Droga psicodélica de tribos da Amazônia pode prevenir suicídio entre pessoas com depressão “incurável”: estudo

Por , em 19.11.2019

Um estudo inédito do Imperial College London (Reino Unido), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil) e da Universidade de São Paulo (Brasil) explorou o impacto da droga psicodélica ayahuasca nas taxas de suicídio e concluiu que a mistura pode ter um efeito positivo em pessoas com depressão grave que não têm respondido a outros tratamentos.

Metodologia

A ayahuasca é uma mistura de substâncias psicodélicas consumida por tribos indígenas da Amazônia há séculos. Um dos seus ingredientes é a poderosa droga dimetiltriptamina (DMT).

Uma vez que outros estudos já mostraram efeitos promissores de psicodélicos no tratamento de condições associadas ao suicídio, como depressão, os pesquisadores resolveram analisar que função a ayahuasca poderia ter no risco de suicídio.

Para isso, conduziram uma análise secundária dos dados de um estudo randomizado feito em 2019 e publicado na revista científica Psychological Medicine.

Nele, 29 indivíduos com depressão resistente a tratamentos e sem histórico de distúrbios psicóticos receberam uma dose de ayahuasca ou de placebo durante uma única sessão de terapia. Nenhum deles tinha provado um psicodélico antes. Um psiquiatra avaliou o risco de suicídio dos participantes antes da sessão, e depois de 1, 2 e 7 dias da sessão.

Resultados

Os resultados do estudo indicam que a ayahuasca teve um efeito médio a grande na taxa de suicídio 7 dias após a intervenção no grupo que recebeu o tratamento, efeito que não visto no grupo do placebo.

Apesar disso, os dados não são conclusivos porque podem não ser estatisticamente significativos.

“Nosso estudo é caracterizado por várias limitações importantes, incluindo um pequeno tamanho de amostra, exclusão de indivíduos que eram extremamente suicidas e acompanhamento de curto prazo (ou seja, 7 dias após a administração [de ayahuasca]). Por fim, será importante que pesquisas futuras usem amostras maiores, além de examinar a segurança e a eficácia da ayahuasca como uma intervenção para indivíduos com níveis agudos de suicídio”, afirmou Richard Zeifman, um dos autores do estudo.

Dado que a pesquisa não explorou o impacto direto da ayahuasca no suicídio, explicações alternativas para os resultados positivos são plausíveis. Contudo, os pesquisadores dizem que o tema merece atenção, uma vez que novas abordagens de prevenção do suicídio não necessárias.

Um artigo com os achados com publicado na revista científica Frontiers in Pharmacology. [PsyPost]

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