro da equipe Curiosity e especialista no estudo de camadas sedimentares da Universidade do Tennessee (EUA).

O próximo passo da equipe é estudar melhor estas grandes estruturas rochosas para determinar se elas se formaram em condições secas que persistiram por um período maior de tempo, o que poderia significar que a região representa uma fase “intermediária” na história “molhada” da Cratera Gale.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Nature Geoscience. [Phys]

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