Adivinha nos últimos 66 milhões de anos quando houve as maiores emissões de carbono do planeta

Por , em 27.03.2016

A taxa de emissões de carbono de hoje é maior do que a de qualquer momento nos registros fósseis, que remontam 66 milhões de anos no passado, durante a era dos dinossauros, de acordo com um estudo publicado recentemente. A nova pesquisa soa mais um alarme sobre os riscos do aquecimento global provocado pelo homem para a natureza.

Os cientistas afirmam que o ritmo de emissões eclipsa até mesmo o início da maior onda natural de registros fósseis conhecida, 56 milhões de anos atrás, que pode ter sido impulsionada por um lançamento de estoques congelados de gases de efeito estufa que ficavam sob o fundo do mar.

Esta antiga liberação de gases, que elevou as temperaturas até 5 graus Celsius e causou problemas para a vida marinha ao tornar os oceanos ácidos, é frequentemente vista como um paralelo para os riscos do atual acúmulo de carbono na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis.

“De acordo com os registros disponíveis atualmente, a presente taxa de liberação de carbono antropogênica não tem precedentes nos últimos 66 milhões de anos”, escreveram os cientistas na revista Nature Geoscience.

10 vezes mais carbono

Os dinossauros foram extintos cerca de 66 milhões de anos atrás, talvez depois que um asteroide gigante atingiu a Terra. O autor principal, Richard Zeebe, da Universidade do Havaí, afirma que os registros geológicos são vagos e não está claro “se e quanto carbono foi liberado” neste evento cataclísmico.

As emissões de carbono atuais, principalmente aquelas advindas da queima de combustíveis fósseis, representam cerca de 10 bilhões de toneladas por ano, contra 1,1 bilhões por ano distribuídos por 4.000 anos no início do aquecimento rápido de 56 milhões de anos atrás, segundo o estudo.

Os cientistas examinaram a composição química dos fósseis de minúsculos organismos marinhos no fundo do mar ao largo de Nova Jersey, nos Estados Unidos, para avaliar o aquecimento antigo, conhecido como Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno (PETM, na sigla em inglês).

Oceanos ácidos

Projeções de estudos da ONU afirmam que as temperaturas podem subir até 4,8 graus Celsius neste século, causando inundações, secas e tempestades mais fortes, se as emissões continuarem aumentando. O dióxido de carbono forma um ácido fraco na água do mar, ameaçando a capacidade de criaturas como lagostas e ostras de construir cascas de proteção.

“Nossos resultados sugerem que a futura acidificação dos oceanos e os possíveis efeitos sobre organismos calcificadores marinhos serão mais graves do que durante o PETM”, alerta Zeebe.

“Interrupções futuras de ecossistemas são suscetíveis de exceder as extinções relativamente limitadas observadas no PETM”, disse ele. Durante o PETM, peixes e outras criaturas podem ter tido mais tempo para se adaptar ao aquecimento das águas através da evolução.

Peter Stassen, da Universidade de Leuven, na Bélgica, que não estava envolvido na pesquisa, afirma que o novo estudo dá um passo para desvendar o que aconteceu no PETM. O PETM “é uma parte crucial da nossa compreensão de como o sistema climático pode reagir ao aumento de dióxido de carbono”, disse ele à agência de notícias Reuters. [Reuters]

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