O centro do sarcasmo no cérebro foi encontrado?

Por , em 13.04.2015

Um novo estudo publicado no periódico Neurocase afirmou ter descoberto o centro de sarcasmo no cérebro. O artigo relata que danos a uma região de substância branca, o estrato sagital direito, estão associados a dificuldade em perceber um tom sarcástico de voz.

Só que o artigo em si poderia ser sarcástico.

O estudo

Os pesquisadores estudaram 24 pacientes que sofreram lesão na substância branca depois de um acidente vascular cerebral (derrame).

Em alguns casos, as lesões atingiram o estrato sagital no hemisfério direito do cérebro, e esses indivíduos tiveram um pior desempenho em um teste no qual tinham que decidir se declarações como “Isto parece um barco seguro!” eram sinceras ou sarcásticas, com base no tom de voz.

Críticas

No entanto, a pesquisa recebeu muitas críticas. Primeiro, o estrato sagital não é um “centro”. Se é alguma coisa, é uma “ponte”. É um feixe de nervos de substância branca que transmite informações entre duas estruturas de substância cinzenta, o tálamo e o córtex cerebral.

A substância branca do cérebro não pode detectar ou processar qualquer coisa: é a cinzenta que faz isso. A substância branca conecta as áreas de substância cinzenta. A detecção e compreensão do sarcasmo provavelmente acontece em algum lugar no córtex, uma vez que este é o lugar onde a maioria do processamento social e perceptual acontece.

Portanto, se o estrato sagital for necessário para a percepção do sarcasmo, seu papel deve ser o de transmitir informações de e para a parte relevante do córtex – e não sabemos onde essa parte fica. Pode haver várias áreas envolvidas na detecção do sarcasmo. Ou seja, pode nem sequer haver “um centro”.

Além disso, a amostragem do estudo foi relativamente pequena, e os autores estudaram oito diferentes “caminhos” na substância branca que poderiam comprometer a habilidade de entender o sarcasmo, encontrando apenas uma associação significativa, o que levanta um problema de comparações múltiplas.

Conclusão

Ainda não sabemos onde no cérebro processamos o sarcasmo. Sem sarcasmo. [DiscoverMagazine]

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