Porque ninguém quer receber o coração de um assassino?

Por , em 7.06.2009

De acordo com uma pesquisa, as pessoas têm uma forte aversão quanto a receber órgãos doados por assassinos. A pesquisa segue a partir de outros estudos, que sugerem que pessoas que recebem transplantes de órgãos acreditam ter adquirido aspectos da personalidade da pessoa de quem receberam o órgão.

O professor Bruce Hood, neurocientista na Universidade de Bristol, na Inglaterra, testou os efeitos da informação da moral de um potencial doador em vinte estudantes, que responderam à pergunta imaginando que necessitavam que um transplante de coração. Os estudantes viram fotos de pessoas estranhas e deram notas sobre quão satisfeitos ficariam de receber o órgão daquela pessoa. Posteriormente, após receber informações pessoais sobre a pessoa da foto, responderam novamente.

A frequencia das notas baixas aumentaram muito quando a pessoa da foto era descrita como má. Quando a pessoa era descrita como boa, as avaliações eram melhores. Avaliação mais negativa foi quanto a receber o coração de um assassino. Aproximadamente 16 milhões de pessoas são doadores registrados de órgãos no Reino Unido.

Conexão

Hood afirma que muitos de seus pacientes acreditam ter adquirido características do doador após um transplante de órgãos, inclusive memórias e experiências. “Algumas das mudanças psicológicas vividas pelos pacientes têm explicações psicológicas, porém, de acordo com uma pesquisa com pacientes de transplantes, um em cada três pacientes atribuem ter recebido características psicológicas do doador, embora a ciência convencional rejeite a ideia”. De acordo com Hood, uma adolescente inglesa recebeu um transplante contra sua vontade, pois ela temia ficar diferente, tendo o coração de outra pessoa.

“Isso explica esta descoberta de porquê as pessoas rejeitam o coração de um assassino”, afirma Hood. “Basicamente, elas acreditam que de algum modo vão adquirir características do doador”.

Isabel Clarke, psicóloga do sistema de saúde inglês, diz que a associação de ideias pode ser muito poderosa: “Existe um fator emocional muito forte no fato de receber o coração de outra pessoa”. Um porta-voz do programa de transplantes britânico afirma que doações de órgãos são feitas anonimamente no Reino Unido, de modo que os transplantados não sabem nada sobre a personalidade do doador. “Asseguramos que os órgãos doados são compatíveis baseados em critérios clínicos, como idade, tamanho, e grupo sanguíneo”. E completa: “Análises mostram que tais critérios são os mais relevantes para um transplante bem-sucedido”. [BBC]

Vote: 1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars

7 comentários

  • Vinicius Lima:

    Todos os órgãos daqueles condenados a pena de morte deveriam ser doados. Se no Brasil existisse esse tipo de condenação.

  • Miguel:

    Esses que disseram que não ficariam satisfeitos por receber o orgão de um assassino só o dizem da boca para fora…
    Pelo menos eu se a minha vida dependesse de um transplante, eu aceitava o orgão fosse de quem fosse… queria cá saber se a pessoa era boa ou má, assassino ou não, eu iria querer acima de tudo VIVER!

  • Alberto Carvalhal Campos:

    Duvido que alguem se recuse a receber um coração de um assassino. Um órgão é dificil de se encontrar para transplante e ninguem quer saber de quem era o orgão. Se houvesse a pena de morte, isto seria uma boa para suprir a falta de orgãos para transplante.

  • Magrão:

    Antes do homem dividir o átomo, este era a menor parte da matéria. Já sabiam que um átomo contém informações, transmite informações em cadeia. Tudo ficou mais explícito quando dividiu-se essa menor parte. Paralelamente, a genética ganhou espaço e vemos nos projetos genoma muitos assuntos que podem despertar pensamentos mais lúcidos sobre diversos assuntos questionáveis. A maioria das pessoas não pensam com questionamentos, não têm tendências filosóficas ou se as têm não é com abrangência. Mas esse medo de receber orgão de criminosos tem muito sentido e deve ser analisado com a mente aberta e verificações de possibilidades. Um sinal de rádio é transmitido de que forma? Como ficam imprensões registradas em átomos? As células são composta do que? São três elementos a base de tudo que vemos, ouvimos, sentimos e percebemos? Para o lado dos criadores do computador, a perícia encontra tudo o que achamos ter apagado do HD. Pode? Existem muitas coisas que se a Religião, a Ciência e a Filosofia dessem as mãos e caminhassem pararelamente, poderíamos enxergar e compreender o mundo de forma mais objetiva e agradável possível.

  • Érico Bretas:

    Isso é conhecido como “memória celular”. É um tema interessantíssimo e existem inúmeras publicações a respeito, mas ainda não é efetivamente aceita pela ciência clássica por ser um tema de difícil experimentação.

    Há relatos surpreendentes a este respeito, como de pessoas que absorveram os hobbies de seus doadores, outros que “herdaram” tendências suicidas e até o relato de uma garota que solucionou o assassinato de sua doadora através de sucessivos pesadelos após o transplante. Casos como estes estão na obra “The Heart’s Code”, do neurocientista Paul Pearsall.

    É uma questão fascinante, mas caso eu precisasse de um transplante, jamais rejeitaria um órgão apesar do anonimato.

  • Kiara:

    Não sou estudiosa nessa questão. mas acho um absurdo pensar que vai se tornar um assassino aquele que receber o coração de um.

    Para mim, é puramente psicológico. Se ficar pensando, é claro que de uma forma ou de outra, vai afetar! Algo como poder da mente!

    E eu acho normal sentir uma gratidão imensa pelo doador e sua família, aifnal, sua vida foi salva! Mas achar que vai ter uma ligação e bla bla bla, já é demais.

    De qualquer forma, achei a matéria muito boa e a pesquisa válida.

    Estão de parabéns, hype science!

  • valeria kubo:

    Acabei de assistir um filme chamado “Olho do mal” que fala sobre esse tema.
    Discordo plenamente de que um orgao doado de alguem possa trazer pro receptor essa carga genetica, a nao ser que a pessoa seja influenciada.
    Sou transplantada renal, e nao tenho nenhuma caracteristica adquirida pos transplante do meu doador, e acredito que todos aqueles que estao numa fila de transplante aguardando um orgao, jamais se recusariam a receber um orgao doado tenha ele vindo de onde venha, desde que de origem legal.
    So o que estao na fila aguardando por um orgao, tem capacitação para responderem essa pergunta.
    O que todos devem lembrar, é que amanhã é outro dia, e talvez seja um deles a esperar por um orgão nessas filas interminaveis de receptores de orgão.
    Doe vida, doe orgãos…..orgãos pulsam a vida!!!

Deixe seu comentário!