Assista a um pedaço do planeta se dissolver diante de seus olhos

Por , em 3.02.2014

Tudo começa com um rugido. Então há um som de algo quebrando, um barulho de sucção e batidas. Um cara, Adam LeWinter, está no telefone, e seu amigo, Jeff Orlowski, o interrompe e diz: “Está começando, Adam. Está começando…”. Os dois estão em um penhasco, com vista para um campo de gelo gigante.

O que acontece a seguir é impressionante: um enorme pedaço congelado do nosso planeta de repente se abre, divide-se em e afunda diante dos nossos olhos no mar. Acontece assim, tão rapidamente.

Apenas observando as imagens, fica difícil mensurar a dimensão do evento que se passa em apenas 75 minutos e foi a maior partição de gelo já registrada, no glaciar Ilulissat, no oeste da Groenlândia. Ao final do vídeo, porém, os cineastas sobrepõe Manhattan ao campo de gelo e aquilo que se desprende é equivalente à ponta sul da ilha: um pedaço de aproximadamente 5 quilômetros de comprimento e 3,5 quilômetros de largura. Isso sem contar que a espessura do gelo que se desprende é de mais de 900 metros – cerca de 100 metros fora d’água e o restante submerso. Você está assistindo algo monstruoso.

O vídeo vem do filme do fotógrafo James Balog, “Chasing Ice” – que, entre outros prêmios recebidos, chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Canção Original em 2013. Os dois homens que testemunham o fenômeno no início do vídeo fazem parte da equipe de Pesquisa Extrema do Gelo de Balog, que mantém dezenas de câmeras de time-lapse com vista para as geleiras da Groenlândia, Islândia, Alasca, Canadá, Montanhas Rochosas e Himalaias. Durante o dia, eles observam e gravam. Em seguida, eles compartilham o que eles vêem com cientistas e a National Geographic, e transformam as imagens em filmes e programas de TV.

O que eles estão vendo é o gelo desaparecer de topos de montanhas, de campos de gelo, dos polos. Vê-lo sumir tão rapidamente em tantos lugares, levanta a questão óbvia: quanto tempo levará até que não exista mais gelo algum?

Nós já tivemos efeitos parecidos antes na história da Terra, então é certamente possível que se repita.

Temos vivido em uma era delicada, onde, a cada inverno, pode-se fazer uma viagem para um lugar branco para ver uma montanha de neve, uma geleira distante rastejando por uma encosta, ou um iceberg à distância. Quando chega o verão, a brancura vai embora. É um lindo equilíbrio. Mas quanto tempo isso vai durar?

Henry Pollack (um emérito professor de geofísica na Universidade de Michigan, nos EUA) foi questionado sobre o assunto. “Perder todo o gelo do mundo? Acho que em algum momento entre mil e 10 mil anos engloba a maioria das probabilidades”, afirmou.

Mil anos não é muito tempo. Como Craig Childs diz em seu livro, “Apocalyptic Planet”, 10 séculos atrás os europeus estavam ocupados construindo catedrais. Comerciantes chineses estavam enviando flotilhas para o comércio com os africanos. “Eu estava achando que tínhamos mais tempo”, diz Craig.

Konrad Steffen, climatologista da Universidade do Colorado (EUA), acha que Craig está certo. Ele calcula (ou calculou, alguns anos atrás) que a Groenlândia poderia estar sem gelo em 10 mil anos, mas a Antárctica (sendo muito maior) vai levar muito mais tempo para ficar totalmente descoberta.

Este é o final. Mas é o meio do caminho que deixa tantos cientistas preocupados. Steffen diz a Childs: “A Groenlândia e a Antártida são muito remotas e foram consideradas grandes caixas de gelo que não respondiam muito rápido às mudanças climáticas. Nós não tínhamos desenvolvido um mecanismo para observá-las até a criação de satélites e lasers. Agora, vemos algumas superfícies rebaixando até 50 metros por ano”. A conta é simples: em dois anos, são 100 metros. Em seguida, 150. Ano após ano, enormes pilhas de gelo vão derreter no mar. É uma grande quantidade de água – vindo em nossa direção. [NPR]

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2 comentários

  • Cintia Vaz:

    Foi só a mim que esse vídeo lembrou o começo do filme “Um dia depois de amanhã”?

    • Emerson Ricardo Borges Bastos:

      É muito assustador, muito…!

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