Cientistas têm mais informações sobre “ovo” de cristal gigante em mina de prata

Por , em 16.10.2019

Perto da cidade de Pulpí (Espanha), há uma mina de prata abandonada. Nesta caverna há uma abertura vertical que leva pessoas para uma caverna a 50 metros abaixo da superfície. Esta câmara não se parece com nenhuma outra no mundo.

A caverna tem formato de ovo e sua superfície de cristais transparentes é cheia de pontas afiadas. Este é um dos maiores geodos conhecidos no mundo, formações rochosas que ocorrem em rochas vulcânicas ou sedimentares.

É possível entrar nesta sala de cristais que foi descoberta há apenas 20 anos – várias pessoas cabem nos 11 m³ da cavidade.

Outra caverna belíssima é a Caverna dos Cristais da mina Naica, no estado mexicano de Chihuahua.

“Descobrir a formação [da caverna espanhola] tem sido uma tarefa muito difícil porque ao contrário do caso de Naixa, onde o sistema hidrotérmico ainda está ativo, o grande geodo de Pulpí é um ambiente fossilizado”, diz o geólogo e especialista em cristais Juan Manuel García-Ruiz, da Universidade de Granada (Espanha). Ele acaba de publicar um trabalho sobre esta caverna.

No estudo, García-Ruiz e seus colegas tentaram reconstruir a história geológica do geodo, analisando amostras do ambiente mineral ou geoquímico do ambiente, além de mapear em detalhes as estruturas geológicas da mina que cerca a câmera de cristais.

De acordo com os pesquisadores, os cristais de selenite cresceram através de um “mecanismo auto-alimentador”, por conta da grande presença de sal oriundo da dissolução de anidrita.

Esse processo acontece a uma temperatura de cerca de 20°C, e foi amplificado por um fenômeno chamado maturação Ostwald, em conjunto com oscilações de temperatura que a que o geodo foi exposto.

O que os pesquisadores não conseguiram determinar com exatidão foi a idade da formação do cristal. O pesquisador afirma que os cristais têm provavelmente mais do que 60 mil anos e menos do que 2 milhões de anos.

Ou seja, este é um intervalo enorme, e novos estudos na área são necessários para conseguir determinar melhor a idade dos cristais.

Enquanto isso, quem quiser ver esta beleza de perto já pode entrar na mina e na caverna. O governo espanhol abriu em agosto de 2019 a liberação para visitação de turistas. [Science Alert, Geology]

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