Como médicos reconstroem seios

Por , em 15.05.2013

Após se submeter a mastectomia dupla para prevenir o câncer de mama, a atriz Angelina Jolie passou por uma outra cirurgia, desta vez para reconstruir os seios. “Houve muitos avanços neste processo, nos últimos anos, e os resultados podem ser bem bonitos”, falou.

A reconstrução da mama, no entanto, não é indicada para todas, conforme explica o cirurgião plástico de Detroit (EUA), Dr. Anthony Youn. Mas estudos apontam que as mulheres que se submetem a reconstrução imediatamente após a mastectomia se beneficiam psicologicamente. “Para a maioria das mulheres, seus seios são realmente uma parte de como elas se veem. Quando os tiram, é como se estivessem perdendo uma parte de si, e uma parte com a qual se identificam como mulher”.

A maioria das pacientes que quer prosseguir com a reconstrução tem opções disponíveis, diz o cirurgião no Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, em Nova York (EUA), Dr. Colleen McCarthy. Existem dois tipos principais para escolher: implantes ou reconstrução utilizando o próprio tecido da paciente.

Algumas pacientes têm uma história de tratamentos de radiação para câncer de mama, o que pode impedi-las de receber implantes (radiação pode causar cicatrizes, o que torna a pele menos flexível), outras não têm tecido doador disponível suficiente em seu corpo para usar em uma reconstrução. A decisão fica a cargo da preferência e da possibilidade da paciente, explica McCarthy.

Se a paciente opta por ter implantes de mama, geralmente há dois procedimentos envolvidos. O primeiro é feito para colocar um extensor de tecido sob o músculo na cavidade do peito. Ao longo dos próximos meses, a expansão recebe injeções de salina regularmente para alongar o músculo.

“Se você colocar um implante no peito, ele provavelmente irá ceder, porque não há nada para segurá-lo”, explica Youn. “Esta opção permite que a paciente decida o tamanho de implante mais confortável. As mulheres que escolhem reconstrução por implante muitas vezes optam por seios um pouco menores ou maiores (do que seu tamanho original da mama), dependendo de quanto a pele estica”, complementa McCarthy.

A segunda cirurgia de implante envolve a colocação do implante permanente – ou preenchido com um gel de silicone ou de solução salina – na cavidade alargada. Este procedimento normalmente leva entre 1,5 e 3 horas, segundo Youn. “É geralmente mais fácil, menos doloroso e menos invasivo do que a segunda opção, utilizando o próprio tecido do paciente”.

A segunda opção é a cirurgia mais complexa e tem um longo período de recuperação. As pacientes geralmente a escolhem porque é feita em um único procedimento e elas querem um resultado mais natural. Seios reconstruídos com tecido do paciente são mais suaves e envelhecem como uma mama normal.

Neste procedimento, o tecido é retirado do paciente – na maioria das vezes a partir da sua área abdominal – e movido para o peito. Isto pode ser feito com ou sem o músculo e há várias maneiras de manter o sangue que flui para o tecido. Estas decisões dependem de quanto tecido e/ou fluxo sanguíneo está disponível para o cirurgião trabalhar. “Outras opções incluem uso de tecido na parte de trás, coxas e nádegas”, diz McCarthy.

Com os dois tipos de reconstrução da mama, a paciente deve manter alguma sensação. Mas dormência deve ser esperada depois

No Brasil

De acordo com a Lei brasileira nº 12.802/13, o SUS (Sistema Único de Saúde), quando existirem condições técnicas, é obrigado a realizar a reconstrução da mama juntamente à retirada da mesma. No caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia logo após alcançar as condições clínicas requeridas.

O Ministério da Saúde afirma que a cirurgia reconstrutora já era feita na rede pública antes mesmo da lei. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o Brasil tem 181 locais credenciados pelo Ministério da Saúde para fazer a cirurgia reparadora. No ano passado, foram feitas 1.394 cirurgias pelo SUS, com investimento superior a R$ 1 bilhão.

O Inca estima que cerca de 52.000 mulheres sejam diagnosticadas com câncer de mama por ano no Brasil, a maior incidência de neoplasia em mulheres, que leva à morte 11.000 pessoas por ano aqui.[CNN], [AgênciaBrasil 1 e 2]

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