Pouco antes do fim de sua missão, sonda Cassini detectou fenômeno estranho em Satuno

Por , em 12.12.2017

Em setembro, a sonda Cassini viveu seus últimos momentos. Lançada pela Nasa em 1997 com o objetivo de estudar profundamente Saturno, suas luas e seus arredores, o robô chegou ao destino final em 2004 e soltou a sonda Huygens na superfície da lua Titan. Seus últimos 13 anos de vida foram dedicados a orbitar o planeta dos anéis e enviar dados para a Terra.

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E nem mesmo em seus momentos finais a Cassini deixou de surpreender os astrônomos, como mostra um artigo publicado no último dia 11 de dezembro na revista “Science”. Os registros mostraram que os anéis lançam sombras sobre Saturno e podem produzir um tipo de chuva – fato desconhecido até então pelos cientistas.

Segundo a “Newsweek”, o estudo analisa a ionosfera do planeta, um segmento da atmosfera superior preenchido com partículas que adquiriram uma carga magnética. Variações estranhas na ionosfera intrigaram os pesquisadores, que sugerem algumas explicações possíveis para o fenômeno. Além das nuvens criadas pelos anéis, esse comportamento anormal também pode ser explicado por ventos fortes ou por uma “chuva dos anéis” congelada.

Localizada a altitudes entre 2,6 mil e 4 mil quilômetros, a ionosfera apresenta ionização reduzida em regiões em que a radiação ultravioleta solar é bloqueada pelos anéis. Essencialmente, isso muda a atmosfera do gigante gasoso de maneiras desconhecidas até então.

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“Estas são as primeiras observações diretas da ionosfera superior de Saturno – ao invés das observações de sensoriamento remoto”, explicou o autor William Kurth, pesquisador da Universidade de Iowa, à “Newsweek”. De acordo com o cientista, esse é apenas o primeiro estudo de dezenas de outros que serão possíveis sobre a ionosfera de Saturno e suas interações com o sistema de anéis.

Essa não é a primeira vez que as chuvas dos anéis é apontada como uma explicação para os fenômenos de Saturno. Desde de 2013, os cientistas acreditam que elas podem ser a causa para misteriosos sinais de rádio, algo que vinha sendo cogitado desde os anos 1980. Ainda que sejam um forte candidato, não se pode apontar com certeza que elas são a resposta definitiva.

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“Observações de ondas de rádio e de plasma – junto com outras – irão esclarecer isso”, disse Kurth. “Novas questões virão desses estudos e fornecerão a base para possíveis missões de retorno ao sistema saturniano”. [Newsweek, Science Alert, Science]

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