Raríssimo “peixe cego” do Brasil é novamente avistado

Por , em 16.05.2010

A pequena cidade de Jaíba, no norte de Minas Gerias, possui uma raríssima notoriedade científica. Não, não estamos falando que lá existe uma universidade tecnológica ou um observatório espacial. A fama está realcionada a um peixe cego, que foi visto pela primeira vez na água de um poço artesiano da cidade de 30 mil habitantes, no ano de 1962. De lá para cá, pouco se estudou sobre o Stygichthys typhlops, chamado por aqui de “peixe cego”. Não se observou essa espécie em nenhum outro lugar do mundo até hoje.

Na verdade, não se havia nem mesmo observado um outro exemplar deste peixe, depois daquele capturado há quase 50 anos. Ele foi levado para pesquisas e estudado por um cientista americano. Agora, uma expedição da Universidade de São Paulo (USP) está recapturando os misteriosos peixes cegos. A única fonte para isso são os poços que abastecem de água a semi-árida cidade de Jaíba. Montando esquemas de “pesca” nos dois poços disponíveis (os demais estão secos), eles conseguiram capturar 43 destes peixes, que agora estão sendo analisados mais a fundo.

O Dr. Cristinano Moreira, que coordena o projeto, afirma que estes peixes de Jaíba podem ser os últimos representantes de uma espécie quase totalmente extinta. O Stygichthys typhlops é um parente próximo das piranhas. A grande diferença: ele é incapaz de enxergar. Como se trata de um peixe muito pouco estudado, vários aspectos sobre a espécie ainda são um mistério, e o maior objetivo da pesquisa é justamente jogar uma luz sobre o assunto.

Além de ser cego, o peixe também não tem pigmentação. Estas características, segundo os cientistas, são uma adaptação do peixe ao fato de viver em águas profundas. De fato, seus parentes mais próximos, que vivem em águas superficiais, apresentam coloração e têm a visão normal.

Uma teoria diz que havia exemplares do peixe-cego vivendo na superfície no passado, mas a seca os levou à extinção. Assim, só sobreviveram os que vivem nas profundidades. Sabe-se que as alterações ambientais têm um profundo impacto nas bacias hidrográficas do Brasil e do mundo, o que leva algumas espécies animais à extinção. Os peixes não estão livres dessa ameaça. [BBC]

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8 comentários

  • César Sá Bartzen:

    O peixe da imagem não é o peixe em questão. Existem várias espécies de peixes trogomórficos no Brasil, isso pode gerar confusão.
    Atualmente são conhecidas 166 espécies válidas de peixes
    troglóbias no mundo (Proudlove 2010) e o Brasil desponta
    com registro de 25 espécies (19 válidas e seis não descritas
    formalmente), a maioria incluída em listas de fauna ameaçada
    (Trajano & Bichuette 2010a). Na atual revisão da
    Lista, já homologada em 2011 pelo Instituto Chico Mendes
    para Conservação da Biodiversidade (ICMBio), foram
    adicionadas nove espécies, além das cinco propostas em
    2005 (Machado et al. 2008). Note-se que, além de algumas
    espécies ainda não descritas, Pimelodella spelaea, Rhamdia
    enfurnada e Phreatobius dracunculus também não foram
    avaliadas na última oficina da IUCN, entretanto, estas serão
    consideradas em oficinas de avaliação futuras.

  • Luiz Rios:

    Um ABSURDO!

    Como um “pesquisador-predador” faz dezenas de capturas em uma população endêmica, rara e em risco de extinção?

    Para quê tantos espécimes?

    NADA justifica um depleção tão desastrosa em uma comunidade desta forma!!!

    Ele extermina a espécie para publicar papers…

  • Williams:

    Lucas, “capturar !TODOS! os peixes para anásiles foi ótimo”!!!

  • Patrix:

    Andre… todos somos…. 😉

  • Andre:

    Patrix , vc é cientista ? ¬¬

  • Patrix:

    Parente próximo das Piranhas?
    Muito estranho, pela imagem parece um Siluriforme (cascudo)…

  • Lucas Ditongo:

    Acho isso fantástico, inclusive capturar todos os peixes para análise.

  • rdt:

    Correção: na reportagem original, ele fala em Universidade Federal de São Paulo – ou seja, Unifesp. Na tradução, foi posto USP (Universidade de São Paulo – que é estadual).

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