Cérebro infantil é um insaciável devorador de glicose

Por , em 2.09.2014

O cérebro de uma criança de cinco anos de idade é um monstro de energia. Segundo um novo estudo conduzido por antropólogos da Universidade Northwestern, nos EUA, ele usa o dobro de glicose (a energia que alimenta o cérebro) do que o de um adulto maduro.

O estudo ajuda a resolver o antigo mistério de por que as crianças humanas crescem tão lentamente em comparação com nossos parentes animais mais próximos. A energia canalizada para o cérebro domina o metabolismo do corpo humano no início da vida e é a provável razão pela qual os seres humanos crescem em um ritmo mais parecido com o de um réptil do que o de um mamífero durante a infância.

“Nossas descobertas sugerem que nossos corpos não podem crescer mais rápido durante os anos da infância porque uma enorme quantidade de recursos é necessária para alimentar o cérebro infantil em desenvolvimento”, explica Christopher Kuzawa, autor do estudo e professor de antropologia da Northwestern. “Como seres humanos, temos muito a aprender, e a aprendizagem requer um cérebro complexo e faminto por energia”.

O estudo é o primeiro a reunir tomografia e ressonância magnética do cérebro – que mostram medida de glicose e o volume do cérebro, respectivamente – para mostrar que a idade em que o órgão consome mais recursos também é a idade em que o crescimento do corpo é mais lento. Aos 4 anos de idade, quando este dreno da glicose no cérebro está no seu auge e o crescimento do corpo diminui ao mínimo, o cérebro queima os recursos a uma taxa equivalente a 66% do que todo o corpo utiliza em repouso.

Os resultados apoiam a hipótese recorrente na antropologia que as crianças crescem tão lentamente, e são dependentes dos adultos por tanto tempo, porque o corpo humano precisa desviar uma enorme fração de seus recursos para o cérebro durante a infância, deixando pouco a ser dedicado ao crescimento do corpo. A descoberta também ajuda a explicar algumas observações comuns que muitos pais fazem.

“Depois de uma certa idade, torna-se difícil dizer a idade de uma criança pelo seu tamanho”, diz Kuzawa. “Em vez disso você tem que ouvir a sua voz e ver o seu comportamento. Nosso estudo sugere que isto não é um acidente. O crescimento quase para nas idades em que o desenvolvimento do cérebro está acontecendo em um ritmo relâmpago, porque o cérebro está minando os recursos disponíveis”, esclarece.

Anteriormente acreditava-se que a carga de recursos do cérebro em relação ao corpo era maior no nascimento, quando o tamanho do cérebro em relação ao corpo é maior. Os pesquisadores descobriram que, na verdade, o cérebro atinge o máximo de sua utilização de glicose com 5 anos de idade. Aos 4, o cérebro consome glicose a uma taxa comparável a mais de 40% do total das despesas de energia do corpo.

“O pico de gastos de energia do cérebro em meados da infância tem a ver com o fato de que as sinapses, conexões no cérebro, estão no auge nessa idade, quando aprendemos muitas das coisas que precisamos saber”, afirma Kuzawa.

“No seu auge na infância, o cérebro queima cerca de dois terços das calorias que todo o corpo utiliza em repouso, muito mais do que outras espécies de primatas”, compara William Leonard, coautor do estudo. “Para compensar essas demandas de energia pesadas ​​de nossos grandes cérebros, as crianças crescem mais lentamente e são menos ativas fisicamente durante esta faixa etária. Nossos resultados sugerem fortemente que os seres humanos evoluíram para crescer lentamente durante este tempo, a fim de liberar o combustível para a nosso ocupado cérebro infantil”. [Medical Xpress]

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