Japão vai voltar a caçar baleias comercialmente em julho

Por , em 27.12.2018

O anúncio feito pelo Japão de que o país vai voltar a caçar baleias comercialmente deve atrair muitas críticas no mundo todo. O país vai se retirar da Comissão Internacional de Caça a Baleias (IWC, na sigla em inglês), órgão de proteção às baleias. O Japão era membro da comissão desde 1951, mas justificou sua saída dizendo que comer baleias é parte importante da cultura do país.

A IWC proibiu a caça aos animais em 1986 depois que algumas espécies foram quase levadas à extinção. O retorno do Japão à caça significa que espécies como a Baleia-de-Minke voltarão a ser visadas.

Como a caçada deve acontecer

O porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga disse que a caça comercial estará restrita às águas japonesas e zonas econômicas. Assim, a caçada não deve acontecer na Antártica e no hemisfério Sul em geral.

Uma nota do governo japonês acusou a IWC de não se dedicar a um de seus objetivos, que é a caça sustentável de baleias, e apenas se concentrar na preservação do número de animais.

Consumo de carne de baleia


Muitas comunidades costeiras do Japão caçavam baleias há séculos, mas o consumo da carne explodiu apenas depois da Segunda Guerra Mundial, quando as baleias eram a única fonte de carne disponível para a população.

O consumo despencou nas últimas décadas, e atualmente é apenas 0,1% de toda carne vendida no Japão. Estas baleias são caçadas para estudos científicos, e sua carne pode ser legalmente vendida para consumo depois do estudo. O país tem matado entre 200 e 1.200 baleias por ano, alegando que está investigando se a população realmente está sob ameaça.

Outros países que incluem a carne de baleia na dieta são Noruega e Finlândia, e eles também argumentam que esta carne faz parte da cultura deles.

Reações internacionais

O governo da Austrália anunciou que está “extremamente desapontado” com a decisão do Japão. “A Austrália permanece resolutamente oposta a todas as formas de caça comercial e também da chamada ‘caça científica’”, diz a nota.

O Greenpeace Japão pediu ao governo que reconsidere esta decisão, e alertou que isso aumentaria as críticas que o país enfrentará em junho de 2018, quando vai receber representantes do G20.

“Está claro que o governo está tentando disfarçar este anúncio no fim do ano, longe do foco da mídia internacional, mas o mundo vê o que isso é”, diz Sam Annesley, diretor executivo do Greenpeace Japão ao BBC.

Por que não há consenso?

O Japão tem tentado repetidamente conseguir cotas de caça com a IWC. A última tentativa foi feita no encontro da IWC no Brasil, no último mês de setembro.

Mas a proposta foi negada, e desde então o Japão tem simplesmente falado em abandonar a comissão. Mesmo assim, o país deve seguir leis internacionais de caça, e não está totalmente livre para caçar onde quiser. [BBC]

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