Arqueólogos exploram caverna maia intocada há mais de mil anos

Por , em 11.03.2019

Centenas de artefatos maias incrivelmente bem preservados, protegidos por um tesouro arqueológico chamado Balamkú (“a caverna do deus jaguar”), foram encontrados no México.

“Balamkú vai ajudar a reescrever a história de Chichén Itzá”, disse o arqueólogo Guillermo de Anda, do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, diretor do Grande Projeto Aquífero Maia.

A descoberta da caverna

Luis Un era apenas um garoto quando visitou a caverna pela primeira vez. Era 1966 e os fazendeiros haviam tropeçado na gruta oculta por acaso. Eles alertaram um proeminente arqueólogo mexicano, que prontamente lacrou sua entrada. Décadas se passaram, o estranho lugar foi esquecido. Mas não por Luis Un.

Em 2018, Un, agora com 68 anos, levou arqueólogos de volta a esse segredo nunca perturbado sob a antiga cidade maia de Chichén Itzá, ao longo da borda norte da península mexicana de Yucatán.

O que ele contém, os pesquisadores anunciaram nesta semana: a descoberta mais importante na região desde os anos 1950.

“As centenas de artefatos arqueológicos, pertencentes a sete [câmaras de oferendas rituais] documentadas até agora, estão em um estado extraordinário de preservação”, afirmaram.

Importância das cavernas para os maias

De acordo com a equipe, nos períodos do clássico tardio (700-800 dC) e clássico terminal (800-1000 dC) da civilização maia, as secas na região de Yucatán obrigaram seus antigos habitantes a procurar água em outro lugar.

Em sumidouros naturais chamados cenotes e nos vastos sistemas de cavernas ramificando-se deles, os maias encontraram não apenas água vital, mas algo mais: a divindade.

“Para os maias antigos, cavernas e cenotes eram considerados aberturas para o submundo”, explicou o antropólogo Holley Moyes, da Universidade da Califórnia (EUA), à National Geographic. Moyes não esteve envolvido com o estudo.

Sendo assim, tais cavernas são alguns dos espaços mais sagrados para os maias. “Também influenciaram o planejamento do local e a organização social. São fundamentais, extremamente importantes para a experiência maia”, completou Moyes.

Balamkú

Essas gigantescas cavernas submersas habitadas há muito tempo podem produzir tantos segredos sobre a misteriosa cultura maia quanto as igualmente épicas moradas construídas acima do solo.

Uma das mais famosas dessas estruturas é El Castillo – também conhecido como o Templo de Kukulcána, uma impressionante pirâmide que forma um dos marcos centrais de Chichén Itzá. Curiosamente, ela está a menos de três quilômetros da caverna recentemente explorada.

Esta proximidade faz de Balamkú, e dos mais de 200 artefatos que contém, um achado verdadeiramente admirável.

“Como permaneceu fechada por séculos, contém informações valiosas relacionadas à formação e queda da antiga ‘Cidade dos Magos da Água’, e sobre aqueles que foram os fundadores deste local icônico”, esclarece de Anda.

Os itens encontrados até agora incluem incensos e recipientes para alimentos e bebidas, muitos com a iconografia de Tlāloc, o deus da água e da fertilidade que aparece em diferentes formas nas antigas culturas mesoamericanas.

Próximos passos

Alguns dos artefatos contêm traços antigos de alimentos, ossos, minerais e sementes. Ao analisá-los, os pesquisadores poderiam aprender ainda mais sobre as pessoas que habitaram esse espaço tantos anos atrás.

Além disso, podemos esperar novas descobertas, já que a caverna se estende por centenas de metros, que ainda precisam ser explorados em profundidade.

Parte da razão pela qual os artefatos estão tão bem preservados em Balamkú é porque a caverna é um recanto inacessível e um esconderijo natural – os arqueólogos tiveram que se curvar e se arrastar para viajar através dela, especialmente em trechos que têm apenas 40 centímetros de altura. Também não há muito oxigênio.

O próximo passo da equipe é procurar por uma possível ligação subterrânea com a pirâmide vizinha.

De qualquer forma, os objetos encontrados já servem como uma inestimável conexão tangível entre uma cultura desaparecida e os exploradores de hoje. “Eu não conseguia falar, comecei a chorar [quando entrei na caverna pela primeira vez]. Você quase sente a presença dos maias que depositaram essas coisas lá”, disse de Anda à National Geographic. [ScienceAlert]

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