Astrônomos decodificam sinal estranho vindo de um sistema estelar desconhecido composto por três corpos

Por , em 10.07.2019

Astrônomos acreditam ter identificado o motivo pelo qual uma ou duas vezes por dia um objeto estranho, na Via Láctea, “pisca” para nós. Ele é chamado NGTS-7 e se parece com uma estrela, para a maioria dos telescópios. No entanto, como esse corpo parecia estar emitindo sinais, pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, começaram a observá-lo. Assim, foi possível perceberam que a luz da estrela escurecia a cada 16.2 horas.

Ao observar o objeto mais de perto com o uso de zoom, os astrônomos perceberam que há, na realidade, duas estrelas de tamanho similar no sistema e que apenas uma delas escurece brevemente. Essa percepção levantou a possibilidade de haver algo escuro circulando sobre ou logo acima da superfície da estrela.

Agora, em trabalho divulgado no servidor de preprints arXiv, os astrônomos oferecem explicação: uma anã marrom está orbitando as estrelas em órbita tão justa que leva apenas 16.2 horas para ser completa.

De acordo com a pesquisa, esse é o menor período de trânsito, detectado até hoje, de uma anã marrom ao redor de uma estrela de pré-sequência principal ou de sequência principal. Ela é também a quinta anã marrom conhecida transitando uma estrela do tipo espectral M.

Método

Para resolver o mistério os pesquisadores aplicaram uma técnica utilizada para detectar expolanetas. A equipe mensurou como a luz diminuía quando a anã marrom passava entre as estrelas hospedeiras e a Terra. Essa baixa na luminosidade representa um sinal de transito, como um eclipse breve e parcial.

Compreender o sinal de trânsito das anãs marrons é complicado, porque elas tendem a ter um brilho esmaecido proveniente do calor interno e do calor de estrelas próximas. A anã marrom, no caso desse sistema, é aquecida pela estrala que orbita. Do lado diurno do objeto brilharia como brasa, enquanto o lado noturno seria mais escuro, no entanto, um pouco desse calor seria sugado pelos ventos em torno dela, provocando o aquecimento.

Todos esses fatores envolvidos são o que torna desafiador para os astrônomos compreenderem o que é visto.

Anã marrom

Esses objetos são dezenas de vezes maior do que Júpiter ou de grandes exoplanetas detectados por cientistas, mas não são densos o suficiente para  acender com fusão nuclear como uma estrela. Anãs marrons deveriam ser facilmente detectadas passando em frente a estrelas, devido ao seu tamanho. No entanto, menos 20 foram encontradas nessas condições, e em torno de mil foram descobertas em outros pontos da galáxia. Para se ter uma ideia do quão pequena é essa quantidade, foram encontrados milhares de exoplanetas. [Live Science, ArXiv]

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