Como as telenovelas mudaram o mundo

Por , em 2.05.2012

Muitas vezes as novelas não são vistas como bons exemplos para a sociedade. Quem é que não se lembra da Nazaré, da Senhora do Destino? Na época da novela, a vilã que sequestrou um bebê inspirou negativamente algumas mulheres a fazerem o mesmo. Outros exemplos não faltam. Sempre tem um personagem materialista e nefasto que fazem com que as novelas pareçam mais rasas e vazias do que promotoras de mudanças sociais.

Mas, em todo o mundo, o gênero tem conseguido proporcionar um “entretenimento educativo” – uma mistura de mensagens de serviço público e melodrama, que atingem milhões de espectadores. Confira abaixo algumas das boas mensagens que novelas passaram ao público pelo mundo.

América Latina: Novos costureiros

Simplesmente Maria foi uma telenovela brasileira veiculada na extinta TV Tupi em 1970, inspirada na novela peruana de mesmo nome. A história de uma empregada doméstica que fez fortuna com suas habilidades na máquina de costura ficou extremamente popular em toda a América Latina e levou a um rápido aumento nas vendas de máquinas de costura.

Simplesmente Maria era especialmente popular no México. Lá, houve rumores que mais pessoas assistiam a novela do que os jogos da Copa do Mundo de 1970.

México: Alfabetizando a população

O escritor de novelas mexicano Miguel Sabido começou a estudar o fenômeno do Simplesmente Maria. Ele tinha escrito várias novelas populares no México, mas de conteúdo vazio. O que ele queria era mudança social. Sabino elaborou uma metodologia em que escritores poderiam criar uma novela que fosse ao mesmo tempo popular e educacional.

Em 1975, metade da força de trabalho do México era analfabeta. Sabino criou uma série chamada “Ven Conmigo”, em que um homem idoso se alfabetizou e leu uma carta de sua filha pela primeira vez, em uma emocionante cena.

Durante a série, um centro de distribuição nacional forneceu cartilhas de alfabetização gratuitas. 250 mil pessoas foram pegar suas cópias da cartilha, e o programa governamental de alfabetização aumentou nove vezes ao longo de um ano.

No Brasil, uma novela também teve o objetivo de alfabetizar. João da Silva, de 1974, era exibida na TV Cultura e conta a vida de um homem que se arrisca no Rio de Janeiro para completar seus estudos. A telenovela misturava teledramaturgia com um curso supletivo de ensino fundamental. Foi um dos primeiros projetos inovadores de alfabetização pela televisão.

Índia: Se case por amor!

Em 1984, Sabino foi convidado para escrever uma série na Índia. Lá, ele criou Hum Log, uma série que debateu grandes questões sociais do país, e atraiu uma audiência regular de mais de 50 milhões de pessoas. Uma das personagens, uma menina de família hindu, se apaixona por um muçulmano, e outro personagem quer se casar com uma mulher de casta inferior.

Cada episódio terminava com uma mensagem do famoso ator Ashok Kumar, que incentiva o espectador a discutir as questões levantadas no programa. Ao longo da série, que durou 17 meses, a produção recebeu mais de 400 mil cartas de jovens telespectadores, suplicando-lhes para convencer seus pais a deixá-los se casar com o homem ou a mulher de sua vida.

Índia: Igualdade feminina

Como muitas pessoas pobres ainda não tem televisão na Índia, a PCI Media Impact resolveu atingir mais pessoas através do rádio. Em 2002, eles criaram uma novela veiculada nas rádios chamada Taru, que desafiou o tratamento preferencial dos meninos sobre as meninas.

Pesquisadores da série revelaram que meninas no estado de Bihar, em sua parte rural, não celebram seus aniversários. Eles decidiram contar a história de uma menina corajosa que pede e consegue uma festa pela sua família. Depois disso, ouvintes de toda a região começaram a preparar festas de aniversários para as meninas pela primeira vez.

Brasil: Primeiro beijo gay

O primeiro beijo lésbico em uma novela brasileira só aconteceu no ano passado, em Amor e Revolução (SBT). O beijo, que durou 40 segundos, aconteceu exatamente uma semana depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o reconhecimento da união estável homoafetiva.

Se as histórias de beijos gays em novelas ainda é polêmica, no passado era muito mais. Quando dois homens se beijaram pela primeira vez na televisão aberta inglesa, surgiram manchetes no jornal do tipo “Tirem isso de nossas telas!”.

África: Saúde sexual

Várias novelas no leste da África têm desafiado tabus ao discutir questões da saúde sexual. Uma série no Sudão contou a agonia de uma menina que sofreu mutilação genital. Entre 2004 e 2006, quando o programa estava no ar, as pesquisas sugeriram uma crescente oposição à prática.

Uma série na Etiópia, entre 2002 e 2004, conseguiu fazer com que os jovens aumentassem a preocupação com métodos contraceptivos. Depois da novela, uma pesquisa indicou que um quarto da população que buscava aconselhamento contraceptivo em centros de saúde tinham se inspirado na série.

Afeganistão: Menos mortes em minas terrestres

Em 1994, quando os talibãs estavam no poder no Afeganistão, uma equipe da BBC criou uma novela de rádio que promoveu os direitos das mulheres e informava os ouvintes sobre como evitar o perigo de minas terrestres, que se espalharam pelo país. De acordo com pesquisa realizada pela ONU, os ouvintes regulares do programa eram duas vezes menos propensos de serem mortos por uma mina terrestre. [BBC]

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9 comentários

  • pmahrs:

    Só para ilustrar a quem eventualmente possa interessar, uma vez que sabemos que é totalmente desnecessário aqui: Existe o país Africa do Sul e o continente chamado África onde se encontra vários países como Etiópia e Sudão no leste, como fala a matéria. O sudão recentemente se dividiu dando origem a mais um país, o Sudão do Sul. Não me parece que que houve erro de geografia na matéria.

  • pmahrs:

    Muitos falam que brasileiro só pensa em novela e futebol, mas muitas de nossas novelas são exportadas para países ricos e pagam fortunas para nossos melhores jogadores lotando estádios muito mais que aqui. Vamos deixar de complexo de vira-latas e se levar por bordões e modinhas de internet. Livros também têm muitos tão eróticos, alienadores, idiotas, manipuladores e emburrecedores tanto quanto novelas e programas ruins. Se TV poder influenciar nossos filhos mais do que nós mesmo então estamos falhando como pai, e assim qualquer um mal intencionado com carisma, boa retórica e falsa compreensão poderá fazer o mesmo na rua, internet ou escola.

    • pmahrs:

      Não podemos delegar para a TV a atribuição se informar e zelar pela moral e educação de nossos filhos. Temos que tomar como obrigação nossa e ter mais de uma fonte de informação e conhecer dados internacionais que a mídia local não mostra; de preferência de órgãos livres de governos e anunciantes e válidos no mundo todo, se delegarmos vão nos mostrar só o que interessa a eles.

      Todos querem fazer nossa cabeça e de nossos filhos para que acreditemos neles; desde traficantes e aliciadores até apresentadores, escritores e vendedores de carro, revista empresas de fast food, tabaco, bebidas, refrigerantes além de ateus, religiosos, fracassados revoltados, bem sucedidos querendo mais, eleitos, frustrados em eleições e entre eles muitos intelectuais com bons e floridos argumentos em perfeito e bonito português, embora alguns não passe nem num simples analise com matemática básica ou estatístico, o que é difícil para quem é mais sugestivo a truques de persuasão, mas não podemos condenar por isto num país de tantas diferenças, embora alguns mais instruídos que a maioria se levem por bordões e frases de efeito e campanhas de mídias.

      A TV tem o poder de generalizar tudo de ruim do Brasil ou mundo inteiro em 3 dias e jogar em menos de meio metro quadrado de tela em 30 minutos. Eu caipira, a um mês fui para a cidade de São Paulo, conhecer o ap de meu filho; só de ver alguns trechos destes telejornais de baixo nível da tarde, eu andava igual um ninja em SP enquanto crianças brincavam na calçada, até meu filho me convencer que não tinha perigo, mas mesmo assim deixei o dinheiro principal na meia

      O importante, mesmo em longo prazo, é aprendermos a sentir em nossa volta por nós mesmo e em nosso bolso primeiro, e não pelo que TV fala de um ou outro caso espalhado pelo Brasil. Só depois decidir o que queremos para nós e nossa família e ai até pode escolher um líder ou corrente que mais se molde ao que queremos e não ser moldado por ele.

  • Isaac Otávio Ferreira:

    Acho um verdadeiro absurdo ninguém fazer nada, sobre o que a Rede Globo está fazendo com as famílias brasileiras entupindo nossas telinhas com essas novelinhas de quinta categoria, onde a imoralidade e o desrespeito entre as pessoas, têm sido a tônica do enredo. Aliás eu acho também, que atores famosos e já consagrados pela crítica, não deveriam se prestar a interpretar certos papéis degradantes, pois estariam prestando bons serviços a sociedade brasileira.

  • (S.S):

    Dentre milhares de questões possíveis, o Brasil precisa de uma novela que explique a todos que a AFRICA NÃO É UM PAÍS.
    Hyperscience, a matéria pormenorizou todos os países e seus casos – mas colocou ETIÓPIA e SUDÃO como “Africa”.
    Não percebemos essa prática, mas ela precisa mudar. Não gostamos quando dizem que nossa capital é Buenos Aires. Porque induzir mais ainda a desinformação sobre as culturas e paises completamente diferentes entre si, no continente africano?
    #FikDik

  • Junior:

    pra quem não se lembra das novelas, vou resumir todas.
    a personagem principal é uma mulher que gosta de um cara mas por sabe se lá o que, sempre que eles podem ficar juntos alguma coisa acontece e separa, o mais incrível é que mesmo assim eles conseguem ter um filho e que depois ninguém sabe os seus genitores, e que aproposito não vai ter função nenhuma alem de aparecer em programas da tarde no dia das crianças.
    a personagem principal é a pessoa mais amável do planeta mas mesmo assim tem um monte de inimigos, o principal é justamente aquela que quer roubar o homem que ela gosta, no meio da novela elas se esbofeteiam com efeitos sonoros que parecem alguém esticando e soltando um elástico, mais pro final da novela os dois principais estão com outras pessoas e no final eles se casam.
    e digam UMA novela que não se parasse com isto…

  • Emerson Costa:

    Infelizmente o exemplo que vemos na novela que hoje passa é de VINGANÇA, MÁGOA e DESRESPEITO ao próximo…

  • Wesley Leandro:

    No Brasil pelo menos, contribuíram para a decadência moral e a ignorância da população, transformando as classes baixas em massa de manipulação

    • Renata Lima:

      Ah não colou, no Brasil novela serve como massa de manobra, burrificação em alta escala, manipulação de opiniões, construtora de intrigas, falso moralismo e ignorância cronica!

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