Como modificar seu cérebro por vontade própria

Por , em 9.07.2012

Será que o vício em cigarro acontece exclusivamente por dependência química à nicotina? Ou é o cérebro quem se acostuma a responder com relaxamento e bem-estar ao ato de jogar fumaça para dentro dos pulmões?

Uma neurologista norte-americana, Charlotte Tomaino, se dedicou a investigar a segunda opção: como o cérebro pode ser “moldado”, ao longo dos anos, devido à repetição de hábitos de vida?

Como resultado de mais de 30 anos de extensas pesquisas neste campo, escreveu o livro “Awakening the brain” (expressão em inglês para “acordando o cérebro”, embora ainda não haja uma versão em português da obra), no qual explora a maneira como podemos manipular, até certo ponto, a forma como nosso cérebro funciona. É a neuroplasticidade.

Massa de modelar

A neurologista explica que o funcionamento interior de cérebro, com trilhões de conexões neurais, está em constante mudança. Obviamente, não controlamos a maior parte dessas alterações: o cérebro age “por si mesmo”.

Mas Charlotte explica que podemos impor nós mesmos um limite ao livre arbítrio do cérebro, e programá-lo para trabalhar de determinada forma em várias situações. O método para forjar o cérebro é simples: repetição das mesmas atitudes que resultem na mesma resposta corporal, ou seja, criar hábitos.

Colocando em termos práticos: por que é tão difícil seguir adiante com aquele entusiasmo inicial de fazer exercícios na academia diariamente? A neuroplasticidade explica.

Como o cérebro de um sedentário não está acostumado às alterações corporais decorrentes da atividade, ele precisa ser moldado. Durante este período, a pessoa determinada a não largar a academia precisa de força redobrada, até ser lapidada mentalmente.

Quando isso acontece, os papéis se invertem: fazer exercícios se torna um vício, tal como o cigarro, e o corpo fica incomodado justamente se não se movimentar. O cérebro, nesse ponto, já se acostumou a usufruir os benefícios da liberação de endorfina no corpo, e responde conforme esta necessidade. Desta forma, a neuroplasticidade é válida para vícios bons e ruins.

Oito ou oitenta

O cérebro é um órgão que se atualiza mais constantemente do que imaginamos. Sempre é tempo de adquirir um novo hábito (que pode exigir mais ou menos força de vontade) e incluir este procedimento na “lista de tarefas” do cérebro.

Da mesma forma que pode-se moldar, contudo, pode-se “desmoldar” conforme você o programa. Da mesma forma que se adquire um novo hábito, pode-se perder. Utilizando mais uma vez o exemplo do exercício físico: não adianta você ter sido um atleta regular até os 25 anos de idade. Se tiver caído no sedentarismo logo depois, vai sofrer como alguém que jamais se exercitou se quiser voltar à ativa depois dos cinquenta.

Nossa mente tende sempre a descartar gradativamente (até chegar ao zero) tudo aquilo que não está sendo usado, e fica apenas com o que é corrente, atual. Assim, o cérebro de um sedentário de 50 anos mal vai “lembrar” da época em que aquele corpo estava em forma. Mais um exemplo de como a neuroplasticidade atua para o bem e para o mal. [CNN/Awakening the Brain/Life Training News]

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21 comentários

  • Ivan Ferrer:

    Eu não chamaria isso de lavagem cerebral, mas de uma atualização do cérebro, um “upgrade”… aquilo que vc aprendeu não se apaga assim tão fácil, fica guardado como conhecimento e experiência.

  • Rafael Zimmermann:

    Muito bom, mas nada de novo. Budistas descobriram isso a mais de 2600 anos atrás e ainda formularam um metodo muito mais facil e mais eficaz para alterar o cerebro (que tambêm jo foi comprovado pela ciência atual) qué é a meditação. A própria revista Hyperscience já publicou diversas reportagens a respeito. Recomendo. Comecei a meditar a 5 anos atrás e não consegui parar mais, tamanho os benefícios a nível, de concentração no dia a dia, bem estar, aceitação, compaixao, consciencia…

    • Cesar Grossmann:

      Rafael, uma coisa é alguém fazer uma afirmação e usar de evidências anedóticas para comprovar. Outra coisa bem diferente é avaliar a afirmação de forma metódica, com testes criteriosos e repetitivos, e análise estatística de resultados.

      Além do mais, o conhecimento dos monges não responde o “como” nem o “por que”. Nem mesmo o “quando” (será que sempre acontecem mudanças no cérebro, e elas sempre são as mesmas?).

  • Luiz Fernando Martins:

    O assunto é instigante, estimula a conjecturar que o cérebro humano é um verdadeiro DNA gigante, o invisível que tomou forma e agora quer dominar tudo e transformar em sua imagem e semelhança. É domínio da cibernética biológica nas mãos de uma espécie interessante, maravilhosa, mas extremamente perigosa.

  • Arnaldo Pereira:

    …Por essa razão, eu digo a todos aqueles que querem deixar de fumar que é muito simples.
    Fumam porque estão habituados. Para deixar de fumar basta habituar-se a não fumar.
    Isto é, basta substituir um hábito por outro!
    Foi o que eu fiz há mais de dez anos!!!

  • aguiarubra:

    BODIVINO

    Essa “coisa” de neuroplasticidade é “prima pobre” das técnicas de lavagem cerebral. Sobre Lavagem Cerebral (leve!?) veja:

    – A BATALHA PELA SUA MENTE: Técnicas de Persuasão e Lavagem Cerebral Sendo Usadas Atualmente No Público, por Dick Sutphen

    – Assista também o filme ‘O Ovo da Serpente’, que retrata a Alemanha da República de Weimar, onde os nazistas fizeram o primeiro grande experimento de mudança de comportamento em massa da História e tornaram a lavagem cerebral num procedimento rigoroso e eficaz!

    E vc bem sabe que os nazistas eram profundos pesquisadores de arcanos místicos. E vc também sabe até onde os nazistas chegaram em termos de tecnologia no ocidente.

    Ora, a nossa “pobre” Ciência está ainda longe de alcançar o significado e o conhecimento que tinham egipcios e mesopotâmicos (explorados por nazistas) sobre a “plasticidade” da mente, por causa das necessárias limitações do método empirista-reducionista que usam em seus experimentos PÚBLICOS (POIS não se divulga o que se experimenta secretamente, né?).

    Ouvi de um egiptologista da USP, numa palestra em 2001 na Estação Ciência, que tudo o que foi descoberto do Egito soma apenas 10%, visível aos turistas: os outros 90% estão escondidos nas areias do Saara e a instabilidade política da região impossibilita o desenvolvimento de mais pesquisas.

    Ele disse para a audiência que os templos egipcios representam uma “máquina” para contato com o mundo dos espíritos (ou diríamos hoje, para contato com outras dimensões de consciência), coisa que os divulgadores de Ciência contemporâneos costumam chamar de superstição de eras obscuras.

    Portanto, uma das implicações disso é que as grandes religiões antigas não nasceram do medo e da ignorância, como se apregoa, mas das demonstrações que alguns sacerdotes faziam ao público, SIMILAR ao que fizeram quarta-feira passada os pesquisadores do LHC!

    Vc pode conferir algo disso na obra de Jacques Bergier intitulada “O Despertar dos Mágicos”, que trata da “realidade fantástica” que existia na Alemanha nazista e que permeou toda a Antiguidade pagã.

    Quanto a essa pesquisa mostrada aqui no Hypescience sobre a plasticidade da mente, que parece “novidade”, eu posso te dizer que há um livro chamado “Novas Técnicas de Convencer: persuasão oculta, Domínio Público pelo Subconsciente e Sugestão Subliminar”, de Vance Packard que relata pesquisas feitas nas reações da mente desde, pelo menos, 1950 nos Estados Unidos.

    E Wilson Bryan Key escreveu uma série de 7 livros denunciando o “estado-de-arte” das técnicas subliminares usadas na propaganda, e isso a partir de 1973.

    Obs.: No blog “Projeto Ockham” vc pode acompanhar as contestações aos trabalhos de Bryan Key (vide: http://www.projetoockham.org/pseudo_subliminar_2.html ). Mas eu tenho o livro de Key “A Era da Manipulação”; o que o site Projeto Ockham diz sobre Key passa longe do que está exposto no livro. Além disso, eu pessoalmente já fui (quase) vítima do “morceguinho” que a marca Bacardi exibe em suas propagandas: te juro, é coisa assustadora.

    Mensagens subliminares tipo “Beba Coca-Cola” é coisa ridícula até entre os nazistas, pois desde aquela época usavam-se “arquétipos do inconsciente coletivo”, que C. G. Jung estudou desde 1933 (concomitantemente aos nazistas!!!).

    E o uso e conhecimento desses tais “arquétipos” são a base em que nasceram as grandes religiões, meu chapa! Vc percebe que há uma distorção quanto ao significado das Religiões, disseminada por divulgadores da Ciência, fazendo dela um “espantalho” para assustar o público (vide: “Deus, um delírio”, de Richard Dawkins e “O Delirio de Dawkins, de Alister McGrath e Joanna McGrath; Dawkins achou graça da “falta de humor” de seus críticos e pediu-lhes para não ser levado tão a sério, assim…).

    Esses fatos mostram o quanto é “mínimo” essa pesquisa de Charlotte Tomaino. Fica-se obrigado a se limitar apenas a essa reportagem aqui descrita.

    Mas eu e vc sabemos que é muito mais vasto o terreno já explorado (e mal divulgado) da neuroplasticidade da mente, não é?

    Mas se “…Charlotte explica que podemos impor nós mesmos um limite ao livre arbítrio do cérebro, e programá-lo para trabalhar de determinada forma em várias situações…”

    …quem não sabe da História não vai entender que “…O método para forjar o cérebro é simples:…”

    Propaganda e Ideologia Neoliberal “capetalista”: assista “História das Coisas”. Lá explica-se direitinho como se molda a mente de bilhões de pessoas ao mesmo tempo, independente do livre-arbítrio de cada um.

    • Raquel Peres:

      Gostei de seu comentário. Estou anotando a bibliografia citada, vou procurar por ela. Obrigada

    • aguiarubra:

      O “Hidden Persuaders” de Vance Packard é fácil de achar, mas o “Era Da Manipulação” de W. B. Key está esgotadíssimo! Pode-se encontrá-lo na Estante Virtual por, no mínimo, 200 “paus”!

      Será melhor procurá-lo nas bibliotecas. Aqui em São Paulo, eu encontrei um único exemplar na biblioteca de PUC-SP.

      O livro de C. G. Jung “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo”, apesar de ser de leitura difícil, é bastante valioso nesse tipo de pesquisa.

      Aliado a ele há também “Além do Cérebro”, de Stanislav Grof. Aliás, leia tudo o que encontrar de Stanislav Grof.

      Junto com essas indicações, procure o site de Hélio Couto, que me “iniciou” em 2001 nesse tipo de informação “underground” sobre o que fazem conosco e com nossas mentes sem que saibamos disso.

  • Jonatas:

    Infelizmente funciona para os dois lados: os bons hábitos e os maus hábitos. Mas sim, é conhecida há milênios, que a prática leva a perfeição.

  • jose ajosilaudo:

    legal, vamos educar nosso cerebro so para coisas boas, tipo estudar, adquirir conhecimentos cada vez mais.

    • Jacob Bettoni:

      No momento em que todo o mundo acadêmico abandonar o atual paradigma do PPP – Paradigma do Passivismo Psíquico substituindo-o pelo paradigma emergente da NOERGOLOGIA, descobertas como esta acontecerão em profusão extraordinária. Noergologia já sabe disso há muito tempo, desde a descoberta de NOEROBICA.
      Noerobica é apenas isso: um conjunto de protocolos noérgicos os quais, através de um inteligente jogo bicameral, é possível modificar o cérebro de maneira replicável. Por isso Noerobica resolve em semanas aqeueles problemas conhecidos pelo paradigma do PPP como doenças mentais. Noerobica é um sistema de programação do software noérgico. Importante: isso jamais é feito com a vontade. É feito com a imaginação.
      Noergologista Jacob Bettoni

  • aguiarubra:

    P.: “…repetição das mesmas atitudes que resultem na mesma resposta corporal, ou seja, criar hábitos…”

    Comentário: isso é coisa já descoberta por B. F. Skinner. A neuroplasticidade, portanto, é só mais uma variante (ou atualização) do Comportamentalismo Behaviorista?

    De qualquer modo, eu, com 50 anos nas costas, ainda me lembro de minhas aulas de catecismo, nos meus 8 anos de idade, onde um padre falava-me quase com as mesmas palavras sobre como formar hábitos úteis para a vida.

    Será que os padres são “neuroplasticistas” também?

    • César H. Valentino:

      Mais uma vez a ciencia comprova o obvio. Só muda o olhar sob o mesmo, agora tem constatação científica (com embasamento empírico) em uma pesquisa que durou mais de 30 anos.

    • Jacob Bettoni:

      Isso mesmo, Valentino. Mudar de paradigma é apenas mudar o olhar. O PPP olhava para um pensamento passivo e Noergologia olha com os novos óculos axiomáticos resumidos nesse link http://www.youtube.com/watch?v=WPmuPjxQBzo
      A pesquisa tem experimentos com apenas um dos ingredientes modificadores do cérebro através da neuroplasticidade. Noergologia possui centenas de experimentos replicados cientificamente não apenas com o R da repetição mas com todos os oito ingredientes criadores de meganes.
      Noergologista Jacob Bettoni http://www.noergologia.com.br

    • Jonatas:

      É comum descobertas do campo científico confirmarem coisas popularmente conhecidas, e até conhecimentos milenares, desde os efeitos benéficos da meditação ao porque um chá de losna ajuda num problema estomacal.

    • aguiarubra:

      Sim, mas…nega-se peremptoriamente a dependencia do consciente do inconsciente. No site Projeto Ockham pode-se ler o seguinte:

      “O que diz a ciência

      “…Antes de mais nada, não existe na psicologia respeitável a noção de subconsciente como uma entidade separada do consciente, com idéias, crenças, desejos e motivações próprios. Este subconsciente “esperto”, capaz de tomar suas próprias decisões à revelia do dono, povoa apenas o imaginário popular, não os livros científicos. É importante deixar isto bem claro, pois esta visão popular do subconsciente é a grande responsável pela força do mito das mensagens subliminares…”.

      Vê-se que o autor desse artigo não conhece Freud ou Lacan (quanto mais C. G. Jung!). Só lhe interessa “PSICOLOGIA RESPEITÁVEL”…

      E “respeitável” é sinônimo de “cérebro-máquina”, cuja psiquê é completamente “consciente” e controlável pela vontade do indivíduo.

      O corolário disso é a “fauna” neo-darwinista e neo-liberal, que caracteriza a Psicologia oficial ensinada nas universidades “respeitáveis” por aí.

    • Jonatas:

      De acordo, quando se estabelece um determinado paradigma único como padrão “respeitável” todos os demais tendem a ser desconsiderados, algo que não é certo. Vi isso nas ciências espaciais, e na física uma descoberta ainda no começo, o bóson, e já estão descartando as hipóteses holográfica e das cordas por puro conservadorismo, não poderia ser diferente: nas neurais, acontecendo o mesmo.

    • aguiarubra:

      Pois é, camarada! O físico Michio Kaku tem um vídeo no youtube intitulado “O Bóson de Higgs e a Teoria das Cordas” http://www.youtube.com/watch?v=RzwrGbyZiDk

      Ele denuncia a mídia por eleger certas opiniões científicas em detrimento de outras e de ‘sensacionalizar’ aquelas informações que mais lhes interessam.

      Por isso, devemos tomar muito cuidado com o que é anunciado na mídia e não tomar nada como definitivo, mesmo que seja um ‘Richard Dawkins’ à dizê-lo.

    • Jacob Bettoni:

      Aguiarubra,
      Talvez o contrário: Skinner trabalhava com neuroplasticidade, sem o saber. Afinal Rita Montalcini descobriu-a em 1942, a Ciência oficial começou a aceitá-la em 1986. Mas até hoje a Psicologia e a Psicanálise não a aceitam. Até porque se a aceitassem mudariam de paradigma.
      O que Noergologia traz de novo é a MUDANÇA DO PRÓPRIO PARADIGMA. Noeroboca é uma práxis replicável modificadora do cérebro via CRISPROMEC TRABALHANDO NEUROPLASTICIDADE de forma científica, manualizada. A propósito: iso não acontece com a VONTADE, mas com a IMAGINAÇÃO.
      PS.: Skinner estava realmente praticando ciência na sua época, ao contrário de escolas como a psicanálise que estavam apenas fazendo metafísica.
      Noergologista Jacob Bettoni

    • aguiarubra:

      Ora, ora, se prá vc Skinner fazia “Ciência”, então sua Noergologia é outra variante do mesmo paradigma “mecanicista reducionista” que domina hoje em dia o establisment científico!

      A Psicologia oficial já trabalha com as neurociências, a qual cabe a proposta da Neuroplasticidade apresentada nesse artigo do Hypescience. Além disso, a Psicologia oficial (dita “estímulo-resposta”)não reconhece as instancias psicanalíticas do inconsciente, pois isso não cabe no “fisicalismo metafísico” inerente ao mecanicismo reducionista.

      Entenda que ‘metafísico’ é todo sistema de pensamento que responde cabalmente ao que é o ser, de onde se originou e no que se tornará (ou seja, questões tradicionalmente metafísicas!).

      No fisicalismo, o princípio dos seres é a matéria, que se originou no “vácuo quântico” (e hoje pode-se falar no “campo de Higgs” como sinônimo do vácuo quântico) e que voltará a se diluir nesse vácuo em 50 trilhões de anos.

      Taí, um ciclo fechado de pensamento, que orienta tudo o mais na dita “Ciência” e da qual não escapa a Psicologia oficial (isso é, do “consenso oficial” = paradigma cartesiano-newtoniano).

      Sendo assim, a Psicanálise (e as vertentes da Psicologia Profunda como as psicologias transpessoais) vai contra tudo isso, introduzindo a ideia de que o consciente e o subsconsciente são ‘informados’ por um inconsciente desconhecido no estado de vigília! Já que os “desconhecidos” não são observáveis em laboratório, são descartados por mera exigência de método. Até aí, tudo bem.

      O problema começa quando “acham que” tudo o que não cabe no método, ipso facto, NON ECZISTE…rsrsrsrs…

      Daí que aquelas coisas que “non eczistem” para o cartesianismo, pertencem a outros paradigmas e devem competir com “o modelo estabelecido”.

      Como sua Noergologia vai mudar o fisicalismo se vc se alia à Skinner e renega a Psicanálise?

      As neurociências já estão trilhando o caminho do “pós-humano”, onde o corpo físico e o cérebro sofrerão “upgrade” de próteses completamente maquinizadas, eliminando o ser humano da face da Terra: aí, sim, nada no pensamento será “inconsciente”!!!

      Isso será a completa “fisicalização” da vida humana, a consequencia de um paradigma newtoniano levado às suas últimas consequencias e a realização total de um “cientificismo” moldado numa convicção literalmente “desalmada” e maquínica.

      Quanto aos poderes da imaginação, Einstein dizia que a imaginação é mais importante que o conhecimento (e lamentava que a Ciência tivesse tornado obsoleta a Humanidade!). E os proponentes do Pensamento Positivo também dizem que a imaginação é condicionante da vontade.

      Mas, então, pq. a imaginação não funciona para corrigir o comportamento das pessoas?

      Einstein também dizia que é mais fácil desintegrar o átomo do que um preconceito! E “pré-conceitos” são, antes de tudo, fenômenos da vontade, que não cedem a nenhuma imaginação.

    • Jacob Bettoni:

      Aguiarubra, a sua erudita análise foi elaborada por ter-lhe passado despercebida, na minha frase que copio INTEGRALMENTE, a expressão que agora ENFATIZO entre aspas: Skinner estava realmente praticando ciência ”na sua época”, ao contrário de escolas como a psicanálise que estavam apenas fazendo metafísica.
      Recapitulando: a) PARADIGMA é um conjunto de axiomas que definem a primeira cláusula de barreira da cientificidade “em dado momento histórico”. É óbvio que teorias criadas sob a égide do paradigma mecanicista só receberam a chancela científica por sua fidelidade paradigmática. Teorias precisam sempre comprovar vínculo paradigmático vigente para serem consideradas científicas. Isso vale para qualquer paradigma, seja o demogênico, o mecanicista ou o noergológico.
      Exemplos de teorias que só receberam a chancela científica exatamente por serem mecanicistas: Skynner, Pavlov, Freud, Jung, Adler, Watson, Maslow, Reflexo condicionado, Inconsciente, Psicanálise, metafísica, repressão, projeção, Transpessoal, Parapsicologia, psicologias profundas. Freud levava isso tão a sério que se orgulhava da rigorosa obediência das suas teorias e práxis ao paradigma mecanicista. Mas esqueceu da segunda cláusula de barreira, que é a replicabilidade. E como suas teorias não são replicáveis não passam de metafísica. Já Skinner obedece às duas cláusulas construindo teorias com vínculo mecanicista e também replicáveis. Ou seja: ciência perfeita para AQUELE MOMENTO HISTÓRICO. A propósito: Skinner criou TEORIAS vinculadas ao PARADIGMA MECANICISTA. NOERGOLOGIA é paradigma, não é nem teoria, nem escola. Portanto, não podemos comparar um PARADIGMA com uma TEORIA.
      Questões aqui suscitadas e aparente conflito entre pensamento e matéria, entre fisicalismo e eidetismo não serão resolvidas com o ultrapassado paradigma do Passivismo psíquico, vulgo mecanicista. Este modelo está esgotado. Em 1986 a UNESCO já recomendou a adoção de novo paradigma, para cujo apelo Noergologia é a resposta não apenas exequível e viável; hoje é exigível e inadiável. No livro “Revolução de Paradigma na Psicologia” faço o mapeamento dos axiomas paradigmáticos resolvendo milenares questões, como noergia, transdução, imaginação criando meganes, etc. http://www.noergologia.com.br

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